O nome escolhido pela Polícia Federal para uma das fases das investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, provocou incômodo entre aliados do petista.
A etapa foi batizada de “Operação Elli”. Integrantes do entorno presidencial interpretaram a denominação como uma possível referência indireta à expressão “Faz o L”, popularizada nas campanhas de Lula. A informação foi publicada pelo Metrópoles nesta segunda-feira 24.

A operação teve como foco a quebra de sigilos relacionada a Lulinha e à empresária e lobista Roberta Luchsinger no âmbito de apurações sobre suspeitas de lavagem de dinheiro.
O que investiga a Operação Elli
Em documentos encaminhados ao Supremo Tribunal Federal, a Polícia Federal afirmou que a Operação Elli possui objeto investigativo distinto de fases anteriores e surgiu após a análise de materiais que apontaram possíveis crimes reiterados de lavagem de capitais.
Segundo a corporação, os elementos levantados indicaram possíveis irregularidades envolvendo Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, além de outras pessoas ligadas ao seu círculo financeiro. Nesse contexto, Roberta passou a figurar entre os alvos de medidas cautelares.
A interpretação política do nome da operação, porém, gerou reação no entorno de Lula. Aliados consideram que “Elli” pode remeter foneticamente à letra “L” e, consequentemente, ao slogan associado ao presidente.
Até o momento, não há indicação pública de que a Polícia Federal tenha confirmado qualquer relação entre o nome escolhido e a expressão “Faz o L”.
Por que Roberta Luchsinger aparece na apuração
Roberta Luchsinger é apontada como amiga de Lulinha e passou a ser citada nas apurações por sua relação com Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. A Polícia Federal investiga se houve movimentações financeiras ou atuação de intermediários ligada a interesses em órgãos públicos.
Em julho, levantamento mostrou que a empresária realizou 42 visitas a órgãos do governo federal entre janeiro de 2023 e abril de 2024. Desse total, 41 visitas não apareceram nas agendas oficiais. Em duas ocasiões, ela esteve no Palácio do Planalto e no Ministério do Desenvolvimento Social acompanhada de Fernando Bittar, então sócio de Lulinha.
Em outra frente, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a quebra de sigilo de Lulinha a pedido da Polícia Federal. A medida busca permitir o rastreamento de operações financeiras mencionadas no inquérito. A autorização não representa condenação, e a responsabilidade dos investigados ainda depende da análise das provas.
A defesa do filho do presidente nega irregularidades. Também não há, até agora, manifestação pública da Polícia Federal que confirme a interpretação política dada ao nome “Elli”.
Defesa de Lulinha pretende pedir explicações
A repercussão também chegou à defesa de Lulinha. O advogado responsável pelo caso informou que pretende solicitar explicações à Polícia Federal sobre a origem da denominação utilizada na operação.
A discussão ocorre em meio ao avanço de diferentes investigações envolvendo o filho do presidente. A Polícia Federal apura, entre outros pontos, suspeitas de tráfico de influência e possíveis movimentações financeiras relacionadas a empresários e lobistas com interesses em órgãos públicos.
O caso ganhou ainda mais repercussão política em razão da campanha presidencial de 2026 e das sucessivas revelações envolvendo Lulinha nas últimas semanas.