Em mais de 136 anos de República, o Brasil atravessou eleições diretas e indiretas, revoluções, golpes, duas ditaduras, renúncias, mortes, impeachments e períodos de redemocratização. De Deodoro da Fonseca a Luiz Inácio Lula da Silva, a Presidência da República foi ocupada por militares, juristas, fazendeiros, professores, engenheiros, médicos, sindicalistas e a primeira mulher eleita para o cargo.
Este especial do Agora RN reúne todos os presidentes que exerceram a função desde 15 de novembro de 1889. A cronologia inclui vice-presidentes e autoridades que assumiram interinamente, além das juntas governativas de 1930 e 1969. Em um quadro separado, aparecem os eleitos que não chegaram a tomar posse.

Como ler esta lista
A numeração oficial acompanha os períodos presidenciais, por isso um mesmo nome pode aparecer mais de uma vez. Getúlio Vargas governou em duas fases, enquanto Lula foi o 35º presidente e voltou ao Planalto como o 39º. A relação abaixo prioriza quem efetivamente exerceu o cargo, com as datas das passagens pelo poder.
Da Proclamação à Revolução de 1930
Os dois primeiros presidentes eram marechais. A partir de Prudente de Morais, em 1894, civis passaram a comandar o país. A Primeira República ficou marcada pelo peso das oligarquias estaduais e terminou com a deposição de Washington Luís.

- Deodoro da Fonseca — 15 de novembro de 1889 a 23 de novembro de 1891. Chefiou o governo provisório e, depois, foi eleito indiretamente pelo Congresso;
- Floriano Peixoto — 23 de novembro de 1891 a 15 de novembro de 1894. Vice de Deodoro, assumiu após a renúncia do titular;
- Prudente de Morais — 15 de novembro de 1894 a 15 de novembro de 1898. Foi o primeiro civil a presidir o país;
- Campos Sales — 15 de novembro de 1898 a 15 de novembro de 1902;
- Rodrigues Alves — 15 de novembro de 1902 a 15 de novembro de 1906;
- Afonso Pena — 15 de novembro de 1906 a 14 de junho de 1909. Morreu durante o mandato;
- Nilo Peçanha — 14 de junho de 1909 a 15 de novembro de 1910. Era vice de Afonso Pena;
- Hermes da Fonseca — 15 de novembro de 1910 a 15 de novembro de 1914;
- Venceslau Brás — 15 de novembro de 1914 a 15 de novembro de 1918;
- Delfim Moreira — 15 de novembro de 1918 a 28 de julho de 1919. Assumiu porque Rodrigues Alves, eleito para novo mandato, adoeceu antes da posse e morreu em janeiro de 1919;
- Epitácio Pessoa — 28 de julho de 1919 a 15 de novembro de 1922;
- Artur Bernardes — 15 de novembro de 1922 a 15 de novembro de 1926;
- Washington Luís — 15 de novembro de 1926 a 24 de outubro de 1930. Foi deposto pela Revolução de 1930;
- Junta Governativa de 1930 — 24 de outubro a 3 de novembro de 1930, formada pelos generais Augusto Tasso Fragoso e João de Deus Mena Barreto e pelo almirante Isaías de Noronha.

A Era Vargas e a reorganização do Estado
Getúlio Vargas chegou ao poder com a Revolução de 1930. Governou provisoriamente, foi eleito de forma indireta em 1934 e permaneceu após o golpe que criou o Estado Novo, em 1937. Deposto em 1945, voltaria seis anos depois pelo voto direto.
- Getúlio Vargas — 3 de novembro de 1930 a 29 de outubro de 1945. O período reuniu o Governo Provisório, a fase constitucional e a ditadura do Estado Novo;
- José Linhares — 29 de outubro de 1945 a 31 de janeiro de 1946. Presidente do Supremo Tribunal Federal, conduziu a transição após a deposição de Vargas;
- Eurico Gaspar Dutra — 31 de janeiro de 1946 a 31 de janeiro de 1951;
- Getúlio Vargas — 31 de janeiro de 1951 a 24 de agosto de 1954. Eleito pelo voto direto, morreu por suicídio no exercício do cargo;
- Café Filho — 24 de agosto de 1954 a 8 de novembro de 1955. Vice de Vargas, afastou-se por problemas de saúde;
- Carlos Luz — 8 a 11 de novembro de 1955. Presidente da Câmara, permaneceu três dias no cargo;
- Nereu Ramos — 11 de novembro de 1955 a 31 de janeiro de 1956. Presidiu a transição até a posse de Juscelino Kubitschek.
De JK ao golpe de 1964
A construção de Brasília simbolizou o governo Juscelino Kubitschek. Depois dele, a renúncia de Jânio Quadros abriu uma crise sobre a posse do vice João Goulart. A solução parlamentarista durou até 1963, quando um plebiscito restaurou os poderes presidenciais.

- Juscelino Kubitschek — 31 de janeiro de 1956 a 31 de janeiro de 1961;
- Jânio Quadros — 31 de janeiro a 25 de agosto de 1961. Renunciou após sete meses;
- Ranieri Mazzilli — 25 de agosto a 7 de setembro de 1961. Presidente da Câmara, assumiu interinamente enquanto João Goulart retornava ao país;
- João Goulart — 7 de setembro de 1961 a 2 de abril de 1964. Foi deposto pelo golpe militar;
- Ranieri Mazzilli — 2 a 15 de abril de 1964. Voltou a ocupar interinamente a Presidência.
Os presidentes da ditadura militar
Entre 1964 e 1985, os presidentes foram escolhidos sem voto popular direto. O período começou sob a justificativa de transição e se transformou em uma ditadura marcada por cassações, censura, repressão e violações de direitos humanos. A abertura política avançou a partir do fim dos anos 1970.
- Humberto Castelo Branco — 15 de abril de 1964 a 15 de março de 1967;
- Artur da Costa e Silva — 15 de março de 1967 a 31 de agosto de 1969. Foi afastado após sofrer um derrame;
- Junta Militar de 1969 — 31 de agosto a 30 de outubro de 1969, formada por Augusto Rademaker, Aurélio de Lyra Tavares e Márcio de Souza e Mello. Impediu a posse do vice Pedro Aleixo;
- Emílio Garrastazu Médici — 30 de outubro de 1969 a 15 de março de 1974;
- Ernesto Geisel — 15 de março de 1974 a 15 de março de 1979;
- João Figueiredo — 15 de março de 1979 a 15 de março de 1985. Foi o último presidente do regime militar.
A Nova República e o retorno do voto direto
Tancredo Neves foi eleito indiretamente em janeiro de 1985, mas adoeceu na véspera da posse e morreu sem assumir. José Sarney iniciou a Nova República. A Constituição de 1988 restabeleceu as bases democráticas, e a eleição direta para presidente voltou em 1989.

- José Sarney — 15 de março de 1985 a 15 de março de 1990. Vice eleito na chapa de Tancredo, assumiu a Presidência;
- Fernando Collor — 15 de março de 1990 a 29 de dezembro de 1992. Primeiro eleito diretamente desde 1960, foi afastado durante o processo de impeachment e renunciou antes do julgamento final;
- Itamar Franco — presidente em exercício de 2 de outubro a 29 de dezembro de 1992 e titular de 29 de dezembro de 1992 a 1º de janeiro de 1995;
- Fernando Henrique Cardoso — 1º de janeiro de 1995 a 1º de janeiro de 2003. Foi o primeiro a conquistar a reeleição consecutiva, após a mudança constitucional de 1997;
- Luiz Inácio Lula da Silva — 1º de janeiro de 2003 a 1º de janeiro de 2011, em dois mandatos consecutivos;
- Dilma Rousseff — 1º de janeiro de 2011 a 31 de agosto de 2016. Primeira mulher eleita presidente, foi afastada provisoriamente em maio de 2016 e perdeu o cargo após o impeachment;
- Michel Temer — presidente em exercício de 12 de maio a 31 de agosto de 2016 e titular de 31 de agosto de 2016 a 1º de janeiro de 2019;
- Jair Bolsonaro — 1º de janeiro de 2019 a 1º de janeiro de 2023;
- Luiz Inácio Lula da Silva — desde 1º de janeiro de 2023. Voltou ao Planalto para um terceiro mandato não consecutivo.

Os eleitos que não chegaram a tomar posse
Três nomes aparecem com frequência em listas presidenciais, embora não tenham iniciado o mandato para o qual foram eleitos:
- Rodrigues Alves — venceu a eleição de 1918 para um segundo mandato, mas adoeceu antes da posse e morreu em janeiro de 1919;
- Júlio Prestes — venceu a eleição de 1930, mas a Revolução de 1930 impediu sua posse;
- Tancredo Neves — eleito pelo Colégio Eleitoral em 1985, foi internado na véspera da posse e morreu em 21 de abril daquele ano.
Quem voltou ao Planalto
Getúlio Vargas e Lula são os dois presidentes que retornaram ao cargo depois de deixar o poder. Vargas governou de 1930 a 1945 e voltou eleito em 1951. Lula cumpriu dois mandatos entre 2003 e 2010 e iniciou o terceiro em 2023. Rodrigues Alves também foi eleito para retornar, mas não conseguiu tomar posse.

Por que as listas podem apresentar números diferentes
Algumas relações contam apenas pessoas que tomaram posse; outras destacam cada mandato presidencial. Há ainda listas que incluem eleitos sem posse ou tratam juntas militares de maneira distinta. A Biblioteca da Presidência organiza a galeria oficial por períodos de governo. Este especial segue a cronologia de quem exerceu a chefia do Poder Executivo e registra à parte os eleitos impedidos de assumir.
Fontes: Biblioteca da Presidência da República, Arquivo Nacional, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Câmara dos Deputados e Tribunal Superior Eleitoral. As datas foram confrontadas com registros oficiais dos mandatos.