O ex-presidente da Câmara dos Deputados e ex-ministro do Turismo Henrique Eduardo Alves cobrou nesta terça-feira 13 uma manifestação pública do MDB do Rio Grande do Norte em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em publicações no X, antigo Twitter, ele invocou sua trajetória no partido para defender o posicionamento da legenda na disputa contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
“É preciso e urgente MDB do RN se pronunciar! Brasil saber!”, escreveu Henrique. Em outra postagem, dirigiu um apelo ao presidente nacional do MDB, o deputado federal Baleia Rossi (SP), e pediu apoio a Lula em nome da “coerência, história e democracia”.

Henrique afirmou que assumia a responsabilidade pela defesa desse posicionamento diante da ausência de uma manifestação pública do diretório estadual. A declaração expressa a posição do ex-deputado e não equivale a uma decisão formal do MDB potiguar.
“Já q o MDB não se manifestou publicamente assumo responsabilidade em nome dos meus 52 anos de Partido!”, publicou.
Ao justificar seu pedido, Henrique citou a relação da legenda com Lula e a participação do MDB na chapa da governadora Fátima Bezerra (PT). Ele afirmou que o partido indicou o vice da governadora a pedido do presidente.
“MDB sempre apoiou Lula e até indicou o vice de Fátima a pedido dele!”, escreveu. A afirmação foi apresentada como argumento para que a direção estadual volte a se manifestar a favor do petista.
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O vice citado por Henrique é Walter Alves (MDB), eleito em 2022 na chapa de Fátima e presidente estadual da legenda. Walter rompeu com o grupo da governadora e passou a apoiar o candidato ao governo estadual Allyson Bezerra (União Brasil), adversário de Cadu de Lula (PT) no segundo turno.
Em publicação no Instagram, Walter reforçou o apoio a Allyson para a votação de 25 de outubro. “Allyson é o nome da mudança!”, escreveu.
“Estamos com Allyson nessa caminhada, acreditando em um futuro melhor para todos!”, acrescentou Walter, antes de pedir voto no número 44 para governador.
Ao anunciar anteriormente a aliança estadual com o União Brasil, Walter informou que o MDB manteria apoio à reeleição de Lula, conforme noticiado pelo Agora RN. A cobrança de Henrique é por uma manifestação pública do diretório potiguar sobre a disputa presidencial no segundo turno.
Henrique também parabenizou o Pará por uma manifestação de apoio. As postagens ocorrem em meio à disputa entre alas do MDB sobre o posicionamento na eleição presidencial.
Nesta terça-feira 13, dez diretórios estaduais do MDB anunciaram, por meio de nota, apoio à reeleição de Lula. Assinam a manifestação as representações de Amazonas, Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Paraíba e Rondônia, segundo reportagem da CNN Brasil. O Rio Grande do Norte não aparece entre os signatários.
A manifestação expõe a divisão interna da legenda na disputa presidencial. Ainda de acordo com a CNN Brasil, 15 diretórios estaduais são favoráveis ao apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno.
Os diretórios que apoiam Lula convocaram dirigentes, prefeitos, parlamentares e outras lideranças a participar da campanha, com carreatas, mobilizações de rua, atos públicos, articulação municipal e presença nas redes sociais.
Na nota, o grupo defendeu a continuidade de políticas do governo federal e citou programas como Bolsa Família, Pé-de-Meia, Farmácia Popular, Mais Médicos, Minha Casa, Minha Vida e Brasil Sorridente. Também mencionou o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), Fies, ProUni, Luz para Todos e a isenção do Imposto de Renda.
A história de Henrique com a legenda remonta ao início de sua carreira política. Filho do ex-governador do Rio Grande do Norte Aluízio Alves, foi eleito deputado federal pela primeira vez em 1970, após a cassação do pai pela ditadura militar.
Exerceu 11 mandatos consecutivos, de 1971 a 2015, e presidiu a Câmara dos Deputados no biênio 2013–2014. Sua atuação parlamentar esteve ligada ao MDB e ao PMDB, denominação adotada pelo partido durante parte desse período.
Henrique também comandou o Ministério do Turismo nos governos de Dilma Rousseff e Michel Temer. A passagem pelo Executivo ocorreu depois de sua saída da Câmara.
A relação com a legenda teve uma interrupção em 2022, quando deixou o MDB após divergências com a direção estadual, comandada por Walter Alves. Naquele ano, filiou-se ao PSB, pelo qual disputou uma vaga de deputado federal.
Em março de 2026, Henrique confirmou seu retorno ao MDB por meio da direção nacional. Nas publicações desta terça-feira, voltou a recorrer à sua trajetória partidária para pedir que os emedebistas do Rio Grande do Norte anunciem apoio a Lula na votação de 25 de outubro.