Não são muitos times de futebol no Rio Grande do Norte que podem dizer que já tiveram grandes glórias. A concentração de torcedores fanáticos se dá, naturalmente, nos dois mais populares times da capital: ABC e América.
Contudo, espalhadas pelo Estado, estão histórias de clubes que já batalharam para se manter na elite do futebol e que hoje esperam – com otimismo – um retorno triunfante. O Potiguar Esporte Clube de Parnamirim é um desses clubes.

Fundado em 26 de maio de 1945, o Potiguar está perto de completar seu 74º aniversário. Apesar de não estar no mesmo patamar que clubes centenários como ABC e América, o Potiguar conquistou um grande espaço no coração dos torcedores parnamirinenses. É esse amor que o presidente do clube, Valério Santiago, deseja tanto trazer de volta.
“Joguei no Potiguar quando era garoto, plantei grama aqui e fui dirigente. Cheguei aqui em 1942. O Potiguar é um patrimônio histórico do município de Parnamirim e temos que levantá-lo”, afirmou Valério.
O clube fez sua estreia no Campeonato Potiguar no ano seguinte à sua fundação. Sua estada no torneio, todavia, foi curta. Em 1953, o Potiguar se licenciou de suas atividades, voltando apenas em 1962. O retorno ao torneio estadual se deu apenas dois anos depois. Era nessa época dourada que as grandes famílias de Parnamirim se reuniam no clube para se divertir em festas.
As décadas seguintes foram de novas tristezas para o clube. Mais uma vez o Potiguar precisou deixar a Federação de Futebol por não ter condições de sustentar seu plantel. O Avião de Parnamirim, como é conhecido carinhosamente por seus adeptos, só voltou em 2001, quando Valério Santiago assumiu a direção da equipe.

O estádio do Potiguar é conhecido como Gonzagão, em homenagem a um de seus fundadores, o tenente Luiz Gonzaga. Ele tem capacidade para 3 mil pessoas e fica localizado na avenida Comandante Petit, no Centro da cidade.
O presidente do clube alvirrubro explica que foi uma luta constante tentar manter o Potiguar nas competições oficiais do Rio Grande do Norte. Uma batalha que nem sempre foi vencida.
“Criamos a sede, ajeitamos o gramado e ficamos aptos a voltar à Federação. Quando deixei a presidência do clube pela primeira vez, o deixei na segunda divisão e com uma boa estrutura e equipamentos. Mas quando retornei ao clube, o Potiguar não estava tão bem”, lamentou.
A esperança atual jaz em um grupo de simpatizantes do Potiguar da década de 1980, que se reuniu com a direção para planejar o levantamento de uma nova sede para o clube. Uma das estratégias é a criação de um campo de futebol society para arrecadar mais dinheiro.
“Não temos condições de fazer isso sozinhos. Precisamos de ajuda”, contou o presidente da equipe. “Para colocar o time de volta à Federação, seria necessário de R$ 70 a R$ 100 mil. Além disso seria um campeonato de apenas três meses. Depois disso os jogadores iriam embora e o que restaria para o município? Nada”.
Ao vencer o Torneio Seletivo de 2002, promovido pela Prefeitura de Parnamirim, o Potiguar voltou à elite onde permaneceu até 2008, ano em que foi rebaixado para a segunda divisão. Logo em seguida, um novo golpe: pela terceira vez em sua história, o clube alvirrubro não conseguiu se aguentar financeiramente e parou de disputar partidas oficiais – o que se estende até hoje.
O Potiguar, segundo Valério, é sustentado hoje por suas dezenas de sócios que vêm jogar no estádio em torneios não-oficiais. Segundo Valério, ao todo são cerca de 90 sócios, porém, 30% estão inadimplentes com o clube.
Os títulos são poucos: além do Torneio Seletivo de 2002, ganhou apenas o Torneio Municipal de Natal de 1948. Porém a história e os frutos dela dão bastante orgulho aos dirigentes e torcedores do persistente clube parnamirinense, que ainda não desistiu de tomar de volta o seu lugar na elite do Campeonato Potiguar.
“Enquanto eu for vivo, estarei defendendo o Potiguar”, concluiu Valério Santiago.