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Descriminalização

STF já tem 5 votos para liberar porte de maconha para utilização pessoal

Maioria também votou para indicar quantidade mínima para definir usuário
Redação
25/08/2023 | 07:31

O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria a favor de determinar que deve ser estabelecida uma quantidade mínima de droga que diferencia um usuário de maconha e um traficante, mas há divergências entre os ministros sobre quem fará a definição e qual será essa quantidade. Apesar disso, ainda não há maioria para descriminalizar o porte de drogas, o principal ponto que está sendo discutido no julgamento.

Seis ministros já votaram. Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Rosa Weber defenderam que quem esteja com até 60 gramas de maconha seja presumido usuário, caso não haja outros indícios de que seja traficante. O ministro Luís Roberto Barroso inicialmente propôs 25 gramas, mas depois aumentou para 100 gramas. Cristiano Zanin defendeu 25 gramas.

Ministro Gilmar Mendes, do STF, defendeu que quem esteja com até 60 gramas de maconha seja presumido usuário. Foto: Fellipe Sampaio / Divulgação STF
Ministro Gilmar Mendes, do STF, defendeu que quem esteja com até 60 gramas de maconha seja presumido usuário. Foto:

Edson Fachin foi o único a não sugerir uma quantidade específica. O ministro considera que deve haver um critério objetivo, mas que o número precisa ser estabelecido pelo Congresso.

“Na questão de diferenciação de usuário e traficante, acho que todos estamos de acordo”, afirmou Moraes, em referência aos seis ministros que já votaram.

Em relação à descriminalização do porte de drogas para uso pessoal, o placar é de cinco votos a um. Zanin foi o único até aqui a ser contrário à descriminalização.

Descriminalização da maconha

Atualmente, já existe a despenalização do porte, ou seja, a prática não é punida com pena de prisão. Caso haja maioria pela descriminalização, as sanções passariam a ser administrativas, e não penais.

O ministro André Mendonça pediu vista, o que adiou a conclusão do julgamento. Ele tem até 90 dias para devolver o processo. Diante disso, Rosa Weber antecipou seu voto porque irá se aposentar em setembro.

No início da sessão desta quinta, o relator do caso, Gilmar Mendes, alterou seu voto. No início do julgamento, em 2015, ele havia defendido a descriminalização do porte de todas as drogas.

Entretanto, os três ministros que votaram depois — Fachin, Barroso e Moraes — aplicaram a medida apenas à maconha, por ser a droga apreendida no caso concreto que motivou o julgamento. Por isso, Gilmar resolveu também restringir sua posição.