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Bancos

Bancários dos bancos privados encerram greve no RN com inflação mais 0,6%; BB e Caixa seguem parados

Sindicato assinou o acordo por não sustentar sozinho a paralisação e critica o ganho real obtido.
Agora RN
09/09/2026 | 15:58

Os bancários que trabalham em instituições privadas no Rio Grande do Norte já voltaram ao expediente. Reunidos em assembleia na noite de terça-feira 8, eles aprovaram a proposta que a Fenaban, a federação nacional dos bancos, havia colocado na mesa. Com isso, encerraram uma paralisação que durou um único dia no segmento privado. Nas estatais é outra história: quem trabalha no Banco do Brasil e na Caixa Econômica Federal seguia parado nesta quarta-feira 9, sem previsão de acordo.

O que os trabalhadores dos bancos privados aceitaram tem três partes: reposição da inflação, ganho real de 0,6% e a manutenção do que já valia — as cláusulas da Convenção Coletiva e a PLR, sigla da participação nos lucros e resultados.

Bancários seguram faixa "Estamos em greve" do Sindicato dos Bancários do RN
Bancários do RN durante mobilização — Divulgação/SEEB-RN

A greve por tempo indeterminado tinha sido aprovada em assembleia geral no dia 1º de setembro, depois que rodada após rodada da Campanha Salarial 2026 terminou sem acordo. O movimento arrancou de fato na terça-feira 8 e, no setor privado, durou exatamente um dia — tempo suficiente para a Fenaban apresentar a proposta que acabou aceita.

“Não temos condições de continuar sozinhos”

Marcos Tinôco, que é diretor do SEEB-RN, o sindicato que representa a categoria no estado, avalia que o índice acordado ficou abaixo do que se esperava conseguir. Ainda assim, a entidade assinou. O motivo é aritmética de mobilização: sindicatos ligados à Contraf-CUT, a confederação nacional do ramo financeiro, já haviam aceitado a proposta, e a adesão deles tirou do Rio Grande do Norte a condição de sustentar sozinho a paralisação.

“Infelizmente, nós não temos as condições objetivas de continuar uma greve sozinhos, só o Rio Grande do Norte. Se nós tivéssemos essa força, iríamos para cima dos banqueiros para buscar um reajuste melhor”, declarou o dirigente sindical.

Como se chegou até aqui

A parada desta semana é o desfecho de uma mobilização que já vinha se armando desde agosto. No dia 20 daquele mês, os bancários potiguares cruzaram os braços por 24 horas, dentro da campanha salarial — medida que havia sido aprovada por unanimidade dois dias antes, em assembleia na sede do sindicato. Na mesma ocasião os trabalhadores decretaram estado de greve, válido do dia 21 de agosto em diante, após recusarem uma proposta da Fenaban.

Três pontos daquele texto incomodavam a categoria: reajuste diferenciado conforme a faixa salarial, congelamento do piso de ingresso e benefício de alimentação variando de acordo com o tamanho da cidade. Depois da mobilização, a federação dos bancos recuou nos três — mas o impasse sobre o percentual de reajuste continuou de pé, e foi ele que levou a categoria à greve.

Nas rodadas de 25 e de 26 de agosto, os bancos puseram na mesa um reajuste em torno de 2,57%. Os trabalhadores rejeitaram. Numa etapa seguinte das discussões, a proposta passou a ser o Índice Nacional de Preços ao Consumidor, o INPC, acrescido de 0,6%. O sindicato achou o ganho real pequeno demais: defendia pelo menos 5 pontos acima do INPC.

Durante a campanha, o SEEB-RN e a Federação Nacional dos Bancários chegaram a pedir reajuste de 53,58% na Convenção Coletiva. O argumento vinha dos números do próprio setor: as cinco maiores instituições do País tiveram, somadas, R$ 255 bilhões de lucro em 2025 — cifra que as entidades usaram para sustentar que havia espaço na conta. E a pauta da campanha não era feita só de salário. Trazia também o vale-alimentação e demais benefícios, o salário de ingresso, a PLR, o cumprimento da NR-1 — norma que trata de segurança e de saúde no trabalho — e a contratação de mais funcionários para as agências.

Acordo assinado, crítica mantida

Assinar o acordo, porém, não significou concordar com ele. Tinôco pôs lado a lado os 0,6% de ganho real e o resultado financeiro que as próprias instituições apresentaram: “Porque, repito, bilhões de reais, R$ 30 bilhões, R$ 40 bilhões no Itaú, quer dizer, R$ 26 bilhões no Bradesco, isso não é qualquer coisa. No Santander, aumentando seus lucros, aumentando seu patrimônio líquido, e nós, bancários, 0,6% é uma vergonha”, afirmou.

Ele também mirou o teto imposto à participação nos lucros e o cotidiano de quem trabalha dentro das agências. “PLR limitada a três salários, pessoal, não dá. O que tem para bancário é rebaixamento de salário, assédio moral e adoecimento. Mais uma vez, nós só vamos ter campanha salarial daqui a dois anos”, disse ele, referindo-se ao intervalo de dois anos que separa uma campanha salarial da seguinte.

Conforme o dirigente, o acordo repete os 0,6% de ganho real também no ano que vem. E, encerrada a greve no setor privado, o sindicato afirma que não vai tirar o olho das condições de trabalho dentro das agências.

Banco do Brasil, Caixa e o BNB

O fim da paralisação nos bancos privados não colocou ponto final no movimento dentro do Rio Grande do Norte. Nas estatais, ele continua. As agências das duas instituições seguem afetadas pelo movimento. Quem depende de atendimento presencial precisa checar como está a unidade antes de sair de casa; para parte dos serviços, os terminais de autoatendimento e os canais digitais seguem funcionando normalmente. A pauta desses funcionários é ampla e passa longe de se resumir ao contracheque: envolve salário, benefícios, condições de trabalho, saúde, assédio moral e contratação de pessoal.

O movimento ainda pode crescer nos próximos dias no estado. Há expectativa, da parte do sindicato, de que os funcionários do Banco do Nordeste também entrem em greve nos próximos dias. Se essa adesão se confirmar, o BNB passa a integrar, ao lado do Banco do Brasil e da Caixa, o grupo de instituições financeiras com trabalhadores paralisados no estado.

Nos bancos privados, a tendência é de normalização a partir de agora. Durante o dia em que a categoria parou, o atendimento presencial ficou comprometido nas agências, enquanto os terminais de autoatendimento e os canais digitais permaneceram no ar.

Mesmo com o acordo assinado, o sindicato garante que não sai de campo. “Apesar da assinatura do acordo, o SEEB-RN segue firme na luta junto aos bancários e bancárias, na defesa de seus direitos e interesses”, informou a entidade.