Os professores da rede municipal de Natal decidiram suspender a greve iniciada em 6 de agosto. A decisão foi tomada em assembleia sindical nesta segunda-feira 24, após a Justiça reafirmar a ordem para que o movimento fosse interrompido, sob pena de multa diária de R$ 50 mil a ser paga pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Estado (Sinte-RN) e desconto dos dias não trabalhados pelos servidores que aderiram à paralisação. Apesar da suspensão, o Sinte-RN informou que recorrerá ao Supremo Tribunal Federal (STF). Além disso, manteve o “estado de greve” e anunciou um protesto para quarta-feira 26, às 8h, em frente ao Palácio Felipe Camarão, sede da Prefeitura do Natal. O Sinte-RN sustenta que a paralisação cumpriu os trâmites previstos na legislação e contesta as medidas impostas pelo Judiciário. A greve começou em 6 de agosto e foi suspensa pela primeira vez por decisão judicial proferida no dia 14. Na ocasião, o desembargador Glauber Rêgo, do TJRN, estabeleceu prazo de 24 horas para o retorno integral dos profissionais ao trabalho e determinou que o Sinte-RN deixasse de promover, incentivar ou manter a paralisação, sob pena de multa diária de R$ 10 mil. O Município acionou a Justiça sob o argumento de que o sindicato não havia apresentado um plano de contingenciamento com a indicação das escolas, turmas e serviços que permaneceriam funcionando durante a greve. A rede municipal de Natal possui 147 unidades e atende 51.908 estudantes. Mesmo após a liminar, os trabalhadores aprovaram a continuidade do movimento em assembleia realizada no dia 17. O sindicato argumentou que a decisão havia suspendido a greve, mas não declarado formalmente sua ilegalidade. Também informou que apresentaria defesa no processo e assumiria as multas eventualmente aplicadas. Na sexta-feira 21, diante da manutenção da paralisação, o desembargador considerou configurado o descumprimento da ordem. O Sinte-RN alegou que havia recorrido da primeira decisão e que parte dos profissionais continuava trabalhando, mas o magistrado ressaltou que a apresentação de recurso não suspende automaticamente os efeitos da liminar. Glauber Rêgo avaliou, então, que a multa inicial de R$ 10 mil havia sido insuficiente para assegurar o cumprimento da ordem. Por isso, elevou o valor diário para R$ 50 mil e determinou o desconto dos dias não trabalhados pelos profissionais que participaram da greve. Os professores da rede municipal reivindica uma complementação salarial de 4,6%, além dos 5,4% referentes à atualização do piso nacional do magistério já concedidos pela Prefeitura. Com isso, os trabalhadores querem alcançar um reajuste total de 10% em 2026. Também cobram a recomposição de perdas acumuladas, isonomia entre profissionais que exercem funções equivalentes, unificação das carreiras, garantia do tempo de planejamento e melhorias nas escolas e nos Centros Municipais de Educação Infantil. Na sexta-feira 21, uma comissão do Sinte-RN reuniu-se com a primeira-dama e vereadora Nina Souza (PL), que se comprometeu a atuar como interlocutora entre os profissionais da educação e a gestão do prefeito Paulinho Freire (União). O encontro, realizado na Câmara Municipal após uma sequência de mobilizações da categoria, abriu um canal de diálogo, mas não resultou em acordo imediato sobre as reivindicações dos trabalhadores. A Prefeitura afirma manter uma mesa permanente de negociação e sustenta que vem cumprindo um cronograma acordado com os profissionais. A gestão cita o pagamento do reajuste de 5,4% na folha de março, o parcelamento dos valores retroativos de janeiro e fevereiro e a antecipação de 40% do décimo terceiro salário em junho.
