Pouco mais de um mês depois de 11 presos escaparem da Penitenciária Estadual Rogério Coutinho Madruga, quem deixou o cargo foi o diretor da unidade. A saída dele não vem acompanhada de explicação pública sobre o motivo. Reinaldo Paiva Galvão foi exonerado, a pedido dele próprio, do comando do presídio — unidade que integra o Complexo de Alcaçuz, em Nísia Floresta.
O ato de exoneração apareceu no Diário Oficial do Estado no sábado 5. Consultada, a Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (Seap) resumiu a troca a uma frase: ela se deu dentro da “normalidade administrativa”.

Assinam o documento, datado de 4 de setembro, a governadora Fátima Bezerra e o titular da pasta penitenciária, Helton Edi Xavier da Silva. O texto registra com todas as letras que a saída do cargo em comissão de Diretor de Estabelecimento Prisional foi “a pedido” — mas não diz que pedido é esse nem por quê.
Questionada especificamente sobre a mudança no comando do presídio, a pasta ampliou a resposta: “as mudanças ocorreram dentro da normalidade administrativa e a SEAP e a Diretoria-Geral da Polícia Penal estão conduzindo a transição de forma regular, dentro das rotinas e dos procedimentos de segurança normais”.
A fuga pelo vaso sanitário
A saída do diretor vem no rastro do que aconteceu em 31 de julho, quando a penitenciária registrou a fuga de 11 detentos. Tudo começou por volta das 5h30. Treze internos saíram de uma cela depois de abrir um buraco na estrutura; dois foram pegos ainda dentro da área interna, e os outros 11 escaparam.
A versão que a Seap deu na época: arrancaram o vaso sanitário e cavaram uma saída a partir da tubulação. Uma vez do lado de fora, pularam o muro da unidade. O circuito de câmeras flagrou a movimentação, e as forças de segurança armaram uma operação atrás dos fugitivos.
Um procedimento administrativo aberto pela própria secretaria passou então a apurar como aquilo tudo foi possível dentro de uma unidade prisional em funcionamento. Na resposta que deu sobre a exoneração, a Seap não relacionou uma coisa à outra.