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Brasil

PL quer usar a crise no STF para tirar Alcolumbre do comando do Senado em 2027

Partido pretende exigir de seus candidatos o compromisso de não votar na recondução, e Rogério Marinho tem interesse na presidência da Casa
Agora RN
10/09/2026 | 16:05

Quem comanda o Senado a partir de 2027 é a pergunta que o PL decidiu antecipar. E o instrumento escolhido para isso é a briga entre Alexandre de Moraes e André Mendonça dentro do Supremo Tribunal Federal: o partido pretende usá-la para corroer a figura de Davi Alcolumbre (União-AP) antes que as urnas sequer abram.

A tática tem um primeiro passo bem concreto. A legenda quer que cada um de seus postulantes a uma cadeira no Senado assuma um compromisso antes da eleição: nada de voto na recondução de Alcolumbre. Assim se formaria uma bancada alinhada à troca de comando — e, de quebra, o assunto ganharia palanque durante a campanha. O argumento eleitoral já está definido, e é a recusa do presidente da Casa em levar adiante os pedidos de impeachment protocolados contra Moraes. Eleger uma bancada mais conservadora, promete o partido, significaria refazer, já a partir do ano que vem, o modo como o Senado se relaciona com o Supremo.

Rogério Marinho e Davi Alcolumbre conversam na mesa do plenário do Senado
Presidente do Senado, Davi Alcolumbre (dir.), em conversa com Rogério Marinho — Carlos Moura/Senado

Na leitura dos dirigentes da legenda, foi o próprio choque entre os dois ministros que abriu essa janela de oportunidade. Quando Mendonça determinou o afastamento de Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal, os aliados do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) saíram em defesa do ministro e trataram aquela decisão como confirmação do que já vinham dizendo a respeito da cúpula da corporação. No mesmo movimento, subiram o tom contra Moraes e recomeçaram a atacar Alcolumbre. Para o partido, é ele o obstáculo número um ao andamento dos pedidos de impeachment apresentados contra o ministro.

Debaixo de toda essa movimentação corre uma disputa mais concreta, pela cadeira em si. Rogério Marinho (PL-RN), que lidera a oposição no Senado e coordena a campanha presidencial de Flávio, tem interesse declarado na presidência da Casa. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) é outro nome que aparece nas conversas travadas entre os partidos de direita.

Houve, num certo momento, uma tentativa de acomodação entre os dois lados. Depois que a indicação de Jorge Messias ao STF acabou derrotada, Alcolumbre reabriu o diálogo com a turma que hoje banca a candidatura presidencial de Flávio. Reaproximou-se, é verdade, mas não chegou a fechar acordo para a eleição interna de 2027 — chegou à conclusão de que nem o PL nem seus aliados desistiriam de lançar nome próprio ou de apoiar alguém identificado com aquele campo.

Sem conseguir recuperar os votos do maior partido de oposição, ele mudou de lado da mesa. Voltou a estreitar laços com o presidente Lula (PT), e é no campo governista que procura agora parte do apoio de que vai precisar para se manter no cargo. A crise no Supremo, portanto, encontra Alcolumbre e o PL em trincheiras opostas: de um lado, os bolsonaristas trabalhando para desgastá-lo e preparar a sucessão; de outro, ele calculando disputar a reeleição sem a legenda.

Enquanto tudo isso se arma, Alcolumbre tenta segurar a bomba longe do Senado até que as eleições passem. No último fim de semana ele ficou em Brasília e chamou os líderes partidários para uma rodada de conversas. O recado que deu ali foi claro: não pretende pautar medida alguma contra ministro do STF antes do primeiro turno. E continuará resistindo à abertura de impeachment contra Moraes.

A interlocutores, explicou por quê. Uma ofensiva contra Moraes poderia puxar junto a análise de um pedido contra Mendonça. Quem ouviu entendeu o recado como aviso: Alcolumbre não vai deixar que a crise seja direcionada exclusivamente a um dos lados.