A deputada estadual reeleita Isolda Dantas (PT) defendeu a abertura de diálogo com a senadora Zenaide Maia (PSD) e seu grupo político para ampliar a aliança de Cadu de Lula (PT) no segundo turno da eleição para o Governo do Rio Grande do Norte. A parlamentar manifestou o desejo de que a senadora e o prefeito de São Gonçalo do Amarante, Jaime Calado (PSD), se aproximem da candidatura governista.
“É muito natural que a gente procure conversar com a senadora Zenaide”, afirmou. Isolda lembrou que Jaime integrou a gestão da governadora Fátima Bezerra (PT) como secretário de Desenvolvimento Econômico e destacou a relação anterior do grupo com os petistas. “O diálogo está aberto”, declarou, ao defender que os antigos aliados possam se somar ao projeto de eleger Cadu.

A sinalização ocorre depois da derrota de Zenaide na disputa pela reeleição ao Senado. A parlamentar concorreu no palanque de Allyson (União), adversário de Cadu, e perdeu a segunda vaga para Samanda de Lula (PT), apoiada por Fátima. A diferença entre as duas foi de 5.765 votos. Mesmo afastada do grupo estadual do PT, Zenaide manteve o apoio ao presidente Lula. A outra vaga ficou com Styvenson Valentim (Podemos).
Durante a campanha, Zenaide atribuiu o rompimento à sua exclusão do projeto eleitoral da governadora. Afirmou que Fátima apresentou, em dezembro de 2022, uma composição que previa a própria candidatura ao Senado, outro nome para a segunda vaga e um candidato ao governo. “Ela era candidata e tinha um grupo de candidatos”, disse.
Dias depois, Fátima contestou essa versão. A governadora negou ter comunicado que o PSD ficaria fora da aliança e responsabilizou a senadora pela mudança de palanque. “A senadora fez uma outra escolha. Ela é quem foi embora”, declarou.
Apesar do histórico de divergências, Isolda afirmou que o segundo turno exige disposição para conversar com diferentes forças políticas. “O que está em jogo e o que está conduzindo o debate são os rumos do Rio Grande do Norte”, disse. Segundo a deputada, o campo governista está “completamente aberto” ao diálogo e tem recebido novos apoios.
Vitória política de Fátima
Na avaliação da parlamentar, Fátima saiu fortalecida das urnas pela eleição de Samanda e pela classificação de Cadu para o segundo turno. “A grande vencedora dessas eleições é a governadora Fátima Bezerra. A grande vencedora sem ser candidata”, afirmou. Isolda destacou que a governadora permaneceu no Executivo depois de perder as condições políticas para disputar pessoalmente o Senado.
A deputada classificou o rompimento do vice-governador Walter Alves (MDB) como traição e contrapôs o resultado dos candidatos apoiados por Fátima ao desempenho de antigos aliados. “A população fez justiça pela governadora”, declarou. Para ela, a chegada de Cadu ao segundo turno demonstrou a capacidade de mobilização da liderança petista.
Ao tratar de Zenaide, Isolda atribuiu a derrota aos aliados que a senadora escolheu para a eleição. “A senadora Zenaide foi derrotada pelos aliados dela”, afirmou. A deputada disse que o apoio recebido em Mossoró não correspondeu às expectativas e estendeu a crítica ao grupo do ex-prefeito Allyson.
“O grande derrotado dessas eleições foi o ex-prefeito de Mossoró”, declarou. Isolda argumentou que Allyson esperava uma vantagem expressiva na cidade e criticou a concentração do projeto político em torno de sua figura. “No lado de Cadu, é diferente. Cadu tem feito um diálogo, tem conversado com todo mundo”, afirmou.
Novos apoios
A expectativa de ampliação do palanque inclui o presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira (PSDB), que apoiou Álvaro Dias (PL) no primeiro turno. Isolda elogiou a relação institucional do parlamentar com o governo e sua postura de independência. “Eu espero muito que o meu presidente chegue junto com a gente nesse segundo momento, porque é uma pessoa que também tem muita responsabilidade com o Rio Grande do Norte.”
Ezequiel, porém, ainda anunciou uma escolha. Em declaração divulgada na quarta-feira 7, informou que ouviria as lideranças que participaram de sua reeleição antes de definir apoio entre Cadu e Allyson.
Isolda também relatou conversas reservadas com deputados que votaram em Álvaro e que, segundo ela, consideram Cadu a melhor alternativa. Não revelou nomes e afirmou que parte desses interlocutores evita uma manifestação pública. “Alguns dizendo que não vão se pronunciar, mas sabem que o melhor é Cadu”, disse.
No interior, a ampliação já inclui adesões anunciadas. Os prefeitos Joquinha Nogueira, de Nova Cruz, Joca Basílio, de Riachuelo, e Acácio Brito, de Serra Negra do Norte, passaram a apoiar Cadu depois de votar em Álvaro. Também aderiram os ex-prefeitos Flávio de Berói, de Nova Cruz, e Nixon Baracho, de Alto do Rodrigues.
Confiante na disputa de 25 de outubro, Isolda disse que o crescimento de Cadu aponta uma tendência favorável ao PT. Também avaliou que o resultado alterou as articulações para a presidência da Assembleia. “Com o resultado das eleições, mudou tudo”, afirmou. “As candidaturas que estavam postas já não estão tão postas assim.”
Segundo ela, a escolha do próximo presidente ou presidenta da Casa dependerá do desfecho da eleição estadual.