Álvaro Dias (PL) sugeriu que gente de dentro da atual gestão estadual teria negociado com facções criminosas. A insinuação veio na quarta-feira 9, logo depois de a gestão Fátima Bezerra (PT) anunciar duas exonerações na Seap: a de Helton Edi Xavier, titular da Secretaria de Administração Penitenciária, e a de Arméli Brennand, que era a adjunta.
“O Governo do Estado está exonerando o secretário e a secretária adjunta porque, realmente, até negociar com facção parece que estava ocorrendo dentro do Governo do Estado. Mais uma falha que merece o repúdio da população”, declarou o candidato do PL na disputa pelo Governo potiguar.

As duas saídas foram anunciadas horas depois de começar a circular um vídeo gravado numa visita institucional à penitenciária Rogério Coutinho Madruga, unidade que fica ao lado de Alcaçuz, em Nísia Floresta. O que se vê ali é um detento cobrando da própria secretária-adjunta a volta das visitas íntimas, que estão suspensas no sistema prisional do estado desde 2017.
“A senhora pode dar ouro em pó, mas, se não der a nossa visita conjugal, não está dando nada, porque nós somos família. Tiraram a nossa visita há 10 anos. Se tiver a visita conjugal de 15 em 15 dias, vai ter disciplina”, diz o preso na gravação.
A Seap respondeu apresentando outra versão do episódio. Informou que aquela visita ocorreu no dia 26 de agosto e que teve caráter coletivo, aberto e institucional — não houve, segundo a pasta, encontro reservado algum entre a então adjunta e os presos. As imagens, de fato, mostram Arméli falando com um detento através de uma grade, com auxiliares ao lado.
A secretaria também rechaçou qualquer tentativa de associar o trabalho de gestores e de servidores a acordo com facção ou com outro grupo do crime. Em nota, a secretaria lembrou que ouvir quem está preso faz parte do trabalho ordinário da Ouvidoria: “A Ouvidoria possui, entre suas funções, o atendimento e a escuta de policiais penais, servidores, familiares e pessoas privadas de liberdade. Por isso, a realização de visitas às unidades prisionais constituem procedimentos regulares e necessários ao exercício de suas atribuições”. A pasta acrescentou que essas atividades ficam registradas e que, quando é o caso, seguem para os órgãos competentes.
Na mesma entrevista, Álvaro defendeu linha dura no enfrentamento ao crime organizado. “Com criminoso, com faccionado, não se negocia, não se conversa, tem que agir para combater com determinação, com coragem, com resiliência, como nós vamos fazer, chegando ao Governo do Estado”, disse.
Contestou também o discurso da governadora a respeito do que se investiu em segurança pública. “A gente andando e visitando as cidades do Rio Grande do Norte, a gente sente o medo que a população tem pela falta de segurança. Essa questão de Fátima dizer que investiu em segurança, isso é balela”, declarou. E foi adiante, afirmando que as organizações criminosas vêm avançando pelo território potiguar sem encontrar resposta à altura: “O que a gente vê são as facções tomando conta do Rio Grande do Norte, sem ter um combate efetivo, eficaz, por parte da segurança pública do nosso estado.”
Como contraproposta, o candidato prometeu ampliar o investimento em quatro frentes: equipamento, viatura, qualificação profissional e tecnologia. A referência que usou foi a própria passagem pelo comando da Prefeitura do Natal: citou três coisas feitas ali — estruturar a Guarda Municipal, implantar o plano de cargos e salários da categoria e instalar bases fixas.
Outra ideia que apresentou na entrevista foi integrar as guardas municipais às polícias Civil, Militar e Federal. Pela conta que fez, mais de 40 cidades potiguares já dispõem de corporação municipal estruturada, e todas poderiam atuar em conjunto no enfrentamento à criminalidade. “Nós vamos tentar juntar, unir as guardas municipais com a polícia civil, militar e federal, investir em tecnologia também, em monitoramento, videomonitoramento”, afirmou. E encerrou o raciocínio prometendo enfrentar as facções “com coragem, com determinação” caso chegue ao Governo do Estado.