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Desenvolvimento

Porto-Indústria Verde entra na fase de estudos para definir viabilidade

BNDES inicia levantamentos em Caiçara do Norte para estabelecer engenharia e modelo jurídico do complexo; primeira etapa deve ser concluída até agosto de 2027
Agora RN
26/08/2026 | 23:58

O projeto do Porto-Indústria Verde do Rio Grande do Norte entrou na fase de estudos que deverá definir sua viabilidade e o modelo de participação da iniciativa privada. Uma equipe do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), acompanhada por técnicos do Governo do Estado, visitou entre terça-feira 25 e esta quarta-feira 26 a área reservada ao empreendimento, em Caiçara do Norte, no litoral Norte potiguar.

Os trabalhos abrangem análises econômicas, ambientais, jurídicas, de engenharia e de infraestrutura. A primeira etapa deverá ser concluída em 12 meses, até agosto de 2027, quando o estudo técnico e a proposta de contrato poderão seguir para consulta pública e apresentação ao mercado. A fase seguinte deverá se estender por mais dois anos.

Representantes do BNDES e do Governo do RN em reunião sobre o Porto-Indústria Verde
Equipe do BNDES, secretários estaduais e a governadora Fátima Bezerra participaram da reunião — Assecom/RN

O BNDES será responsável por estruturar o modelo de negócios e avaliar se o empreendimento será executado por meio de parceria público-privada, concessão ou outro formato. A área comandada pelo superintendente Ian Guerriero atua justamente na elaboração de estudos e contratos destinados à participação privada em projetos de infraestrutura de governos estaduais e municipais.

“O projeto tem potencial enorme e encontramos no Governo do RN uma equipe capaz para nos conduzir. Estamos com toda nossa equipe aqui para iniciarmos, junto com o Governo do Estado, o projeto que vai criar o porto”, afirmou Guerriero. Segundo ele, o processo deverá considerar os impactos ambientais e sociais, com participação da população em audiência pública.

A governadora Fátima Bezerra afirmou que a proposta começou a ser desenvolvida durante sua primeira gestão, em trabalho realizado com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e coordenado pelo professor Mário González. Posteriormente, o empreendimento foi incluído no Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

“A história do Porto-Indústria Verde no Rio Grande do Norte começou no início do nosso primeiro governo, junto com a UFRN. Incluímos no Novo PAC e agora começa a se concretizar”, disse a governadora. “Não queremos só produzir commodities, mas sim que esse ativo seja transformado em riqueza, em indústrias, empregos e renda para nosso povo”, destacou a governadora.

A escolha de Caiçara do Norte ocorreu após análises de alternativas em outros municípios. A área fica a cerca de 160 quilômetros de Natal e foi selecionada a partir de critérios técnicos, econômicos e ambientais, segundo informações divulgadas pela prefeitura local.

Projeto pretende agregar indústria à energia limpa

O complexo terá como foco inicial o atendimento à cadeia de energias renováveis. A infraestrutura deverá apoiar a instalação e a manutenção de parques eólicos offshore, além da produção, do armazenamento e da movimentação de hidrogênio verde, e-metanol, combustível sustentável de aviação e outros insumos de baixo carbono.

A proposta vai além da construção de um terminal para movimentação de cargas. O governo pretende criar um distrito industrial associado ao porto, capaz de atrair fabricantes de equipamentos, fornecedores de serviços e empresas consumidoras da energia produzida no estado. O empreendimento também poderá atender atividades ligadas à mineração, à economia do mar e à logística industrial.

“O RN já produz energia renovável. Agora, precisa utilizar essa energia para crescer e gerar emprego e renda”, afirmou o secretário estadual do Planejamento, Alexandre Lima. Para o secretário da Infraestrutura, Gustavo Coelho, a estruturação conduzida pelo BNDES permitirá apresentar o projeto a possíveis investidores.

Estimativas divulgadas na etapa de contratação apontaram investimentos da ordem de R$ 6,8 bilhões, distribuídos por três fases. A primeira incluiria obras marítimas, dragagem do canal de acesso, cais e áreas operacionais. Esses valores, contudo, ainda são preliminares e deverão ser revistos pelos estudos de engenharia e mercado.

O projeto também procura criar espaço para pequenos negócios no fornecimento de produtos e serviços. O Sebrae acompanha a iniciativa para identificar oportunidades para empresas locais durante a implantação e a futura operação do complexo.

Viabilidade ainda depende dos estudos socioambientais

Embora a visita do BNDES represente avanço institucional, o início das obras ainda depende de etapas técnicas e administrativas. Os levantamentos deverão calcular a demanda potencial de cargas, os custos da infraestrutura, a competitividade logística e as receitas necessárias para sustentar o empreendimento.

A modelagem também precisará definir a divisão de responsabilidades entre o Estado e o futuro parceiro privado. Depois da consulta pública e das audiências, o governo poderá ajustar o contrato e abrir o processo de seleção do investidor.

Outro ponto será o licenciamento ambiental. A localização no litoral exige estudos sobre ecossistemas, atividade pesqueira, ocupação territorial e efeitos econômicos sobre Caiçara do Norte e municípios vizinhos. Guerriero afirmou que a estruturação deverá respeitar as condições ambientais e sociais da região.

Participaram da reunião os secretários Alexandre Lima, Gustavo Coelho e Lahyre Rosado Neto. A equipe do BNDES contou ainda com Eduardo Costa, Vitor Figueiras, Leonardo Scarlato, Rafael Anderson e Thiago Paixão.

A conclusão da primeira etapa, prevista para agosto de 2027, deverá indicar se as expectativas econômicas encontram respaldo na demanda e qual formato permitirá tirar o projeto do papel. Até lá, o Porto-Indústria Verde permanece como uma aposta para converter a liderança potiguar em geração renovável em investimentos industriais, receitas e empregos.