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Ministério Público

MPRN abre inquérito para investigar servidores fantasmas, nepotismo e desvio de função em São Pedro

Promotoria avalia dividir o caso em três procedimentos pela pluralidade e amplitude dos fatos
Agora RN
08/09/2026 | 17:55

Servidor que recebe e não aparece: é essa a suspeita que levou o Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) a abrir um Inquérito Civil sobre a Prefeitura de São Pedro, na região Potengi. A expressão usada na denúncia é “servidores fantasmas”. Pela denúncia que deu origem ao caso, gente efetiva, comissionada e contratada estaria recebendo do município sem entregar o trabalho que deveria.

A portaria saiu no Diário Oficial Eletrônico do órgão nesta terça-feira 8. Conduz o caso a Promotoria de Justiça de São Paulo do Potengi — e a apuração não se limita a salário: pega também suspeita de nepotismo e de servidor ocupando função para a qual não tem a formação técnica que o cargo pede.

Fachada de prédio de prefeitura municipal
Investigação do MPRN alcança servidores efetivos, comissionados e contratados da Prefeitura de São Pedro — Reprodução/Google Street View

Na portaria, o Município de São Pedro aparece como a pessoa jurídica a quem os fatos investigados são atribuídos.

O que está sob suspeita

Na leitura do órgão, o material reunido aponta a “possível existência de servidores no Município de São Pedro que não estariam cumprindo expediente regular”. Junte-se a isso profissionais que estariam em funções incompatíveis tanto com o diploma que têm quanto com o que a contratação original previa.

O documento invoca os princípios constitucionais que devem reger a administração pública: legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.

O Inquérito Civil dá ao órgão margem para aprofundar as diligências e verificar se houve pagamento de salário sem a prestação efetiva do serviço, além de esclarecer os demais pontos da denúncia.

Os próximos passos

De imediato, a Promotoria mandou comunicar a abertura do inquérito ao órgão interno que dá suporte a esse tipo de caso — o Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Defesa do Patrimônio Público. E determinou que se cobre outra vez, desta feita como requisição formal, um expediente que ninguém respondeu até agora.

Recebida a resposta e os documentos pedidos, os autos voltam para análise.

O Ministério Público avalia ainda dividir a investigação em procedimentos separados. A própria portaria justifica essa possibilidade pela “pluralidade, complexidade e amplitude dos fatos”, e nomeia as três frentes que estão sob apuração: os supostos servidores “fantasmas”, os indícios de nepotismo e o desvio de função.

Quem assina o documento é Thatiana Kaline Fernandes, promotora de Justiça em substituição.