O deputado estadual Dr. Bernardo (PSDB) defendeu nesta segunda-feira 21 que a transição de gestão da governadora Fátima Bezerra (PT) para o vice Walter Alves (MDB) seja mais acelerada. Segundo ele, o MDB – partido ao qual deverá se filiar em breve – deseja ocupar mais espaços do que os que tem atualmente, de modo que a mudança de governo já inicie de maneira gradual.
“É interessante para o MDB ocupar espaços e contribuir com o Governo”, afirmou Dr. Bernardo, em entrevista ao AGORA RN.

O parlamentar afirmou que, para que a transição de gestão tenha início, não há necessidade de a governadora Fátima Bezerra antecipar sua renúncia do cargo – o que está previsto para ocorrer somente no início de abril de 2026. Ele cita que o MDB pode ampliar sua participação na gestão com a indicação de mais cargos.
Até o mês passado, o MDB possuía a indicação de apenas uma pasta de expressão no governo: a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), ocupada por Paulo Varella. No início do mês, o ex-prefeito de Apodi Alan Silveira assumiu a Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec). O partido, no entanto, espera ocupar outras funções.
“Para isso ocorrer (transição de governo), não há necessidade de se antecipar a transição do cargo. Aliás, o governo já fez um gesto nessa direção, quando nomeou o ex-prefeito Alan na Sedec. Até onde eu sei, em breve o MDB irá ocupar a Caern. Isso tudo fruto de diálogo, sem açodamento”, afirmou Bernardo.
Por lei, Fátima Bezerra tem até 4 de abril de 2026 para renunciar ao cargo de governadora caso queira disputar o Senado nas eleições do próximo ano. Ela já revelou esse plano em entrevistas. Neste caso, quem assumirá o mandato até 31 de dezembro será o vice Walter Alves. Ele poderia disputar a reeleição, mas tem dito que não tem interesse e que vai apoiar o nome indicado pelo PT, que por enquanto é o secretário de Fazenda, Cadu Xavier.
Questionado sobre a possibilidade de Fátima Bezerra antecipar sua renúncia para o fim deste ano para prestigiar o MDB e acelerar a transição, Dr. Bernardo declarou que esse tema ainda não foi discutido entre o partido e a governadora. Ele declarou, ainda, que não fez nem fará essa sugestão a Fátima. Porém, se isso acontecesse, segundo ele, “seria bom para o MDB”.
“Não se sugere a alguém que está no exercício do mandato legitimamente conquistado que se renuncie. Isso não existe. Ninguém em sã consciência iria sugerir isso, e eu não sugeri. O que existe de fato é um desejo do MDB de contribuir com o governo, iniciando a transição de forma harmônica e republicana”, enfatizou Bernardo.
O deputado já havia feito declaração semelhante na semana passada. Em entrevista ao jornal Diário do RN, Dr. Bernardo cobrou que o MDB ocupe mais espaços no governo e chegou a declarar que a antecipação da renúncia de Fátima seria “ideal”. “Existe uma cobrança do povo, das lideranças do MDB, para que Walter assuma mais espaço e assumindo o governo seria muito importante para todo o grupo”, disse Dr. Bernardo.
Nesta segunda, em entrevista ao AGORA RN, o deputado reafirmou o que havia dito, mas fazendo a ressalva de que a renúncia antecipada não é um apelo dele. “Eu disse que, para o MDB, seria bom (a antecipação da renúncia). Mas daí a sugerir a governadora que faça isso é algo totalmente diferente. O MDB não sugeriu. Não posso falar por Walter, mas até onde sei ele nunca trataria disso”, emendou o parlamentar.
Ainda segundo Dr. Bernardo, o MDB tem um compromisso de “colaborar administrativamente” e de sugerir nomes para compor a chapa majoritária para a disputa das eleições de 2026. Ele disse que o partido poderá indicar nomes para a disputa do Senado, para vice-governador ou suplente de senador.
Raimundo Alves nega renúncia antecipada da governadora do RN
Na semana passada, também em entrevista ao AGORA RN, o secretário-chefe do Gabinete Civil do Governo do Estado, Raimundo Alves, classificou como “tentativa frustrada de criar cizânia” os rumores de que a governadora poderia renunciar ao cargo antes de 31 de março de 2026. Segundo ele, o assunto “nunca foi tratado” nem por Fátima nem por Walter Alves.
“Vejo claramente como uma tentativa frustrada de criar desentendimento entre a governadora Fátima e o vice Walter. Nunca houve qualquer conversa ou mudança de plano em relação ao calendário estabelecido”, afirmou. Ele confirmou que a transição entre os dois governos já foi iniciada, mas será concluída apenas dentro do prazo máximo exigido pela Justiça Eleitoral para desincompatibilização. Ou seja, segundo Raimundo, Fátima ficará no cargo até o último momento possível: fim de março de 2026.
Raimundo também afirmou que conversou com Walter sobre o caso na última sexta-feira 18, após a publicação da entrevista de Dr. Bernardo ao jornal Diário do RN. “Walter demonstrou incômodo com o fato de o assunto vir à tona dessa forma. Ele reafirmou que, em nenhum momento, pensa num calendário diferente desse que está acordado”, disse o chefe da Casa Civil.