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Consumo

Sob pressão, estados congelam ICMS sobre combustíveis por 90 dias

Conselho de Política Fazendária aprova medida para tentar reduzir o impacto das altas nas refinarias repassadas pelos postos ao consumidor final
O Globo
29/10/2021 | 15:18

Pressionados pela alta do diesel e da gasolina, os estados decidiram, nesta sexta-feira, congelar o valor do ICMS cobrado sobre os combustíveis por 90 dias. Até 31 de janeiro de 2022, o valor do imposto não vai mudar, segundo decisão tomada pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz).

“O objetivo é colaborar com a manutenção dos preços nos valores vigentes em 1º de novembro de 2021 até 31 de janeiro de 2022”, diz trecho na nota do Confaz.

Sob pressão, estados congelam icms sobre combustíveis por 90 dias
No RJ, posto anuncia 'promoção' com gasolina a R$ 7,30 Foto: Fabio Rossi / Agência O Globo/26-10-2021

O ICMS sobre combustíveis é cobrado considerando uma média de 15 dias dos preços nos postos. Portanto, quando o valor do combustível sobe, o valor cobrado pelo estado também sobe mesmo que a alíquota se mantenha inalterada. A alíquota varia entre os estados.

Para tentar contornar um problema, a Câmara aprovou neste mês um projeto de lei que muda a forma como o imposto é calculado. Ele passa a ser um valor fixo sobre o litro (e não mais um preço variável), que não pode ser superior à média dos últimos dois anos.

O projeto ainda precisa ser votado pelo Senado. Caso o projeto avance, os estados calculam perdas anuais superiores a R$ 20 bilhões. O congelamento do ICMS agora representa, na prática, uma perda menor do que deixar o imposto ser alterado pelo Congresso.

O presidente Jair Bolsonaro critica recorrentemente o ICMS dos estados como responsável pela alta do preço dos combustíveis, o que sempre foi rechaçado pelos governadores.

No caso da gasolina, o preço médio do litro subiu 0,61% nas duas últimas semanas, passando de R$ 6,321 para R$ 6,36, de acordo com dados da Agência Nacional de Petróleo. É, assim, a décima segunda semana seguida entre altas e estabilidade nos preços. No ano, acumula avanço de 41,96%.

Em alguns estados do Brasil, a gasolina já é vendida a R$ 7,46, para a atual semana (17 a 23 de outubro). Oito estados já estão acima do patamar de R$ 7.

Segundo a ANP, o Rio Grande do Sul tem preço máximo de R$ 7,469 por litro de gasolina. Na lista, estão ainda Rio de Janeiro (R$7,399), Piauí (R$ 7,159), Paraná (R$ 7,090), Minas Gerais (R$ 7,099), Mato Grosso (R$ 7,047), Ceará (R$ 7,10) e Acre (R$ 7,30).

No diesel, a alta foi de 0,26% nas duas últimas semanas, passando de R$ 4,976 para R$ 4,983, destacou a ANP. No ano, a alta chega a 38,18% na bomba.

O gás de botijão (GLP, de 13 quilos) chegou a R$ 101,96, maior que os R$ 100,44 da semana passada. É uma alta de 1,51% na semana. No ano, o avanço chega a 36,4%, diz a ANP.