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Tentativa de feminicídio

TJRN mantém Igor Cabral no júri popular pelos 61 socos contra Juliana Soares

Câmara Criminal rejeitou por unanimidade o recurso da defesa e confirmou a decisão da 1ª Vara Criminal de Natal que enviou o caso a julgamento
Agora RN
25/09/2026 | 15:41

O acusado de tentativa de feminicídio contra Juliana Soares, Igor Cabral, continua com julgamento marcado diante de jurados. A Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do RN negou por unanimidade o recurso com que a defesa tentava evitar o júri popular. Fica de pé, assim, a decisão que a 1ª Vara Criminal de Natal havia tomado. Juliana foi atingida por 61 socos dentro de um elevador, em um condomínio da capital potiguar.

A decisão sobre o recurso apresentado pela defesa de Igor Eduardo Pereira Cabral foi divulgada pelo Tribunal na quinta-feira 24. Para o relator, o que aconteceu no elevador precisa ser examinado a fundo, e esse exame cabe aos jurados. Ele apontou a existência de “versões conflitantes e de suporte indiciário suficiente” como razão para que o Tribunal do Júri analise o caso.

Fachada do prédio do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, com escadaria de acesso e veículos circulando pela via
Sede do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, em imagem de arquivo: a Câmara Criminal rejeitou por unanimidade o recurso da defesa — José Aldenir

Crimes dolosos contra a vida são julgados pelo júri popular, e nesse conjunto entram os processos em que há acusação de tentativa de feminicídio. Com o que decidiu a Câmara Criminal, segue valendo a determinação para que Igor seja levado a julgamento pelos jurados. A defesa buscava justamente impedir que o caso chegasse a essa etapa.

O que aconteceu no elevador

O episódio é de 26 de julho de 2025, num condomínio do bairro de Ponta Negra, na Zona Sul de Natal. Uma câmera de segurança dentro do elevador gravou os golpes. Pelo que consta no processo, foram 61 socos desferidos por Igor, que não parou depois que a vítima caiu no chão.

Juliana deixou o elevador com o rosto ferido e foi levada ao Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel. Sofreu múltiplas fraturas na face e no maxilar, precisou passar por procedimento cirúrgico e teve alta hospitalar em 4 de agosto de 2025.

A prisão de Igor veio logo depois do episódio, e ele foi transferido em seguida para a Cadeia Pública de Ceará-Mirim, onde permanece. Segundo a Polícia Civil, antes das agressões houve uma discussão entre os dois durante um churrasco com amigos, na área de lazer do prédio, e nesse momento o acusado teria jogado na piscina o celular de Juliana.

Em 7 de agosto de 2025, a Justiça recebeu a denúncia oferecida pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN). Foi a partir daí que Igor passou à condição de réu pela acusação de tentativa de feminicídio.

Além de tentar barrar o júri, a defesa pediu liberdade provisória e a realização de exames psicológicos e toxicológicos. Sustentou também que a acusação deixasse de ser de tentativa de feminicídio e passasse a ser de lesão corporal.