Natal recebe na próxima sexta-feira (1º de agosto) um dos maiores nomes da música brasileira. João Bosco sobe ao palco do Teatro Riachuelo com o espetáculo “João Bosco Quarteto”, em uma noite de emoção, poesia e grandes sucessos da MPB. Os ingressos estão à venda na bilheteria do teatro e no site uhuu.com.
Com uma trajetória de mais de cinco décadas, João Bosco se consagra pela voz marcante, pelo violão inconfundível e por composições que fazem parte da história da música popular brasileira. No repertório do show, o artista apresenta canções do seu mais recente álbum “Boca Cheia de Frutas” — apontado pela crítica como um dos destaques do ano —, além de sucessos como “O Bêbado e a Equilibrista”, “O Mestre Sala dos Mares”, “Kid Cavaquinho”, “Jade”, “De Frente pro Crime” e outros hinos da sua carreira.

A noite conta ainda com a apresentação do cantor e compositor potiguar Sueldo Soaress, que traz um repertório autoral com fortes influências da música nordestina. A participação integra o Projeto Toca Brasil, iniciativa que valoriza a conexão entre artistas consagrados e talentos regionais.
O Projeto Toca Brasil é realizado pela FF Entretenimento e viabilizado por meio dos incentivos da Lei Djalma Maranhão, com patrocínio da Unimed Natal, Hotel Villa Park e Espacial Veículos, e da Lei Câmara Cascudo, por meio da Secretaria de Cultura do RN e Fundação José Augusto, com apoio da CDA Distribuidora e Supermercados Nordestão.
Confira a entrevista ao AGORA RN:
AGORA RN – Você tem uma trajetória marcada por coerência estética e inventividade. Como foi pensar o repertório desse novo show em Natal?
João Bosco – Escolhi algumas canções que definem bem o álbum recente, Boca Cheia de Frutas, e fui sentindo as canções que fazem parte dessa trajetória de mais de cinquenta anos procurando afinidades sem deixar de pensar também nas canções que são marcantes nessa caminhada.
AGORA RN – O Projeto Toca Brasil propõe encontros entre gerações e sotaques musicais. Como você enxerga a importância dessa troca com artistas regionais?
João Bosco – Vez por outra participo de projetos com a presença de artistas locais que muitas vezes encontram dificuldades em mostrar o seu trabalho. Projetos que viabilizam isso são sempre muito bem recebidos por nós, que já estamos na estrada já há muito tempo e que também passamos por essas mesmas dificuldades. No meu primeiro disco, Aldir [Blanc] e eu éramos jovens iniciantes gravando Agnus Sei no lado B e fomos apadrinhados por Tom Jobim que lançava “Águas de Março” no lado A.
AGORA RN – Você já celebrou 50 anos de carreira. O que ainda te move a subir ao palco com o mesmo entusiasmo de sempre?
João Bosco – A música é tudo pra mim. Ela me conecta com tudo que faz parte da minha vida. Não consigo imaginar a minha vida sem a música. Entre tantas coisas, o processo de criação é também uma busca pelo outro.
AGORA RN – Clássicos como O Bêbado e a Equilibrista e O Mestre Sala dos Mares continuam emocionando o público décadas depois. O que você sente ao ver essas músicas ainda tão atuais e necessárias? Que artistas contemporâneos da cena brasileira têm te chamado a atenção hoje?
João Bosco – Embora tenham sido compostas nos anos 1970, continuam mantendo afinidades com a realidade atual. Ainda somos um país que batalha por uma vida mais digna para a maioria dos brasileiros. Por isso, canções como essas permanecem vinculadas à nossa realidade. Tenho encontrado vários artistas que me impressionam por sua competência e criatividade. Entre as intérpretes e compositoras: Vanessa Moreno, Xênia França, Kell Smith, apenas para citar algumas. Instrumentistas como o baixista Michael Pipoquinha ou o acordeonista Mestrinho, entre outros. São de uma competência absurda! Mas há muitos mais. Nunca tivemos uma colheita de tantos talentos como agora.
AGORA RN – Natal já te recebeu em outras ocasiões. Que lembranças ou expectativas você tem do público potiguar? O que o público de Natal pode esperar dessa apresentação no Teatro Riachuelo?
João Bosco – As minhas lembranças são as melhores possíveis. Especialmente nesse belo teatro que é o Riachuelo. Estava com diversas formações desde solo até em Quarteto. Tive participações com artistas locais como esse talento que é a cantora Liz Rosa, e agora volto com o JB Quarteto (Kiko Freitas-bateria, Ricardo Silveira-guitarra e Guto Wirx-baixo). Será um prazer voltar a Natal neste belo teatro, com esse quarteto e encontrar esse público tão musical e de tantos talentos locais.