BUSCAR
BUSCAR
Cultue

Conheça a Reuse, que revoluciona a moda circular em Natal

De bazares informais a uma marca consolidada, a Reuse aposta no consumo consciente e na transformação da moda em um movimento de impacto social e ambiental
Isabelly Noemi
26/09/2025 | 08:33

O que começou como uma forma de garantir renda extra durante a faculdade se transformou em um movimento que busca revolucionar a forma de consumir moda em Natal. Aos 18 anos, Adyha Aby Faraj vendia roupas usadas suas e das amigas em pequenos bazares.

Sem perceber, ela já dava os primeiros passos na construção da Reuse, marca que hoje se consolida no mercado de moda circular e projeta expansão nacional.

reuse
Adyha Aby Faraj, fundadora da Reuse, iniciou sua jornada no mundo da moda circular ainda na adolescência. Hoje, sua marca é referência em moda second-hand de qualidade. Foto: Cedida

A relação com o desapego, no entanto, veio ainda mais cedo. Aos 11 anos, Adyha organizou seu primeiro bazar beneficente. Poucos anos depois, aos 15, fez o primeiro bazar pessoal. A experiência de transformar roupas em movimento financeiro e social acabou moldando sua visão de futuro.

“Sempre acreditei na independência financeira e no empreendedorismo feminino. Aos poucos percebi que havia algo maior acontecendo: a curadoria criteriosa, o formato diferenciado de postagens e o cuidado em contar histórias faziam as pessoas enxergarem valor real nessas peças”, relembra.

O grande salto veio durante a pandemia, quando a fundadora estruturou o negócio de forma profissional. A Reuse nasceu com a proposta de unir moda, impacto socioambiental e consciência coletiva. “Entendi que uma marca não é só produto, mas movimento, essência e comunidade”, afirma.

Adyha acredita que o interesse pelo second-hand é movido por diferentes fatores, do preço justo à exclusividade.

“No second-hand a pessoa encontra peças únicas e pode montar um estilo autêntico, sem ser refém da moda descartável nem das tendências que nascem e morrem rapidamente. Mas, acima de tudo, está a consciência: cada peça significa consumir com intenção e gerar menos impacto ambiental”, explica.

O modelo permite acesso a marcas renomadas com até 70% de desconto, muitas vezes em peças novas, ainda com etiqueta. “Assim, nossas clientes conseguem garantir qualidade e durabilidade pelo mesmo valor que pagariam em apenas uma peça no varejo tradicional”, acrescenta.

O público de Natal, segundo Adyha, precisou de tempo para se acostumar à ideia de moda circular. “No início havia bastante resistência, mas hoje vejo uma receptividade cada vez maior. Fomos pioneiras ao trazer o second-hand aliado a uma estrutura de boutique, elevando a experiência de comprar peças de segunda mão a um novo patamar”, diz.

A empreendedora destaca que o trabalho foi feito “em passos de formiguinha”, com comunicação assertiva, marketing estratégico e branding consistente. O resultado foi a quebra de preconceitos e a fidelização de uma comunidade de clientes.

“Hoje é gratificante receber mensagens de clientes que dizem que só começaram a consumir brechó por causa da experiência e influência da Reuse”.

Apesar disso, ela reconhece que ainda existe preconceito. “Muitas pessoas confundem brechó com bazar beneficente e acreditam que tudo precisa ser muito barato. Mas a proposta da Reuse é diferente: oferecemos curadoria criteriosa, estrutura de boutique, experiência de compra e senso de comunidade”.

Uma das estratégias da Reuse para movimentar o estoque é a consignação. O modelo permite que parceiras deixem suas peças na loja para serem comercializadas. “Nós cuidamos de todo o processo — curadoria, precificação, exposição e venda. Nem todas as peças são aceitas, justamente para manter a proposta de oferecer uma experiência premium”, explica.

As roupas que não são vendidas dentro de 90 dias seguem para o Outlet Reuse, realizado duas vezes por ano. Há também peças direcionadas para doações a instituições, especialmente as que apoiam animais em situação de vulnerabilidade.

“Se a roupa não cumpre seu papel comercial, é essencial que ela cumpra sua função social. Nada é simplesmente descartado”, reforça a fundadora.

Mais do que moda, a Reuse busca conexão com outras causas. A loja já promoveu eventos de adoção de animais, oficinas, aulas funcionais e encontros voltados ao fortalecimento do empreendedorismo feminino.

“Não se trata apenas de roupas, mas de cultura, pertencimento e propósito. Queremos inspirar escolhas melhores em diferentes áreas da vida”, resume a fundadora.

Para os próximos anos, a meta é expandir a atuação para o nível nacional. “Queremos circular milhões de peças, economizar bilhões de litros de água e formar uma rede cada vez maior de parceiras e clientes que entendem que moda é muito mais do que consumo rápido. A Reuse nasceu para revolucionar o consumo de moda, unindo estilo, propósito e impacto positivo em cada peça de second-hand que circula”, completou.