Dos 211 medicamentos distribuídos pela Unidade Central de Agentes Terapêuticos (Unicat) na sede em Natal, 74 estão indisponíveis, de acordo com os dados disponibilizados no site da unidade. Isso significa dizer que 35,07% das medicações que abastecem a sede da Unicat, órgão ligado à Secretaria de Saúde Pública (Sesap), está em falta.
Errata: o Agora RN errou ao publicar que a Unicat distribui 672 medicamentos e tem 267 em falta no estado. Considerando a sede em Natal, são distribuídos 211 medicamentos e 74 estão indisponíveis na sede.

Procurada pela equipe do AGORA RN nesta segunda-feira 22, a Sesap informou, por meio da assessoria, que tem preparado estratégias para agilizar processos de aquisição dos medicamentos.
“A Secretaria mantém um grupo de trabalho permanente para agilizar os processos de aquisição de medicamentos”, informou. Assim, as estratégias adotadas pela Sesap para resolver o problema são concentradas em um reforço de pessoal para o setor de compras da Unicat.
“Com novos servidores especializados na área de compras para ampliar a capacidade de planejamento das aquisições, com objetivo de manter uma regularidade no fornecimento”, informou a Sesap.
De acordo com os dados disponibilizados no site da Unicat, a maioria dos medicamentos em falta no Estado estão em processo de licitação ou aguardam distribuição do Ministério da Saúde. “O reabastecimento depende do caminhar dos processos”, disse a Sesap.
Quando medicamento falta, dona de casa compra na farmácia: “Pesa e faz diferença”
A mãe da dona de casa Zuleide Alves é uma das pacientes que precisam dos remédios distribuídos pela Unicat, mensalmente. Enquanto cuidadora da mãe, Zuleide explicou que, nos meses anteriores, não conseguiu receber o medicamento que sua mãe necessitava, mas neste mês conseguiu adquirir a medicação.
“Eu consegui [hoje]. Nas outras vezes, era sem previsão de chegada”, afirmou. Ela disse que, nas primeiras horas da manhã, havia mais pacientes na fila, que foram embora após os funcionários avisarem sobre a falta de medicações.
Por quatro anos, a cada mês ela recebe os medicamentos Cabergolina de 0,5 miligramas e Octreotida de 20 e 30 miligramas para a mãe e conta que, quando a medicação estava em falta na Unicat, a única alternativa era comprar nas farmácias, mas isso significava uma despesa a mais. “Felizmente, eu consegui fazer um cadastro na Farmácia Popular, mas pesa e faz toda a diferença”, ressalta.
Ela mencionou, também, que, na possibilidade de ter que comprar os medicamentos outra vez, pode ter que recorrer a um empréstimo. “Não fiz [empréstimo], mas se for necessário [deverá fazer]. O pensamento já chegou lá, a vida é única. Além deste que recebo, ainda compro quase um salário mínimo de medicamento”, lamentou.