Às vésperas de escolher quem comandará o Rio Grande do Norte pelos próximos quatro anos, o Agora RN volta ao início da República para relembrar todos os nomes que já ocuparam o principal cargo do Executivo estadual. A história começa em 17 de novembro de 1889, dois dias depois da Proclamação da República, e chega ao governo de Fátima Bezerra.
A relação é maior do que a sucessão de governadores eleitos. Ela inclui administradores provisórios, vice-governadores que assumiram o cargo, interventores nomeados pelo governo federal e uma junta governativa. Nos primeiros anos republicanos, as mudanças foram tão frequentes que o Estado passou por 13 administrações provisórias até 28 de fevereiro de 1892.

Por que alguns eram chamados de presidentes do Estado
Durante a Primeira República, o chefe do Executivo potiguar era oficialmente chamado de presidente do Estado. A denominação governador se consolidou mais tarde. Para facilitar a leitura, este especial usa “governador” como termo geral, mas preserva as diferenças entre eleitos, nomeados, interinos e interventores.

A instabilidade dos primeiros anos: 1889 a 1892
Pedro Velho de Albuquerque Maranhão instalou o regime republicano no Rio Grande do Norte em 17 de novembro de 1889. Permaneceu apenas 19 dias no cargo. A partir dali, nomeações federais, disputas entre grupos republicanos e os efeitos da crise que levou à renúncia do presidente Deodoro da Fonseca produziram uma sucessão acelerada.
- Pedro Velho de Albuquerque Maranhão — 17 de novembro a 6 de dezembro de 1889;
- Adolfo Afonso da Silva Gordo — 6 de dezembro de 1889 a 8 de fevereiro de 1890;
- Jerônimo Américo Raposo da Câmara — 8 de fevereiro a 10 de março de 1890;
- Joaquim Xavier da Silveira Júnior — 10 de março a 19 de setembro de 1890;
- Pedro Velho de Albuquerque Maranhão — 19 de setembro a 8 de novembro de 1890;
- João Gomes Ribeiro — 8 de novembro a 7 de dezembro de 1890;
- Manuel do Nascimento Castro e Silva — 7 de dezembro de 1890 a 3 de março de 1891;
- Francisco Amintas da Costa Barros — 3 de março a 13 de junho de 1891;
- José Inácio Fernandes Barros — 13 de junho a 6 de agosto de 1891;
- Francisco Gurgel de Oliveira — 6 de agosto a 9 de setembro de 1891;
- Miguel Joaquim de Almeida Castro — 9 de setembro a 28 de novembro de 1891;
- Junta Governativa — 28 de novembro de 1891 a 22 de fevereiro de 1892, formada por Francisco de Lima e Silva, Manuel do Nascimento Castro e Silva e Joaquim Ferreira Chaves;
- Jerônimo Américo Raposo da Câmara — 22 a 28 de fevereiro de 1892.
Oligarquias e mandatos mais longos: 1892 a 1930
A posse de Pedro Velho em fevereiro de 1892 abriu uma fase de maior estabilidade institucional. Famílias e grupos políticos ligados às oligarquias estaduais dominaram a sucessão. Alberto Maranhão, irmão de Pedro Velho, chegou ao governo aos 27 anos e permanece como o mais jovem a assumir o cargo na história potiguar.
- Pedro Velho de Albuquerque Maranhão — 1892 a 1896;
- Joaquim Ferreira Chaves — 1896 a 1900;
- Alberto Maranhão — 1900 a 1904;
- Augusto Tavares de Lyra — 1904 a 1906;
- Manuel Moreira Dias — 1906 a 1907;
- Antônio José de Melo e Sousa — 1907 a 1908;
- Alberto Maranhão — 1908 a 1914;
- Joaquim Ferreira Chaves — 1914 a 1920;
- Antônio José de Melo e Sousa — 1920 a 1924;
- José Augusto de Medeiros — 1924 a 1928;
- Juvenal Lamartine de Faria — 1928 a 5 de outubro de 1930;
- Junta revolucionária — 6 a 12 de outubro de 1930, formada por Luís Tavares Guerreiro, Abelardo Torres Castro e Júlio Perouse Pontes.
Interventores e Estado Novo: 1930 a 1945
A Revolução de 1930 encerrou a autonomia política da Primeira República. Getúlio Vargas dissolveu os governos estaduais e passou a nomear interventores. Rafael Fernandes foi eleito indiretamente em 1935 e permaneceu no cargo como interventor depois do golpe do Estado Novo, em 1937.
- Irineu Joffily — 1930 a 1931;
- Aluísio de Andrade Moura — janeiro a julho de 1931;
- Herculino Cascardo — 1931 a 1932;
- Antônio José de Melo e Sousa — fevereiro a junho de 1932;
- Bertino Dutra da Silva — 1932 a 1933;
- Mário Leopoldo Pereira da Câmara — 1933 a 1935;
- Liberato da Cruz Barroso — 27 a 29 de outubro de 1935;
- Rafael Fernandes Gurjão — 1935 a 1943;
- Antônio Fernandes Dantas — 1943 a agosto de 1945;
- Georgino Avelino — agosto a outubro de 1945;
- Dioclécio Duarte — 28 de outubro a 3 de novembro de 1945.
O retorno das eleições: 1945 a 1966
A redemocratização devolveu aos potiguares a escolha direta do governador. José Augusto Varela venceu a eleição de 1947. Dix-Sept Rosado, eleito em 1950, morreu em um acidente aéreo seis meses depois de tomar posse e foi sucedido pelo vice Sylvio Pedroza.
- Miguel Seabra Fagundes — novembro de 1945 a fevereiro de 1946;
- Ubaldo Melo — 1946 a janeiro de 1947;
- Orestes da Rocha Lima — janeiro a julho de 1947;
- José Augusto Varela — 1947 a 1951;
- Dix-Sept Rosado — janeiro a julho de 1951;
- Sylvio Pedroza — 1951 a 1956;
- Dinarte Mariz — 1956 a 1961;
- Aluízio Alves — 1961 a 1966.

Ditadura, eleições indiretas e abertura: 1966 a 1987
Walfredo Gurgel foi o último governador eleito diretamente antes de o regime militar suspender a escolha popular para os governos estaduais. Cortez Pereira, Tarcísio Maia e Lavoisier Maia foram escolhidos de forma indireta. Em 1982, ainda durante a abertura política, José Agripino venceu a primeira eleição direta para governador em 17 anos.
- Walfredo Gurgel — 1966 a 1971;
- Cortez Pereira — 1971 a 1975;
- Tarcísio Maia — 1975 a 1979;
- Lavoisier Maia — 1979 a 1983;
- José Agripino Maia — 1983 a maio de 1986;
- Radir Pereira — maio de 1986 a março de 1987.

A Nova República: de Geraldo Melo a Fátima Bezerra
Desde 1987, o RN foi governado por dez pessoas. José Agripino e Garibaldi Alves Filho foram eleitos duas vezes. Wilma de Faria tornou-se, em 2003, a primeira mulher a governar o Estado. Fátima Bezerra, eleita em 2018 e reeleita em 2022, exerce o cargo em 2026.

- Geraldo Melo — 1987 a 1991;
- José Agripino Maia — 1991 a março de 1994;
- Vivaldo Costa — março a dezembro de 1994;
- Garibaldi Alves Filho — 1995 a abril de 2002;
- Fernando Freire — abril a dezembro de 2002;
- Wilma de Faria — 2003 a março de 2010;
- Iberê Ferreira de Souza — março a dezembro de 2010;
- Rosalba Ciarlini — 2011 a 2014;
- Robinson Faria — 2015 a 2018;
- Fátima Bezerra — desde 1º de janeiro de 2019.

Marcos da história do governo potiguar
- Primeiro governante republicano: Pedro Velho, em 17 de novembro de 1889;
- Primeiro eleito diretamente: Joaquim Ferreira Chaves, em 1896;
- Mais jovem a tomar posse: Alberto Maranhão, aos 27 anos, em 1900;
- Primeira mulher: Wilma de Faria, em 2003;
- Maior número de passagens pelo cargo: Antônio José de Melo e Sousa exerceu o governo em três períodos distintos, entre 1907 e 1932;
- Governadora atual: Fátima Bezerra, desde 2019.

Fontes: Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Tribunal Regional Eleitoral do RN, arquivos históricos do Governo do Estado, Assembleia Legislativa e bibliografia de Itamar de Souza. Datas de transições provisórias foram confrontadas com estudos acadêmicos sobre a República no RN.