O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria contado com a ajuda do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para deixar o Brasil depois da derrota na eleição presidencial de domingo 25. Segundo reportagem do jornal americano The New York Times, a aeronave particular utilizada pelo parlamentar e sua família para chegar a Miami foi providenciada por Jason Miller, funcionário da área de comunicação da Casa Branca. O deslocamento ocorreu na noite de terça-feira 27, com partida da Argentina, uma escala no Equador para reabastecimento e destino final nos Estados Unidos.
De acordo com a publicação, a operação para retirar Flávio do território brasileiro começou a ser organizada na segunda-feira 26, depois que o senador recebeu a determinação de entregar seus passaportes. A medida cautelar havia sido imposta no domingo pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O jornal relata que o ex-deputado Eduardo Bolsonaro procurou Jason Miller assim que seu irmão foi intimado a apresentar os documentos às autoridades.

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O New York Times também informou que o senador deverá solicitar autorização para residir permanentemente nos Estados Unidos, por meio do chamado green card. Uma fonte do governo americano afirmou ao jornal que o procedimento poderá ter tramitação acelerada, nos moldes do tratamento concedido anteriormente a Eduardo Bolsonaro. Em condições normais, a obtenção da residência permanente ocorre após a concessão de um visto de imigrante.
Nesta quinta-feira 29, Donald Trump voltou a comentar o resultado das eleições brasileiras ao conversar com jornalistas antes de seguir para um comício eleitoral. Foi a 5ª vez que ele falou do assunto desde domingo. O presidente americano afirmou ter acompanhado a disputa, criticou o processo eleitoral e mencionou a reação do mercado financeiro.
“Acompanhei as eleições. Não tomei partido, mas vi o que estava acontecendo no Brasil, foi uma vergonha. O mercado falou isso. Olha como o mercado reagiu”, declarou Trump.
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Questionado sobre a possibilidade de procurar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para cumprimentá-lo pela reeleição, Trump respondeu afirmativamente. Apesar disso, voltou a classificar a eleição brasileira como “uma vergonha”. O republicano também disse que não havia apoiado nenhum dos candidatos “a pedido de Lula”.

Ajuda de empresários e aliados
Enquanto surgem informações sobre o deslocamento internacional de Flávio Bolsonaro, a Polícia Federal trabalha para reconstruir o caminho percorrido pelo senador desde Brasília até a fronteira com a Argentina. Os investigadores procuram esclarecer como ele chegou a Foz do Iguaçu, no Paraná, e se recebeu apoio financeiro ou logístico de empresários e integrantes de seu grupo político.
Embora o trajeto posterior à entrada em território argentino já tenha sido identificado, permanecem dúvidas sobre a saída da capital federal. Uma das hipóteses examinadas é que Flávio tenha viajado de carro até Foz do Iguaçu, percurso que pode levar aproximadamente 20 horas.
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Um dos elementos analisados pela investigação é a movimentação de veículos ligados ao senador. Na segunda-feira, por volta das 19h50, o comboio habitualmente utilizado por Flávio em Brasília deixou o condomínio onde ele reside. Até o momento, porém, não há informações confirmadas sobre quem ocupava os automóveis naquela ocasião.
A Polícia Federal também considera a possibilidade de o parlamentar ter utilizado uma aeronave particular para chegar ao Paraná. Nesse cenário, o embarque poderia ter ocorrido em algum aeródromo ou pista de pouso localizada em propriedades rurais do Distrito Federal ou de municípios próximos. Uma terceira linha de apuração contempla a combinação de deslocamentos terrestres e aéreos.
Situação do senador
Flávio Bolsonaro é investigado em um inquérito da Polícia Federal que apura suspeitas de lavagem de dinheiro. O procedimento também alcança o advogado Willer Tomaz, amigo do senador, que está nos Estados Unidos desde agosto.
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Apesar de ter deixado o Brasil após a determinação judicial para entrega de seus passaportes, Flávio ainda é tratado formalmente como investigado, e não como foragido. A apuração sobre sua saída do país busca esclarecer as circunstâncias em que o senador deixou o território nacional sem cumprir a medida cautelar estabelecida pelo STF, além de identificar possíveis participantes da operação.