Pré-candidato a presidente da República nas Eleições Gerais de 2022 pelo Psol, o deputado federal Glauber Braga (Psol-RJ), visitou o Rio Grande do Norte em busca de apoio à sua pré-candidatura, neste fim de semana, quando participou de atividades partidárias nos municípios do Estado. Em entrevista exclusiva ao Agora RN, nesta segunda-feira 6, ele falou sobre a conivência no Congresso Federal na atual conjuntura política brasileira, que é possível derrotar o presidente Jair Bolsonaro nas urnas, sobre uma eventual aliança entre a legenda e o PT e criticou as Propostas de Emenda à Constituição (PEC) que estão sendo analisadas em Brasília.
Braga criticou a conjuntura política brasileira e disparou: “Hoje, o Congresso é formado por quem tem mais poder, pelo que há de pior na política brasileira. É uma relação entre extrema direita com latifúndio, política de morte e concentração de riqueza. Infelizmente, a qualidade e a representação que temos hoje na Câmara piorou muito. Então, terceirizar todas as nossas esperanças naquele quadrado institucional que é Câmara Federal, acaba sendo um equívoco, porque, infelizmente, estamos vivenciando a divisão do poder, por aqueles que nunca deveriam ter tido o mínimo de possibilidade concretizar seus planos”, disse.

O deputado falou sobre a polarização política que vive o país e como tem sido a atuação da oposição na Câmara federal, perante a essa divisão de ideias. Ele disse que, “temos buscado uma unidade de ações, do ponto vista institucional em espaço parlamentar de que jeito? Lá tem a liderança da oposição, da minoria, onde os partidos de oposição se reúne semanalmente, discutem as pautas e traçam suas táticas”.
E citou o exemplo do auxílio emergencial, “inicialmente Bolsonaro e Paulo Guedes mandaram uma proposta para o auxílio emergencial de R$200, nós da oposição, apresentamos uma solicitação de, pelo menos R$ 1 mil até o fim da pandemia, uma emenda da bancada feminina do Psol, garantiu que mulheres chefes de família pudessem receber R$ 1.200,00. O papel de um parlamentar de esquerda é não ficar refém só dessas articulação, e sim, se mobilizar com o povo, organizando e se organizando, em conjunto com a sociedade civil. Essas mobilizações populares que podem mudar esse jogo”, explicou.
Braga disse que o governo federal mente sobre a necessidade da aprovação da PEC dos Precatórios, que voltou para votação na Câmara após ser aprovada pelo Senado, para aumentar o valor do Auxílio Brasil. “É mentira. O governo federal tem mecanismos próprios, porque é a União que faz a emissão de moeda para garantir o orçamento desses recursos, diferente de um estado ou município ou de uma família, que eles tentam comparar. A União define o processo de arrecadação e distribuição de recursos. No início da pandemia, o governo disponibilizou um pacotão de mais de R$ 2 trilhões aos banqueiros, com a justificativa de dar liquidez ao sistema financeiro. Tem dinheiro sim”, falou.
E foi enfático ao afirmar que, “eles não dizem que parte dos recursos dos precatórios, são para custear o orçamento secreto, que é para beneficiar parlamentares da base do governo, para que tenham bilhões a disposição para garantirem m suas respectivas reeleições, e esses recurso levam o nome de Bolsonaro que tiverem fazendo essa política pelo país. Quem disse isso não fui eu, foi o delegado Valdir, um parlamentar ligado ao presidente que rompeu com ele e veio a público fazer essa denúncia. Ele disse que seria um dos beneficiados e deixou de ser depois que rompeu com governo”, garantiu o pré-candidato.
Braga acredita em derrota de Bolsonaro em 2022
Glauber Braga afirmou que, apesar da possibilidade de derrota do presidente Jair Bolsonaro nas eleições do próximo ano, é preciso dar continuidade no enfrentamento aos grupos de extrema direita que dão sustentação a ele. “Precisamos nos unir para derrotar Bolsonaro, que tem mais de 60% de rejeição. Na nossa avaliação, ter uma candidatura de esquerda com radicalidade política ajuda no processo de formação militante, que venha fazer esse enfrentamento ao bolsonarismo, não só para as eleições do ano que vem, mas para também em 2023. Não é de uma hora para outra que será possível mudar o que estamos vivenciando”, afirmou.
Sobre a possibilidade de uma eventual aliança entre PT e Psol, o pré-candidato à Presidência da República explicou que, se tiver um alinhamento da candidatura do ex-presidente Lula (PT) com alianças de setores que dão sustentação ao governo Bolsonaro, a tendência será os setores do Psol reavaliarem a sua posição para uma candidatura própria. “Dos 56% que adiarem essa definição pro ano que vem, já definiram majoritariamente a candidatura do Lula, já no primeiro turno, então a maioria do partido tem essa inclinação”, disse.
Escolhido por mais de 50 mil militantes do partido para concorrer à cadeira presidencial, durante o Congresso Nacional do Psol, em maio deste ano, Glauber Braga falou ainda sobre a ida de André Mendonça para o Supremo Tribunal Federal (STF). “É uma lástima. Não é difícil determinar quem tem a maioria, depende do tipo de pautas que venham ser apresentadas. Nas pautas do reacionário Bolsonaro, teoricamente, não tem maioria na pauta econômica da agenda ultraliberal de desmonte e privatizações, ele tem a maioria para aplicação dessa agenda. Eles estão tentando votar uma modificação legislativa para garantir que Bolsonaro possa indicar mais ministros com a alteração da PEC da Bengala”.