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Cidades

Sinmed-RN: Poder público tem sido irresponsável no cuidado materno-infantil

Geraldo Ferreira denuncia possível fechamento da Leide Morais
Redação
10/11/2022 | 00:08

O Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Norte (Sinmed-RN) recebeu a denúncia de que a Maternidade Leide Morais pode ser fechada em breve pela Prefeitura do Natal. A maternidade foi criada para o atendimento na Zona Norte da cidade devido ao distanciamento da região em relação ao centro da capital potiguar.

Segundo o médico Geraldo Ferreira, presidente do Sinmed, a unidade hospitalar surgiu com uma proposta moderna, de incentivar o parto humanizado, com o auxílio de estrutura especial nos quartos. Referência, a maternidade tem uma média de parto normal de 120 procedimentos por mês. Cesarianas, na faixa de 70 por mês e curetagens uterinas, 25. Já em termos de atendimento médico, o número mensal de consultas varia entre 1,2 mil a 1,5 mil, sendo de 15 a 18 mil pacientes por ano.

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Maternidade Leide Morais, na Zona Norte de Natal, foca em parto humanizado - Foto: arquivo / sinmed-rn

A justificativa para o fechamento por parte da gestão municipal seria a falta de obstetras para complementar a escala de plantões, o que tem deixado a maternidade por vários dias sem cumprir a função de atendimento. Segundo Geraldo, o poder público começou a travar pagamentos e, por isso, começam a ter dificuldade para repor o quadro de profissionais, já que há atrasos de até quatro meses. “Ninguém quer trabalhar com atrasos de salários”, pontuou ele, em entrevista ao AGORA RN.

Na Zona Norte da capital potiguar, existe o Hospital Santa Catarina. Porém, ele vive superlotado e é um centro para pacientes de alto risco, ou seja, não atende a proposta da Leide Morais. Caso a Leide Morais seja fechada, as pacientes precisarão se deslocar ao centro da cidade, tendo um problema de congestionamento e de maiores custos financeiros.

“O atendimento a essas pacientes seria, portanto, transferido para a Maternidade Municipal Dr. Araken Irerê Pinto. Parece ser o propósito que deve se encaminhar para a efetivação, caso não haja um posicionamento e reação da população. Quando a população não se manifesta sobre um problema, ele se torna realidade. O próprio Hospital Municipal de Natal foi desativado dessa forma”, disse o presidente do sindicato.

Além disso, há ainda a possibilidade de superlotação de outras unidades. “A população terá um grave prejuízo na área da obstetrícia, que já é carente. A maioria das cidades potiguares não faz partos normais, pois não há maternidades nelas. Isso é perigoso para as pacientes, porque são pessoas que precisam de atendimento célere, e essa questão deve ser resolvida”, relatou Geraldo Ferreira.

Na Maternidade Leide Morais, a maior parte do quadro é composto por profissionais terceirizados, vindos de cooperativas e empresas. “A nossa sugestão para a Prefeitura é fazer concurso imediatamente. O médico concursado terá estabilidade, terá um salário justo e não haverá atrasos. Até porque o terceirizado é apenas para complementar o quadro, e não para compor por completo. Não temos médicos porque não pagamos”, denunciou.

Para tentar mediar uma solução, o Sinmed-RN pediu uma audiência com o secretário de Saúde de Natal, George Antunes, que ainda não foi marcada. Foi solicitada também uma reunião com a Sociedade Norte-rio-grandense de Obstetrícia e a de Pediatria. “Queremos entender se eles sabem de alguma reação dos profissionais”. Para Geraldo Ferreira, “o poder público tem sido irresponsável no cuidado materno-infantil”.

Setor privado passa por situação crítica

A partir do dia 30 de novembro, a maternidade do Hospital Promater, localizada no bairro de Lagoa Nova, encerrará seus serviços, fechando assim, cerca de dez leitos de UTI neonatal e outros 20 leitos de alojamento conjunto para as mães. A empresa alega que o encerramento das atividades está “em acordo com o reposicionamento, que passa a focar em média e alta complexidade”.
Para Geraldo, esta é uma situação gravíssima. “Nós temos visto um aumento da precariedade materno-infantil, tanto no setor público quanto no privado. No público, por causa do fechamento das unidades e do atendimento em polos distantes. No privado, porque os hospitais estão preferencialmente se especializando em procedimentos de alta complexidade. Como os procedimentos de obstetrícia são pagos pelas tabelas dos planos de saúde, com valores baixos, há uma fuga dos hospitais desse tipo de atendimento. O que não é correto, que fique claro, porque a saúde é uma responsabilidade social”.

“As crianças e gestantes estão com dificuldades de atendimento em ambos os setores. As filas estão enormes e estou preocupado com a situação, porque em breve vamos ficar apenas com uma maternidade privada que não atende somente plano de saúde. Isso é de risco, porque podemos voltar a ter a situação de que a paciente procura e não tem leito para internamento. O movimento de fechamento na rede privada é crítico”. O presidente do Sinmed-RN informou que solicitou uma reunião com os planos de saúde para debater sobre a questão do pagamento, além de carência de leitos.