As vendas de títulos públicos a pessoas físicas somaram R$ 11,67 bilhões em julho — e a base de dados abertos do Tesouro Nacional confirma que nunca houve um julho igual. Levantamento do Agora RN no conjunto oficial de vendas do Tesouro Transparente, que registra cada operação liquidada desde 2002, chega a R$ 11,666 bilhões no mês — 60,7% acima dos R$ 7,26 bilhões de julho de 2025, 81% acima dos R$ 6,43 bilhões de julho de 2024 e quase o triplo dos R$ 4,01 bilhões de julho de 2022.
O resultado, divulgado pelo Tesouro Nacional na terça-feira 25, foi o terceiro maior de 2026 — o recorde absoluto segue com março, quando as aplicações somaram R$ 14,79 bilhões, conforme registrou O Correio de Hoje na edição de quinta-feira 27. O balanço indica ainda o perfil de quem puxou o recorde: mais da metade das operações do mês foi de até R$ 1 mil, segundo o Tesouro.

O motor do desempenho é a taxa básica de juros. Com a Selic mantida em 14% ao ano, os papéis pós-fixados concentraram 51,2% das vendas: o Tesouro Selic movimentou R$ 4,18 bilhões (35,8% do total) e o recém-lançado Tesouro Reserva, criado como alternativa às “caixinhas” dos bancos digitais, estreou com R$ 1,79 bilhão, ou 15,3% das aplicações — com rendimento diário e resgate livre.
Os títulos corrigidos pela inflação responderam por 27,1% das vendas, e os prefixados, por 15,5%. Os produtos de longo prazo lançados em 2023 seguem com fatia menor: o Tesouro Renda+, voltado à aposentadoria, ficou com 4,3%, e o Tesouro Educa+, com 1,9%.
O estoque do programa fechou julho em R$ 272,26 bilhões, alta de 3,73% sobre junho e de 46,58% em 12 meses — reflexo da entrada de recursos e da atualização dos papéis pelos juros altos. A série da base oficial mostra a mudança de patamar do investimento de varejo: em julho de 2015, as vendas mensais somavam R$ 1,21 bilhão; dez anos depois, o mesmo mês movimenta quase dez vezes mais.