A senadora Damares Alves Republicanos-DF pediu, em tom irônico, “perdão” ao Partido dos Trabalhadores PT por os conservadores não terem acreditado nas críticas feitas à indicação de Alexandre de Moraes para o Supremo Tribunal Federal STF, em 2017. A parlamentar citou declarações da ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, do ex-deputado Jean Wyllys e do senador Randolfe Rodrigues.
“Eu quero encerrar, em nome dos conservadores, pedindo perdão ao PT. Quero fazer esse registro público. Quero também pedir perdão à ministra Gleisi Hoffmann. Queremos pedir perdão ao ex-deputado Jean Wyllys, ao senador Randolfe Rodrigues e aos acadêmicos, que, durante a sabatina do Alexandre de Moraes, avisaram a nós que ele era um tirano. Nós, conservadores, não acreditamos”, declarou Damares.

Moraes foi indicado ao STF pelo então presidente Michel Temer, em 2017. Durante a análise do nome no Senado, parlamentares do PT se posicionaram contra a escolha. Na época senadora, Gleisi classificou o indicado como uma ameaça à democracia e o acusou de perseguir adversários políticos.
“O indicado é um militante partidário convicto, aliás, com posicionamentos externados, e filiado ao PSDB. Nós temos posicionamentos até de perseguição política por parte do indicad em relação ao PT”, afirmou Gleisi durante a sabatina.
“Reiteramos aqui a preocupação com seus posicionamentos no Supremo, especialmente em relação à democracia”, acrescentou a petista na ocasião.
A declaração de Damares foi feita em meio à pressão da oposição pelo impeachment de Moraes. Parlamentares contrários ao ministro acusam o magistrado de perseguir políticos de direita, especialmente o ex-presidente Jair Bolsonaro PL. Moraes também foi alvo de sanções aplicadas pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A oposição reuniu 41 assinaturas de senadores e protocolou, em 7 de agosto, um pedido de impeachment contra o ministro. A mobilização ocorreu após Moraes determinar a prisão domiciliar de Bolsonaro.
Com o protocolo, líderes oposicionistas anunciaram o encerramento da obstrução aos trabalhos do Senado e da ocupação da Mesa Diretora. O grupo informou que passaria a pressionar o presidente da Casa, Davi Alcolumbre União-AP, para abrir o processo.
A decisão de aceitar ou arquivar o pedido cabe ao presidente do Senado. Caso Alcolumbre autorize a abertura do processo e o caso avance até a votação em plenário, o afastamento de Moraes dependerá do apoio de 54 dos 81 senadores, equivalente a dois terços da Casa.
Alcolumbre, porém, afirmou ao colégio de líderes que não pretende pautar o impeachment de Moraes, mesmo que o requerimento tenha a assinatura de todos os integrantes do Senado.