Com o retorno dos confrontos entre Estados Unidos e Irã, o mercado internacional de petróleo voltou a sentir pressão — e subiu de novo a temperatura em torno do Estreito de Ormuz, por onde passa parte decisiva da energia transportada no mundo.
Nesta terça-feira 1º, alvos iranianos foram atingidos por forças americanas. Teerã devolveu com míssil e drone sobre posições dos EUA na região. Rompe-se, assim, uma calmaria de cerca de um mês dentro de uma guerra intermitente que já passa de meio ano de duração, com períodos de trégua e retomada.

O que acirrou tudo nesta semana foi a briga por quem controla e garante a navegação no estreito. No domingo, o Irã já tinha lançado mísseis contra bases americanas — resposta a um ataque dos EUA a lançadores iranianos na Ilha de Larak. Washington sustenta que aqueles equipamentos estavam sendo preparados para lançar foguetes carregados com minas marítimas na direção da passagem.
O quadro piorou de vez quando dois petroleiros levaram “projéteis de origem desconhecida” bem na saída da passagem marítima — a informação é da agência grega Marisks, que acompanha a navegação na região. Washington pôs a responsabilidade por esses ataques a navios comerciais no colo do governo iraniano. E foi esse episódio que serviu de peça na justificativa para reabrir a ofensiva militar dias depois.
O que foi bombardeado
O Comando Central dos Estados Unidos declarou que os bombardeios de terça miraram instalações da Guarda Revolucionária Islâmica. Só que parou aí: não abriu oficialmente a lista completa do que entrou na mira naquele dia.
Dois funcionários iranianos, sob anonimato, contaram que vários pontos do litoral entraram na mira. Estariam nessa conta uma base militar em Bandar Abbas, instalações no perímetro do aeroporto comercial da Ilha de Qeshm e alvos localizados em Sirik e em Jask. Pelo relato desses dois, os estragos deixados nos locais atingidos foram consideráveis.
A festa de casamento
A ofensiva também teria alcançado alvo civil, e não apenas instalação militar. Segundo a televisão estatal iraniana e o Crescente Vermelho, mísseis acertaram uma casa onde corria uma festa de casamento na cidade de Kuhestak.
Morreram quatro pessoas ali, uma delas uma criança, e mais de 50 saíram feridas, conforme autoridades locais. É o que dá contorno civil a esta rodada de ataques — e vem à tona justamente enquanto Washington e Teerã prometem, um ao outro, ampliar suas operações.
A palavra de Trump
O presidente americano, Donald Trump, tratou os bombardeios como resposta à tentativa iraniana de minar o Estreito de Ormuz. Em publicação nas redes sociais, escreveu que os ataques americanos foram “grandes e poderosos, e em retaliação à tentativa fracassada dos iranianos de colocar minas marítimas no estreito”.
E ameaçou ir além, caso Teerã reagisse: “Se a nação fracassada do Irã retaliar por este ataque totalmente justificado, será atingida novamente com muito mais força e intensidade”.
A escalada põe fim a cerca de um mês de hostilidade em banho-maria. Trump havia baixado o ritmo da campanha militar por preocupação com o encolhimento dos estoques americanos de munição, e trocara isso por uma ofensiva voltada a apertar o cerco sobre a economia do Irã.
A resposta iraniana
A resposta de Teerã não demorou: veio poucas horas depois dos bombardeios. A Guarda Revolucionária avisou que reagiria com força e prometeu “impor pesados custos” aos Estados Unidos.
Na sequência, explosões foram ouvidas em Aqaba e Mafraq, no território da Jordânia. Num comunicado seguinte, a mesma Guarda Revolucionária assumiu ter disparado mísseis balísticos contra o Camp Titin, base perto de Aqaba usada pelos fuzileiros navais americanos.
O episódio foi publicado na edição desta quinta-feira 3 de O Correio de Hoje: Guerra no Irã volta a pressionar petróleo.