BUSCAR
BUSCAR
Repercussão

Rogério Marinho diz que não há provas de fraude eleitoral e chama carta de Flávio de “desabafo”

Coordenador da campanha presidencial do PL atribui mudança no documento a possível falha de elaboração e afirma esperar que não haja intervenção estrangeira
Agora RN
29/10/2026 | 10:03

O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado e coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmou na quarta-feira 28 que não há provas para sustentar a acusação de fraude eleitoral feita pelo aliado. Em entrevista coletiva no Senado, em Brasília, classificou a carta divulgada por Flávio após chegar aos Estados Unidos como um desabafo diante da derrota nas urnas.

“O PL não pode fazer essa afirmação, nem eu posso fazer essa afirmação, porque não há provas nesse sentido”, declarou, ao ser questionado sobre as acusações contra a eleição vencida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Rogério Marinho, de terno escuro e gravata, fala ao microfone na tribuna do Senado com uma das mãos levantadas
Rogério Marinho discursa na tribuna do Senado, em foto de arquivo — Foto: Edilson Rodrigues/Senado

Marinho também comentou as mudanças nas versões da carta publicada por Flávio. No primeiro texto, o candidato derrotado se apresentou como o “verdadeiro presidente eleito do país”. Cerca de meia hora depois, o documento foi apagado e substituído por uma versão em que passou a se definir como “líder do Brasil”.

“Acredito que deve ter havido algum problema na confecção da carta”, disse Marinho. O senador afirmou que considera definitiva a versão disponível no perfil do aliado no X, antigo Twitter, e defendeu sua posição como liderança política.

“De fato, Flávio, pelo número de votos que teve, pelo papel que desempenhou nas últimas eleições, é hoje a maior expressão da direita no Brasil”, afirmou.

Na avaliação de Marinho, a manifestação expressa a reação de Flávio ao resultado do segundo turno, realizado no domingo 25. O senador potiguar usou o termo “exilado” para descrever a situação do aliado, que deixou o Brasil com a família e se instalou nos Estados Unidos.

Flávio desembarcou em Miami na manhã de quarta-feira 28, acompanhado da esposa e das duas filhas, após passar pela Argentina e pelo Equador. A viagem ocorreu apesar da decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes que o proibiu de deixar o Brasil e determinou a entrega de seus passaportes à Polícia Federal (PF).

Na carta, Flávio anunciou que pretende organizar a oposição ao governo Lula a partir do exterior. Disse que assumirá riscos que, segundo ele, os parlamentares aliados não poderiam correr no Brasil.

“Na verdade, é o que ele pode fazer. Porque aqui no Brasil é impossível, pelo menos pelos sinais que estavam sendo demonstrados, que ele pudesse exercer esse papel”, afirmou Marinho, ao defender a atuação política do aliado nos Estados Unidos.

O senador também foi questionado sobre a declaração do presidente americano, Donald Trump, de que não pretende se envolver na questão. Marinho disse que Trump pode opinar sobre política internacional, mas afirmou que os problemas brasileiros devem ser resolvidos pelo próprio país.

“Eu espero que não haja nenhuma intervenção no processo interno do Brasil”, declarou.

A contestação de Flávio inclui críticas à decisão do ministro do STF Cristiano Zanin que autorizou a extensão do horário de votação até as 19h em seções que permaneciam abertas. As campanhas do PL e do PT haviam solicitado a ampliação do prazo.

As acusações foram feitas sem apresentação de provas. O resultado da eleição foi reconhecido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pela Organização dos Estados Americanos (OEA) e pelo próprio PL.

No documento, Flávio também apontou Marinho como seu candidato à presidência do Senado. O PL deve discutir a candidatura do parlamentar potiguar em reunião no dia 4 de novembro.

Leia mais

NOTÍCIAS RELACIONADAS