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Política

Edinho anuncia mudanças no PT após reeleição de Lula

Presidente do partido defende reorganização interna, mobilização permanente da militância e participação popular no próximo governo
Agora RN
29/10/2026 | 17:15

O PT passará por uma reorganização após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo o presidente nacional da legenda, Edinho Silva. O dirigente, eleito deputado federal por São Paulo, afirmou que pretende enfrentar divergências internas e manter a militância mobilizada durante o próximo mandato.

As declarações foram dadas em entrevista publicada nesta quinta-feira 29. Edinho defendeu o fortalecimento da identidade política do partido, a superação de disputas entre lideranças e uma participação maior da sociedade nas decisões do governo.

Edinho Silva fala ao microfone diante de painel vermelho com identificação do Partido dos Trabalhadores
Edinho Silva, presidente nacional do PT, foi eleito deputado federal por São Paulo — Foto: Reprodução

“O PT passará por mudanças profundas. Administramos contradições até agora por conta da campanha do Lula. Daqui para a frente, a gente tem que entender que essas contradições serão superadas”, declarou, ao comentar os conflitos internos e as críticas à atuação de integrantes da legenda na campanha presidencial.

Reorganização interna

Edinho afirmou que a atuação partidária deve priorizar interesses coletivos. Ao cobrar o comportamento das lideranças, rejeitou a utilização da sigla para atender a ambições individuais.

“O PT não vai ser um amontoado de projetos pessoais, não vai ser instrumento de enriquecimento pessoal. O PT é um instrumento de luta da classe trabalhadora brasileira e é isso que ele vai ser”, disse.

Segundo o dirigente, Lula apoia a reorganização. “Nós vamos fazer as mudanças que o partido precisa, porque essa é a vontade e a orientação do presidente”, afirmou.

Embora não tenha apresentado as alterações que serão adotadas, Edinho indicou que a direção pretende resolver conflitos que foram administrados durante a disputa eleitoral e permaneceram sem solução.

Militância mobilizada

A manutenção da mobilização dos movimentos sociais e da militância será uma das prioridades. Para Edinho, o partido reduziu sua presença junto à sociedade depois da eleição de 2022 e precisa evitar que isso volte a ocorrer.

“Não podemos cometer o mesmo erro de 2022, quando o PT se desmobilizou e a gente abriu brecha política para ver aquilo que nós vimos. A sociedade tem que entender que a democracia continua sendo atacada”, declarou.

O presidente do PT também reafirmou a posição contrária da legenda à anistia dos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023.

Para organizar a atuação permanente da base, Edinho anunciou uma reunião da Executiva Nacional com representantes de movimentos sociais. A intenção é ampliar a participação dessas organizações tanto na elaboração quanto na defesa das propostas do governo.

Congresso e participação

A direção petista pretende associar as negociações com o Congresso Nacional à mobilização da sociedade em torno de mudanças legislativas. Edinho citou como prioridades reformas nos sistemas político, eleitoral e judiciário, além do aprofundamento das medidas de redistribuição de renda.

“Vamos governar com um amplo diálogo com o Congresso, mas também com muita mobilização social para disputar a agenda do Congresso”, afirmou.

O dirigente também defendeu mudanças na relação do Executivo com a população. “Precisamos mudar nossa forma de governabilidade, instituindo instrumentos de participação popular.”

Sobre a formação do próximo governo, Edinho afirmou que o PT está disposto a negociar com outros partidos. Ressaltou, porém, que os acordos precisam estar sustentados no compromisso com o programa presidencial.

“O PT vai estar aberto a todas as conversas necessárias para construir a base de sustentação política para o próximo governo”, declarou. Segundo ele, a composição deverá ter como princípio a lealdade ao projeto do quarto mandato de Lula.

Sucessão em 2030

A reorganização também faz parte da preparação para a eleição presidencial de 2030, quando o partido precisará escolher um representante para dar continuidade ao projeto político liderado por Lula.

Edinho não antecipou nomes. Na avaliação dele, a formação de uma nova liderança dependerá da capacidade de fortalecer o PT em todo o país.

“O PT é o maior legado do presidente Lula. Se o partido estiver forte, organizado nacionalmente e em sintonia com os anseios do povo brasileiro, essa liderança vai emergir naturalmente”, afirmou.

Ao avaliar o resultado eleitoral, o dirigente destacou o desempenho da legenda na região Nordeste. “O PT do Nordeste é extremamente vitorioso nesse processo”, declarou.

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