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Caso Marcelo

Polícia aponta dívida na venda de canetas de Mounjaro como motivo do sequestro e morte de empresário no RN

Desentendimento entre Marcelo Silva de Oliveira e um suposto sócio teria levado ao crime; dois executores foram presos no Paraná quando fugiam para o Paraguai
Agora RN
18/09/2026 | 14:32

Uma dívida ligada ao comércio de canetas emagrecedoras é a principal linha da Polícia Civil para explicar o sequestro e o assassinato do empresário Marcelo Silva de Oliveira, de 29 anos. Quem explica é a delegada Isabella Turl, adjunta da DEFUR/DEICOR: a briga teria sido entre o empresário e alguém que seria sócio dele no negócio, e o produto em disputa era a tirzepatida, princípio ativo do remédio que chega às farmácias com o nome comercial de Mounjaro.

“A princípio, a gente trata a motivação desse homicídio como uma questão de dívida relacionada ali a um desentendimento que a vítima teve no comércio dessas canetas emagrecedoras entre a vítima e um suposto sócio”, disse a delegada.

Montagem com imagem de câmera de segurança de rua à noite e retrato de homem jovem sorrindo
O empresário Marcelo Silva de Oliveira, de 29 anos, e a imagem da câmera de segurança do dia do sequestro — Reprodução

O empresário foi levado no fim de agosto, em São Gonçalo do Amarante, na Grande Natal. A investigação começou como desaparecimento e sequestro e só passou a ser tratada como homicídio quando o corpo foi encontrado, dias depois.

Segundo a delegada, dois dos suspeitos apontados como executores do crime pretendiam sair do país logo depois. “A gente conseguiu apurar também que dois dos executores desse homicídio planejavam uma fuga para o Paraguai e foram capturados”, afirmou.

Outra frente da apuração é um rastreador achado no carro de Marcelo, peça que pode ajudar a explicar como os criminosos sabiam onde encontrá-lo. Dias antes de sumir, o empresário tinha ido à polícia registrar um boletim de ocorrência depois de encontrar o aparelho escondido, sem autorização, na mala do veículo. Os investigadores tentam descobrir se o equipamento fez parte do planejamento do crime.

Em nota, o advogado da família, Brenio Moura, disse que os parentes confiam no trabalho das autoridades e que vão seguir respeitando o andamento das apurações e a memória do empresário.

Crime

Marcelo foi abordado em 29 de agosto, quando chegava à casa onde vivia com a esposa e o filho, no conjunto Cidade das Rosas, no bairro Jardins, em São Gonçalo do Amarante. As câmeras de segurança da rua flagraram o momento em que homens armados e encapuzados chegaram num Toyota Etios prata.

Dois deles tiraram o empresário do próprio carro e o puseram no veículo do grupo. Um terceiro tentou levar a esposa e o filho da vítima num segundo automóvel da família, mas não conseguiu dar a partida, porque a chave funcionava por aproximação.

O corpo foi achado em 1º de setembro, enterrado numa cova de cerca de quatro metros de profundidade numa granja da zona rural de Macaíba. Para chegar até ele, a busca mobilizou policiais civis, homens do Corpo de Bombeiros, cães farejadores e até uma retroescavadeira.

Na quinta-feira 17, as equipes voltaram às ruas com sete mandados de busca e apreensão, cumpridos em quatro cidades: Parnamirim, Macaíba, São José de Mipibu e Boa Saúde. O saldo foi de mais de R$ 434 mil em espécie, três armas, mais de 400 munições, um relógio de luxo e outros objetos. Uma pessoa foi presa em flagrante durante as buscas.

Antes disso, na terça-feira 15, dois investigados tinham sido presos no Paraná, numa abordagem que contou com o apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e da Polícia Militar paranaense. Segundo a Polícia Civil, eles saíram do Rio Grande do Norte rumo a Foz do Iguaçu, de onde pretendiam deixar o Brasil pelo Paraguai. No carro, havia mais de R$ 40 mil e seis celulares.

Quem dirigia o automóvel era um policial civil da Paraíba, que também foi levado à delegacia. Ele responde em liberdade a um procedimento por favorecimento pessoal, e a polícia ainda apura se teve participação na fuga.

Em Natal, mais um mandado de prisão foi cumprido. Na quarta-feira 16, a polícia localizou o quarto investigado, que estava em Fortaleza, no Ceará. Somados os três dias de ação, de 15 a 17, foram quatro prisões temporárias e 11 buscas e apreensões, sem contar o flagrante. Contando todas as etapas, o dinheiro apreendido no caso passa de R$ 474 mil. As investigações seguem para definir o papel de cada envolvido no sequestro e no assassinato e para esclarecer a negociação da carga que teria motivado o crime. Informações podem ser repassadas de forma anônima pelo Disque Denúncia 181.