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Política

Moraes vê descumprimento de medidas cautelares por Bolsonaro, mas não decreta prisão

A manifestação de Moraes foi uma resposta ao pedido da defesa de Bolsonaro para esclarecer os limites da proibição do uso de redes sociais
Agora RN
24/07/2025 | 10:55

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta quinta-feira 24 que o ex-presidente Jair Bolsonaro descumpriu medidas cautelares impostas pela Corte, mas decidiu não decretar sua prisão preventiva por considerar que se tratam de “fatos isolados”.

A manifestação de Moraes foi uma resposta ao pedido da defesa de Bolsonaro para esclarecer os limites da proibição do uso de redes sociais, especialmente em relação à concessão de entrevistas e à replicação de declarações em perfis de terceiros.

Moraes vê descumprimento de medida por Bolsonaro, mas não decreta prisão - Fotos: Gustavo Moreno/STF
Moraes vê descumprimento de medida por Bolsonaro, mas não decreta prisão - Fotos: Gustavo Moreno/STF

“Efetivamente, não há dúvidas de que houve descumprimento da medida cautelar imposta, uma vez que, as redes sociais do investigado EDUARDO NANTES BOLSONARO foram utilizadas à favor de JAIR MESSIAS BOLSONARO dentro do ilícito modus operandi já descrito”, escreveu Moraes.

O ministro citou como exemplo o compartilhamento, por Eduardo Bolsonaro, do discurso feito por Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados, ocorrido “momentos após o acontecimento”. Segundo Moraes, isso representa tentativa de burlar a medida cautelar. “Constata-se a tentativa de burlar a medida cautelar, demonstrando a utilização do ilícito modus operandi anteriormente citado”, afirmou.

Moraes manteve as medidas cautelares já impostas, que incluem o uso de tornozeleira eletrônica, a proibição de se ausentar de Brasília, o recolhimento noturno entre 19h e 6h, e a vedação do uso de redes sociais, ainda que por meio de terceiros. O ministro também reiterou a proibição de Bolsonaro manter contato com autoridades, representações diplomáticas e investigados nas ações penais relativas ao 8 de Janeiro.

A defesa de Bolsonaro nega qualquer descumprimento. Em manifestação de cinco páginas entregue ao STF, os advogados sustentam que não há proibição expressa quanto à concessão de entrevistas e que as replicações em redes sociais por terceiros ocorrem fora do controle do ex-presidente.

“É notório que a replicação de declarações por terceiros em redes sociais constitui desdobramento incontrolável das dinâmicas contemporâneas de comunicação digital e, por isso, alheio à vontade ou ingerência do Embargante. Assim, naturalmente uma entrevista pode ser retransmitida, veiculada ou transcrita nas redes sociais. E tais atos não contam com a participação direta ou indireta do entrevistado, que não pode ser punido por atos de terceiros”, diz a defesa entregue a Moraes.

Segundo os advogados, Bolsonaro “jamais cogitou que estava proibido de conceder entrevistas”. Eles solicitam ao STF que esclareça se a restrição ao uso de redes sociais também se aplica à realização de entrevistas. “O Embargante não postou, não acessou suas redes sociais e nem pediu para que terceiros o fizessem por si”, afirmam os defensores.

Moraes afirmou, em decisão anterior, que a proibição ao uso de redes sociais “inclui, obviamente, as transmissões, retransmissões ou veiculação de áudios, vídeos ou transcrições de entrevistas em qualquer das plataformas das redes sociais de terceiros”. Para o ministro, o uso desses canais com conteúdo de Bolsonaro pode configurar burla às determinações judiciais, sob pena de prisão.

A defesa argumenta que, no momento em que Bolsonaro fez as declarações na Câmara dos Deputados, ainda não havia sido notificada da nova decisão de Moraes. O ex-presidente exibiu publicamente sua tornozeleira e criticou as restrições.

Os advogados informaram ainda que Bolsonaro permanecerá em silêncio enquanto o STF não esclarecer os limites da medida. “De toda forma, em sinal de respeito absoluto à r. decisão da Suprema Corte, o Embargante não fará qualquer manifestação até que haja o esclarecimento apontado nos presentes Embargos”, afirmaram.

O documento da defesa será agora encaminhado por Moraes à Procuradoria-Geral da República (PGR), que analisará se as explicações são suficientes. A partir dessa avaliação, o ministro decidirá os próximos passos do processo.

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