O Atlético-MG na Sul-Americana derrubou uma desvantagem de dois gols, goleou o Santos por 4 a 2 no tempo normal e carimbou a vaga na semifinal ao vencer por 3 a 1 a disputa de pênaltis. O duelo aconteceu na noite de quarta-feira 16, em Belo Horizonte, dentro da Arena MRV, casa do clube mineiro. Duas vezes Reinier balançou a rede pelo time mineiro; Bernard e Cuello fizeram os outros gols. Pelo lado paulista, marcaram Gabigol e o zagueiro Lyanco, contra.
A classificação começou a ser desenhada quase na saída de bola. Aos 17 segundos, Fred deu o passe e Bernard abriu o placar. Pouco depois, Reinier ampliou e empatou o confronto no placar agregado, já que na Vila Belmiro o Peixe havia vencido por 2 a 0. O time visitante ainda descontou, num gol contra de Lyanco, mas o próprio Reinier voltou a marcar antes do intervalo e recolocou o Galo em vantagem no jogo.

Depois da pausa, Gabigol aproveitou uma falha da defesa mineira e fez o segundo gol santista, resultado que classificava os paulistas naquele momento. A resposta atleticana ficou para os acréscimos: aos 47 minutos, Cuello fez o quarto e empurrou a decisão da vaga para as penalidades.
Nas cobranças, o protagonista foi Gabriel Delfim. O goleiro teve participação decisiva na série que terminou em 3 a 1 para os mineiros, fechando a reação de um time que entrou em campo precisando de dois gols de diferença para chegar aos pênaltis, ou de três para avançar sem sustos.
O jogo também deu sequência a um episódio que começou no confronto de ida. Neymar não entrou em campo na Arena MRV por causa de uma lesão na coxa direita, mas havia provocado o adversário depois da vitória do Santos na Vila Belmiro. Terminada a partida, os jogadores atleticanos foram perguntados sobre quanto as declarações do camisa 10 pesaram na preparação.
Bernard, que abriu o placar, disse que as alfinetadas o incomodaram por causa da relação que mantém com o clube. “Eu não sou muito de levar para esse lado, porque eu respeito tudo da instituição, respeito todos os meus colegas de trabalho, seja aqui ou seja em outro lugar. Eu entendo as pressões, tudo aquilo que a gente passa, tudo aquilo que a gente vive no dia a dia. Cada jogo tem que se provar e, sem dúvida nenhuma, a gente fica incomodado, porque eu sou um torcedor do Atlético, eu amo a instituição, é a instituição que coloca comida na minha mesa. Então, se eu não defender a minha instituição, quem vai fazer isso por mim?”, afirmou.
O meia ponderou, porém, que o resultado não deveria ser lido apenas como resposta ao jogador do Santos. “Estou muito feliz que a gente conseguiu fazer isso. Não é dar resposta a ninguém, a gente precisava dar a resposta para nós mesmos, que a gente era capaz, e, graças a Deus, a gente fez isso.”
Reinier, com dois gols na conta, confirmou que o elenco sabia das provocações, mas descartou que elas tenham sido determinantes para a virada. “A gente sabia das provocações, mas é normal. A gente não levou isso muito para a frente porque o que a gente queria hoje foi o pessoal dentro de campo. A gente teve a oportunidade de escutar a palavra e Deus nos abençoou com um grande jogo, com uma grande classificação.”
Gustavo Scarpa seguiu a mesma linha e tratou a troca de farpas como parte do ambiente do futebol. “Ah, eu, pelo menos, não senti isso como uma motivação extra. Claro que, quando acaba o jogo, tem esse a mais, assim, de provocação da nossa parte, mas a gente é profissional. Eu acho que, como ele disse, essas provocações, às vezes, fazem parte do futebol.”