BUSCAR
BUSCAR
Política

Moraes acusa Mendonça de sigilo seletivo no caso Master e cita 180 documentos de fora

Pedido inclui julgamento conjunto das petições sobre Moraes e Mendonça e liberação integral do sigilo
Agora RN
11/09/2026 | 13:23

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu ao presidente da Corte, Edson Fachin, a retirada total do sigilo de documentos relacionados ao caso Banco Master. Em ofício enviado nesta sexta-feira 11, Moraes afirmou que houve uma “escolha seletiva” na liberação de procedimentos conduzida pelo ministro André Mendonça.

Segundo o documento, Mendonça liberou parcialmente 15 procedimentos, mas deixou de fora 180 peças e documentos digitais. Moraes também pediu que Fachin determine à área de tecnologia do STF a certificação sobre a quantidade exata de procedimentos ligados às investigações.

Ministro Alexandre de Moraes durante sessão do Supremo Tribunal Federal
Alexandre de Moraes pediu a liberação total de documentos do caso Master — Foto: Antonio Augusto/STF

Moraes anexou uma tabela para comparar os documentos que aparecem no sistema eletrônico da Corte com os que foram efetivamente disponibilizados. De acordo com o ministro, havia 4.514 peças em 15 procedimentos, mas apenas 4.334 se tornaram acessíveis.

Entre os processos citados, o inquérito 5026 teria 61 peças pendentes; a PET 15556, 54; a reclamação 88121, 35; a PET 15198, 23; e a PET 15978, sete.

Moraes pede julgamento conjunto

Além do levantamento completo do sigilo, Moraes solicitou que o STF analise de forma conjunta duas petições que envolvem o caso Master. Uma trata das mensagens trocadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro com o próprio Moraes. A outra reúne representações sobre a atuação de André Mendonça nas operações Sem Desconto e Compliance Zero.

No ofício, Moraes argumenta que as duas discussões estão conectadas e que o julgamento separado pode dificultar a análise das provas. Ele também pediu a intimação de ministros citados nos autos para que possam prestar esclarecimentos e defender suas prerrogativas.

A manifestação ocorre depois de Mendonça retirar, na quinta-feira 10, o sigilo de parte das investigações relacionadas ao Banco Master e a Vorcaro, após solicitação de Fachin. Algumas frentes permaneceram restritas, entre elas as apurações sobre o financiamento do filme Dark Horse e conversas atribuídas a Vorcaro e ao senador Flávio Bolsonaro.

O caso aprofundou as divergências públicas entre integrantes do Supremo, a Procuradoria-Geral da República e a direção da Polícia Federal.