A crise do Grupo Casas Bahia chegou por inteiro ao Rio Grande do Norte. A varejista, em recuperação judicial desde meados de agosto, encerrou as atividades de suas lojas no estado, conforme informou O Correio de Hoje na edição de quinta-feira 27. Levantamentos locais identificam ao menos cinco unidades fechadas: as do Midway Mall, da avenida Roberto Freire e do Partage Norte Shopping, em Natal, além das lojas do Partage Shopping de Mossoró e de Caicó. A companhia não divulgou uma lista oficial de fechamentos por estado.
O encerramento da unidade do Midway tem peso simbólico: foi por ela que a Casas Bahia estreou no Rio Grande do Norte, em 2012. A rede chegou a operar 12 lojas no estado, como mostrou o Agora RN quando o pedido de recuperação judicial foi protocolado, e o fechamento amplia os efeitos da crise sobre empregos, consumidores e imóveis comerciais no RN.

Em escala nacional, o grupo fechou 298 lojas — perto de 30% da rede física — e demitiu cerca de 2 mil funcionários em agosto, segundo levantamentos de imprensa. O pedido de recuperação judicial foi protocolado na Justiça de São Paulo depois de um fato relevante aprovado pelo conselho de administração em 16 de agosto, documentado na página oficial de relações com investidores da companhia. As dívidas somam R$ 17,3 bilhões: cerca de R$ 16,4 bilhões com credores quirografários, R$ 754 milhões com credores trabalhistas e R$ 154 milhões com micro e pequenas empresas, conforme a petição inicial do processo.
No documento enviado ao mercado, o grupo atribuiu a crise a um “ambiente macroeconômico desafiador, marcado por patamares elevados de taxas de juros, restrição de crédito e aumento do custo financeiro”. A companhia registrou prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre e afirma que a recuperação judicial não interrompe a operação dos canais físicos remanescentes e digitais.
Os desdobramentos trabalhistas seguem em disputa. A Justiça do Trabalho chegou a suspender as demissões coletivas e exigiu mediação com os sindicatos, decisão semelhante à obtida em novembro de 2025 e depois revertida a pedido de bancos credores. No RN, trabalhadores desligados aguardam a definição sobre verbas rescisórias, liberação do FGTS e seguro-desemprego. Já o leilão de eletrodomésticos e eletrônicos promovido pela rede, na semana passada, indicou o esvaziamento dos estoques das lojas fechadas.