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Crédito

Move Brasil passa a financiar carros de até R$ 200 mil para motoristas de aplicativo e taxistas

CMN também esticou o prazo de pagamento de 72 para 84 meses; teto anterior cobria 63% do mercado, e o novo alcança 88%
Agora RN
31/08/2026 | 15:40

Motoristas de aplicativo, taxistas e cooperativas de taxistas poderão financiar veículos de até R$ 200 mil pelo Move Brasil. O Conselho Monetário Nacional (CMN) ampliou o limite de preço dos automóveis atendidos pelo programa e estendeu de 72 para 84 meses o prazo máximo de pagamento.

As mudanças foram aprovadas na quinta-feira 27, durante reunião extraordinária do colegiado, e entram em vigor na data de publicação da resolução. O aumento havia sido anunciado na semana passada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, mas dependia da regulamentação do CMN para ser aplicado pelas instituições financeiras.

Carros de aplicativo e táxis, atendidos pelo Move Brasil, estacionados em rua comercial de Natal
Carros de aplicativo e táxis estacionados em rua do centro de Natal: motoristas passam a ter acesso a modelos mais caros pelo programa federal de financiamento. Foto: José Aldenir

O valor máximo dos veículos elegíveis sobe de R$ 150 mil para R$ 200 mil, e o prazo de reembolso passa de seis para sete anos. A carência para pagamento do principal permanece em até seis meses. Não foram modificados o público beneficiário, os encargos financeiros nem o volume de recursos disponível.

A nova resolução adapta as condições de financiamento a uma portaria publicada conjuntamente pelos ministérios do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e da Fazenda, que já havia elevado o preço máximo dos automóveis adquiridos pelo programa. Pelas regras, os veículos devem ser novos e destinados à prestação de serviços de transporte individual remunerado de passageiros.

Segundo levantamento baseado nos emplacamentos registrados em 2025, o limite anterior de R$ 150 mil abrangia aproximadamente 63% do mercado de veículos analisado. Com a elevação para R$ 200 mil, a cobertura estimada passa para cerca de 88%. O Ministério da Fazenda calcula que 486 mil unidades adicionais passam a integrar o universo potencialmente atendido quando considerado apenas o critério de preço — o que não significa que todos esses automóveis serão financiados ou que todos os interessados terão o crédito aprovado.

A contratação continuará condicionada à análise da instituição financeira, que poderá avaliar renda, histórico de pagamento, capacidade financeira e garantias antes de liberar os recursos.

O prazo maior busca evitar que a ampliação do valor financiável provoque uma elevação excessiva das parcelas mensais. A extensão, entretanto, não garante uma operação mais barata: embora o prazo adicional possa reduzir o valor mensal, o cliente continuará pagando juros por mais tempo, e o custo total poderá aumentar conforme a taxa contratada e o montante financiado. Durante a carência, também poderão ser cobrados juros e outros encargos previstos no contrato.

O Move Brasil utiliza recursos autorizados pela Medida Provisória 1.359/2026, editada em maio, que destinou até R$ 30 bilhões a linhas de financiamento reembolsável voltadas a motoristas de aplicativo, taxistas e cooperativas. O valor global do programa permanece inalterado — a decisão do CMN modifica apenas o limite de preço dos veículos e o prazo máximo de reembolso.

As mudanças foram publicadas na edição desta segunda-feira 31 do jornal O Correio de Hoje.

Em agosto, o Agora RN mostrou que o programa vinha travando nos bancos privados mesmo com o governo assumindo 80% do risco (leia mais).