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Mundo

Nota do NABU detalha a organização que lavou 150 milhões de grívnias e mirava imóveis no centro de Kiev

Órgão aponta invasão às redes do Ministério da Justiça e sentenças judiciais forjadas para tomar empresas
Agora RN
21/08/2026 | 18:59

O Gabinete Nacional Anticorrupção da Ucrânia, o NABU, divulgou em 20 de agosto uma nota que detalha o esquema por trás da demissão de Iryna Mudra, vice-chefe de gabinete do presidente Volodimir Zelenski. O documento vai bem além do que se sabia: descreve uma organização criminosa chefiada por parlamentares e ex-parlamentares, com participação de altos funcionários do Gabinete do Presidente.

Segundo o órgão, o grupo tomava imóveis e ativos de empresas por meio de interferência não autorizada nas redes informatizadas do Ministério da Justiça da Ucrânia e da falsificação de decisões judiciais e de documentos de propriedade. No outono de 2025, os investigados assumiram ilegalmente duas empresas cujos ativos somavam 248 milhões de grívnias — o objetivo final era o controle de imóveis no centro de Kiev avaliados em mais de 500 milhões de grívnias. Em maio de 2026, tentaram tomar outro imóvel na capital, de mais de 207 milhões de grívnias, sem concluir a operação.

Iryna Mudra, ex-vice-chefe de gabinete da Presidência da Ucrânia
Iryna Mudra, vice-chefe de gabinete de Zelenski, exonerada por decreto após buscas em sua residência e em seu gabinete; ela não foi formalmente apontada como suspeita — Foto: Reprodução/Facebook

A lavagem citada no caso ocorreu em junho de 2026 e envolveu, segundo o NABU, representantes e dirigentes de um banco estatal. Foram 150 milhões de grívnias em espécie, cerca de US$ 3,4 milhões, injetados no sistema financeiro por meio de contas de empresas de fachada. O dinheiro serviu para pagar a fiança de um integrante da organização no caso conhecido como “Midas”.

Há ainda um crime que não chegou a acontecer. O NABU afirma que um grupo formado dentro da organização planejava privação ilegal de liberdade e sequestro para obter o controle de uma empresa, e que a ação foi impedida a tempo.

As notificações de suspeita foram entregues em 19 de agosto, pelo NABU e pela Promotoria Especializada Anticorrupção, a SAPO. As condutas foram enquadradas nos artigos 255, 191, 206-2, 209, 358 e 361 do Código Penal ucraniano. O próprio órgão registra, citando o artigo 62 da Constituição da Ucrânia, que ninguém é considerado culpado antes de decisão judicial.

Iryna Mudra foi exonerada por decreto depois das buscas em sua residência e em seu gabinete. Ela não foi formalmente apontada como suspeita pelos investigadores, e Zelenski não comentou o conteúdo da investigação, limitando-se a publicar o decreto. O presidente não foi implicado no caso. O contexto da crise foi publicado por O Correio de Hoje na reportagem “Corrupção amplia crise de Zelenski”.

A investigação avança num momento de pressão sobre o governo ucraniano, marcado por mudanças no comando da guerra e por cobranças para a realização de eleições presidenciais, suspensas enquanto vigora a lei marcial.