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Mundo

Irã mira os cabos submarinos de Ormuz, por onde passa um quinto do petróleo do mundo

Pela passagem circulam 21 milhões de barris por dia e sete cabos que sustentam a conectividade do Golfo
Agora RN
21/08/2026 | 18:14

A ameaça iraniana de atingir a infraestrutura de comunicação no Estreito de Ormuz acrescenta uma camada nova à crise: além do petróleo, está em jogo a espinha dorsal digital do Golfo Pérsico.

O peso energético da passagem é conhecido e mensurável. Segundo a Administração de Informação Energética dos Estados Unidos, a EIA, passaram pelo estreito cerca de 21 milhões de barris de petróleo por dia, o equivalente a aproximadamente 21% do consumo mundial de líquidos petrolíferos e a mais de um quarto de todo o petróleo negociado por via marítima. Cerca de um quinto do comércio global de gás natural liquefeito também atravessa o mesmo ponto. E o destino é majoritariamente asiático: 82% do petróleo bruto seguia para mercados da Ásia, com China, Índia, Japão e Coreia do Sul respondendo por 67% do total.

Vista do Estreito de Ormuz, passagem marítima entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã
Estreito de Ormuz, passagem por onde circulam cerca de 21 milhões de barris de petróleo por dia e sete cabos submarinos que sustentam a conectividade digital do Golfo — Foto: Acervo Agora RN

O que muda agora é o segundo alvo. Pelo leito do estreito passam pelo menos sete cabos submarinos principais — entre eles o FALCON, o AAE-1, o SEA-ME-WE 5 e o 2Africa — que sustentam mais de 90% da conectividade digital da costa sul do Golfo. Em abril, a agência Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária Islâmica, publicou relatório detalhando essa infraestrutura, sinalizando que Teerã passou a tratá-la como parte da zona de conflito.

A assimetria explica o cálculo iraniano. Emirados Árabes Unidos, Catar, Barém, Kuwait e Arábia Saudita dependem fortemente dessas rotas; o Irã depende de 30% a 40% delas, porque privilegia conexões terrestres pelo norte e pelo oeste. Atingir os cabos machuca mais os vizinhos do que a si próprio.

No plano econômico, a crise já cobra preço. A projeção é de que o comércio mundial cresça menos de 2% em 2026, pressionado pela energia, pelas restrições em Ormuz e pela incerteza comercial. O presidente Donald Trump prometeu isolamento econômico ao Irã, e os Emirados Árabes suspenderam o comércio com o país. O quadro completo da escalada foi publicado por O Correio de Hoje na reportagem “Irã amplia ameaça e pressiona mercados”.

Para o Brasil, o efeito chega pelo preço. O país não importa petróleo do Golfo em volume relevante, mas a cotação internacional é única, e um choque de oferta em Ormuz se transmite à paridade de importação que baliza os combustíveis no mercado interno.