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Ação

Banco de Alimentos de Natal bate recorde com 72 toneladas de alimentos distribuídos

Programa supera desempenho do ano passado e amplia rede de solidariedade na capital
Agora RN
26/08/2025 | 04:43

Em apenas seis meses, a Secretaria Municipal do Trabalho e da Assistência Social (Semtas) alcançou uma marca histórica com o Banco de Alimentos de Natal: 71,9 toneladas de alimentos distribuídos a dezenas de comunidades e instituições que atendem famílias em situação de vulnerabilidade social. O resultado já iguala o total do volume arrecadado e distribuído em todo o ano passado, evidenciando a força e o crescimento do programa em 2025.

O mês de julho foi o mais expressivo do programa neste ano, com 24 toneladas entregues em ações estratégicas de grande porte. Esse desempenho foi impulsionado especialmente pelo São João de Natal, que mobilizou a população em torno da solidariedade e consolidou o Banco de Alimentos como uma das principais iniciativas de combate à fome na cidade.

Banco de Alimentos de Natal bate recorde com 72 toneladas de alimentos distribuídos - Foto: Demis Roussos / Prefeitura do Natal
Secretária Nina Souza reforça que todo alimento doado tem um destino certo e passa por uma inspeção rigorosa - Foto: Demis Roussos / Prefeitura do Natal

O prefeito Paulinho Freire adianta que o programa vai ficar ainda mais fortalecido, com eventos oficiais se transformando em oportunidades de arrecadação. “Assim como aconteceu no São João, todos os grandes eventos da Prefeitura terão ponto de coleta para o Banco de Alimentos. Não existe festa sem solidariedade. O alimento que sobra em um lugar pode ser o que falta na mesa de uma família. O nosso compromisso é transformar a cultura de Natal em um instrumento de combate à fome”, define o prefeito.

A secretária municipal do Trabalho e Assistência Social, Nina Souza, também ressalta o a função do Banco de Alimentos como instrumento de solidariedade e transformação social. “O programa tem um papel estratégico em nossa cidade: recolher o que seria desperdiçado e transformar em dignidade para milhares de famílias. Cada doação passa por um processo cuidadoso de seleção e chega com segurança às instituições que atendem crianças, pessoas idosas e famílias em situação de vulnerabilidade. É um trabalho que mostra a relevância da solidariedade organizada, capaz de transformar realidades”, classifica Nina.

Para a diretora do Departamento de Segurança Alimentar da Semtas, Marlene Ramalho, os dados representam vidas transformadas. “Em seis meses, saltamos de 7,5 toneladas em janeiro para 24,2 toneladas em julho, triplicando nossa capacidade de atendimento. Isso é fruto de gestão eficiente, equipe comprometida e visão estratégica. Queremos manter uma política que transforme números em dignidade, garantindo que cada alimento chegue rápido e com qualidade a quem mais precisa”, avisa a diretora.

O número de instituições beneficiadas também cresceu: hoje são mais de 70 cadastradas, frente às 28 do início do projeto. O modelo funciona em regime de rodízio para garantir que, ao longo do mês, todas sejam contempladas.

A presidente da Casa do Bem, Vânia Torres, uma das entidades inscritas no programa afirma que a parceria possibilitou o atendimento de 500 famílias. “Não se trata apenas de comida, mas de dignidade e oportunidade de uma vida melhor”, afirma, explicando que cada família passa por cadastro e acompanhamento, o que fortalece o trabalho social da instituição.

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Principal meta do Banco de Alimentos é transformar a cultura da capital potiguar em instrumento de combate à fome – Foto: Demis Roussos / Prefeitura do Natal

Dentre os beneficiados, está também o Movimento de Luta por Moradia Popular. Renata de Freitas, coordenadora do movimento que atende sete ocupações em Natal, relatou que cerca de 750 famílias — aproximadamente 3 mil pessoas — hoje têm mais segurança alimentar graças ao Banco. “As mães solos, que antes precisavam pedir ajuda nas ruas, agora sabem que terão comida na mesa”, relata.

Arrecadação, triagem e distribuição

Grande parte dos alimentos chega por meio de supermercados e atacadistas, em especial hortifrutis, que precisam ser consumidos rapidamente. Já itens de maior durabilidade vêm de campanhas específicas, como ocorreu no São João, quando foram arrecadados leite e outros gêneros alimentícios.
Além das parcerias institucionais, qualquer pessoa pode contribuir. O Banco de Alimentos recebe doações de empresas e da população em geral, desde que os produtos estejam dentro do prazo de validade.
“Pode faltar apenas um dia para vencer que a gente aproveita. Mas o importante é não deixar desperdiçar. Aqui, todo alimento tem destino certo”, reforça Nina Souza. Todo alimento recebido passa por triagem técnica e inspeção antes da distribuição. Produtos que não estão aptos ao consumo humano são destinados à alimentação animal, para que não haja nenhum desperdício. Essa prática assegura tanto a qualidade do que é entregue às famílias quanto o aproveitamento integral das doações.

Como se tornar parceiro do Banco de Alimentos

Para se tornar doador do programa, qualquer empresa pode entrar em contato pelo e-mail [email protected]. Após a assinatura do termo de compromisso, são definidos dias e horários de coleta.

Os alimentos, geralmente classificados pelas empresas como “avariados”, são avaliados por uma equipe do DSA/Semtas que separa, pesa e destina os itens conforme o perfil das instituições cadastradas. O mesmo e-mail também pode ser utilizado pelas entidades que desejam se cadastrar para receber doações.

As doações seguem rígido controle: as empresas recebem relatórios mensais e as instituições são acompanhadas por visitas técnicas. Para receber perecíveis, por exemplo, é obrigatório que a entidade tenha freezer, cozinha e nutricionista responsável. Já instituições menores, sem estrutura completa, são enquadradas em outra modalidade e recebem apenas itens não perecíveis.

Atualmente, quase 35 entidades integram a modalidade 1, em um sistema de rodízio que garante equidade na distribuição. Além disso, as instituições recebem capacitações sobre congelamento, produção de polpas e boas práticas de armazenamento, ampliando o aproveitamento dos alimentos.