Grandes empresários têm direcionado doações aos partidos, em vez de transferir os recursos diretamente aos candidatos nas eleições deste ano. A prática dificulta a identificação imediata do vínculo entre o financiador e a campanha beneficiada, porque as contribuições aparecem nas contas anuais das legendas, apresentadas à Justiça Eleitoral apenas no ano seguinte.
Até 24 de agosto, os partidos haviam declarado R$ 43,4 milhões em recursos privados para manutenção partidária. Desse total, R$ 21,7 milhões foram recebidos entre junho e agosto, durante a pré-campanha. Ao menos 114 pessoas doaram mais de R$ 20 mil, somando R$ 24,4 milhões, e seis contribuíram com R$ 1 milhão ou mais.

O Republicanos recebeu R$ 7,4 milhões em doações de pessoas físicas. Entre 15 e 30 de junho, empresários e integrantes de famílias ligadas ao setor sucroenergético repassaram aproximadamente R$ 1,3 milhão ao diretório nacional. O partido transferiu R$ 8,8 milhões de fundos partidários para a campanha do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, candidato à reeleição.
No PT, José Seripieri Filho, fundador da Qualicorp e proprietário da Amil, doou R$ 2 milhões ao diretório municipal de Araraquara. Parte dos recursos enviados pelo diretório à campanha de Edinho Silva foi identificada com o empresário como doador originário, embora Seripieri não apareça na relação geral de financiadores de campanha do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
As doações privadas recebidas para manutenção das legendas também podem ser usadas para despesas partidárias ou para o pagamento de dívidas posteriores às eleições. Há ainda casos em que o partido utiliza a verba privada em suas atividades regulares e transfere às campanhas um valor equivalente proveniente do fundo partidário.
O levantamento foi publicado na edição desta segunda-feira 31 do jornal O Correio de Hoje.
O PL ficou com a maior fatia do fundo eleitoral deste ano, após a liberação de R$ 2,3 bilhões (leia mais).