O Conselho Monetário Nacional aprovou uma nova linha de crédito voltada às companhias aéreas, em resposta à pressão recente sobre os custos do setor, especialmente com combustíveis. A medida permite que empresas de transporte aéreo doméstico acessem financiamento para capital de giro, com foco na manutenção das operações no curto prazo.
Os recursos serão provenientes do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC) e repassados por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ou por instituições financeiras habilitadas. A linha terá prazo total de até cinco anos, com carência de até um ano para início do pagamento do principal e custo básico de 4% ao ano, acrescido das taxas bancárias.
De acordo com o Ministério da Fazenda, o modelo busca oferecer fôlego financeiro às empresas em um momento de pressão sobre o caixa, permitindo a cobertura de despesas operacionais como salários, fornecedores e compromissos imediatos. A expectativa é reduzir o risco de interrupções na oferta de voos e evitar reajustes abruptos nas tarifas.
A estrutura da linha prevê que o risco das operações fique com as instituições financeiras, sem garantia do governo federal. Caberá aos bancos a análise de crédito das empresas interessadas, o que limita impactos diretos sobre as contas públicas, ainda que utilize recursos de um fundo setorial.
O setor aéreo tem enfrentado aumento relevante nos custos operacionais, com destaque para o combustível, um dos principais componentes das despesas. Esse cenário tem pressionado margens e ampliado a necessidade de capital de giro, em um ambiente de recuperação ainda desigual da demanda.
A nova linha também tem como objetivo preservar a oferta de transporte aéreo no país, evitando cancelamentos e garantindo maior previsibilidade ao setor. Embora não haja efeito direto sobre os preços das passagens, o governo aposta que o acesso a crédito mais barato pode reduzir a necessidade de repasses imediatos ao consumidor.
A medida entra em vigor após sua publicação oficial. O CMN é presidido pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, e conta ainda com a participação do presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, e do ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti.