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Investigação

Estados se mobilizam para monitorar síndrome infantil que pode estar associada à Covid-19

Levantamento feito junto às secretarias estaduais de Saúde mostra que ao menos 14 Estados e o DF têm notificação confirmada ou suspeita do quadro inflamatório; doença rara ainda é pouco conhecida pelos médicos
Estadão
21/08/2020 | 11:45

Pelo menos 14 Estados e o Distrito Federal registram casos da síndrome que acomete crianças e adolescentes e pode estar relacionada à covid-19. Conforme levantamento feito pelo Estadão com as secretarias estaduais da Saúde, o Brasil contabiliza 144 pessoas identificadas com a condição ou com quadro suspeito e nove mortes, duas delas em análise. Diante dessa nova síndrome, sobre a qual ainda se estuda a relação com a covid-19, os Estados se mobilizam para fazer uma vigilância eficiente em saúde a fim de monitorar e notificar as ocorrências.

Os dados foram levantados pela reportagem entre 18 e 19 de agosto. Dos 22 Estados que responderam ao pedido da reportagem, Acre, Amazonas, Goiás, Mato Grosso, Rio Grande do Sul, Roraima e Tocantins informaram que, até agora, não têm registros da doença. Cinco secretarias não responderam ou a reportagem não conseguiu contato. Os números são diferentes daqueles divulgados pelo Ministério da Saúde no último balanço da pasta, que conta com informações até semana epidemiológica 30 (até 25 de julho).

Estados se mobilizam para monitorar síndrome infantil que pode estar associada à Covid-19 - Agora RN
Quadro descrito como síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica (SIM-P) pode afetar pessoas de 0 a 19 anos Foto: REUTERS/Gonzalo Fuentes

Em nota, a pasta informou que a atualização e divulgação dos números são semanais, mas até a noite desta quinta-feira, 20, não havia novos dados disponíveis. Isso também explica a diferença entre os dados compilados pelo Estadão e os do governo federal. Conforme o órgão, até julho, 71 casos tinham sido registrados nos Estados de Ceará (29), Rio (22), Pará (18) e Piauí (2), além de três óbitos no Rio. Mas o Ceará, por exemplo, reporta 41 casos e duas mortes.

“São informações de diferentes datas. Até a semana epidemiológica (SE) 30, que corresponde às notificações até 25 de julho de 2020, o Ceará contava com 29 registros de casos da síndrome, sendo 1 óbito. Já na SE 31, o Estado somava 41 casos, com 2 óbitos”, explicou o ministério. Os casos se repetem em outros Estados, até mesmo com números menores.

No Pará, o ministério informa que há 18 casos, mas a secretaria estadual reportou apenas 7, que constam no próprio sistema nacional. A pasta explicou que as 18 pessoas foram diagnosticadas no Instituto Evandro Chagas, unidade de referência no Estado, que segue com um estudo sobre essa síndrome inflamatória. “Na ocasião do período de estudo em que esses casos foram diagnosticados, ainda não havia o monitoramento sistemático nacional dos casos. Desta forma, esses casos ainda estão sendo inseridos no formulário nacional”, disse o ministério.

Doença passou pela Ásia e pela Europa

No fim de abril, países da Europa começaram a relatar um conjunto incomum de sintomas em crianças. Já no começo de maio, foi a vez de os Estados Unidos reportarem hospitalizações relacionadas ao quadro, que começa com febre e pode apresentar manchas vermelhas pelo corpo. O quadro descrito como síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica (SIM-P) pode afetar pessoas de 0 a 19 anos. A maioria dos casos conhecidos tem relação com o novo coronavírus, mas, por ora, as evidências são inconclusivas quanto à relação de causa e efeito. Tem-se uma relação temporal, em que a condição é identificada semanas após a contaminação, mesmo depois de uma boa evolução da covid-19.