BUSCAR
BUSCAR
Retomada

Corretores de imóveis partem para negócio próprio com a crise no setor imobiliário

Com imobiliárias fechando, pelo menos entre quatro a cinco com alguma tradição, profissionais autônomos de organizam em grupos, invertendo uma tendência do mercado
Marcelo Hollanda
07/11/2017 | 17:07

A crise que se abateu sobre o setor imobiliário de Natal, que já foi um dos mais prósperos do País, parece não ter afugentado a vontade nem a confiança de quem trabalha no segmento.

Pelo menos é o que revelam dados do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Rio Grande do Norte (CRECI/RN), obtidos pelo portal Agora RN.

Corretores de imóveis partem para negócio próprio com a crise no setor imobiliário - Agora RN

Em 2015, quando começaram as dificuldades do setor, o número de corretores associados era de 4.995 pessoas físicas e 743 pessoas jurídicas.

Em 2016, esse número passou para 5.251 pessoas físicas e 779 pessoas jurídicas. Em novembro de 2017, 5.545 pessoas físicas e 816 pessoas jurídicas.

Segundo a mesma fonte, o número de corretores ativos é de 3.551 (pessoas físicas) e 481 (pessoas jurídicas). Para Roberto Peres, vice-presidente do CRECI/RN, esse foi o resultado de um comportamento muito peculiar do setor que envolve, ao mesmo tempo, preocupação e uma boa dose de esperança.

Muitos corretores, que são profissionais liberais (ou seja , recebem quando produzem) deixaram a condição de pessoas físicas para se juntarem em grupos e abrirem seu próprio negócio como pessoas jurídicas.

Mas para que isso acontecesse, houve motivos. Pelo menos entre quatro a cinco imobiliárias com alguma tradição no mercado e um número impreciso – mas elevado – de pequenas empresas do setor já fecharam as portas em Natal de 2016 para cá por conta da retração dos negócios provocada pela crise econômica.

Um dos exemplos é o da Remax Brasil, a maior rede de imobiliários do mundo, criada nos EUA, que chegou a ter 15 franquias na cidade entre 2010/2011 e está reduzida a duas.

Não é possível saber quantas demissões as imobiliárias registraram com a retração do mercado que já foi um dos mais prósperos do país. Sabe-se, porém, que empreendimentos lançados há quatro ou cinco anos ainda continuam com unidades na prateleira, gerando despesa para as construtoras que pagam o condomínio e o IPTU desses imóveis sem donos.

Para Roberto Peres, de concreto, há quatro anos o mercado de Natal e região metropolitana não vê um lançamento.
“Houve, sim, alguma coisa saindo do programa “Minha Casa, Minha Vida”, mas lançamento de um empreendimento nos moldes que conhecemos de uma incorporação, com estratégia de venda e tudo mais, não”, assegura.

Segundo o presidente do Sindicado da Construção do RN (SECOVI), Renato Gomes Netto, “houve, de fato, muito enxugamento nos quadros de pessoal e remanejamento em equipes em quase todas as empresas do setor.

O maior impacto, porém, foi sobre os corretores como categoria profissional, que precisaram se movimentar para se manter ativos ou mudar de ramo.

Para ele, a decisão da Caixa Econômica, tomada em setembro último, de reduzir o financiamento dos imóveis usados para 50%, apavorou as empresas e os corretores de maneira geral, uma vez que os usados representam entre 25% a 30% dos negócios.

Sem lançamentos de novos empreendimentos há dois anos – que representam 70% dos negócios do setor -, com exceção de um ou outro condomínio horizontal, os negócios seguem semiparalisados, na percepção de Ricardo Abreu, da Abreu Brookers.

Segundo o empresário, o mercado imobiliário de Natal, que já teve um dos metros quadrados construídos mais caros do Brasil, exibe hoje uma situação diametralmente oposta com um dos metros quadrados mais baratos – por volta de R$ 3,5 mil.

Outras fontes do mercado dizem que esse metro quadrado médio em regiões mais nobres é de R$ 4,5 mil e RS$ 5,5 mil. Mesmo assim, a consenso em torno de uma queda nos valores dos imóveis novos foi de 25% este ano.

Mas já começa a aparecer uma luz no fim do túnel.

Roberto Peres, vice-presidente do CRECI local, garante que já há consultas por parte de grandes construtoras para a prospecção de terrenos, o que é um ótimo sinal. “Significa que as apostas do mercado estão melhorando para o ano quer vem quando há boas chances da economia brasileira reagir”.

Contudo, mudanças devem ser feitas a partir de decisões importantes da atualização do Plano Diretor de Natal e de alguns anacronismos que precisam ser corrigidos.

Entre eles, a eterna dificuldade na aprovação de projetos junto aos órgãos competentes, que continua sendo de aproximadamente um ano. Já foi mais há muitos anos, mas deveria ser bem menos hoje em dia.