O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu nesta terça-feira 8 que o plenário da Corte analise o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, determinado pelo ministro André Mendonça. A manifestação foi apresentada junto ao pedido de vista, que suspende temporariamente o julgamento no plenário virtual da Segunda Turma.
Ao justificar o pedido, Gilmar afirmou que o caso pode ter reflexos sobre o processo eleitoral e citou o entendimento consolidado do STF de que decisões judiciais não podem comprometer a neutralidade do Estado nem gerar desequilíbrio na disputa político-eleitoral.

O ministro também sustentou que a competência para analisar o caso seria do plenário porque o relatório de inteligência da Polícia Federal, mencionado na decisão de Mendonça, trata de fatos envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, integrante da Primeira Turma do Supremo. Segundo Gilmar, situações dessa natureza devem ser apreciadas pelo conjunto dos ministros da Corte.
Outro argumento apresentado foi o fato de o próprio André Mendonça ter registrado, em decisão de 1º de setembro de 2026, que o exame da matéria deveria ocorrer em sessão pública do plenário, em data a ser definida pela Presidência do STF.
Gilmar também destacou que o presidente da Corte, Edson Fachin, já instaurou procedimento para apurar as circunstâncias relacionadas ao relatório da Polícia Federal e solicitou informações aos envolvidos. O prazo para essas manifestações termina em 14 de setembro.
Antes do pedido de vista, além do relator André Mendonça, os ministros Luiz Fux e Kassio Nunes Marques já haviam votado para manter o afastamento de Andrei Rodrigues da direção da Polícia Federal.