O candidato ao Governo do Rio Grande do Norte Cadu Xavier (PT) prometeu criar um complemento estadual de R$ 50 para os estudantes atendidos pelo Pé-de-Meia, programa do Governo Federal que concede incentivo financeiro a alunos do ensino médio público.
A proposta do petista integra um conjunto de compromissos apresentados pelo candidato para ampliar a permanência dos jovens nas escolas, universalizar a educação em tempo integral e colocar o Estado entre os dez melhores resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) até 2030.

“A gente vai trabalhar para isso, para que o Rio Grande do Norte termine o ciclo do nosso governo, em 2030, entre os dez melhores Idebs do Brasil. Isso não é utopia”, declarou Cadu em entrevista ao programa Cidade Alerta, da TV Tropical.
Em 2025, o Ideb do Rio Grande do Norte alcançou nota 4,0 na faixa do ensino médio da rede pública integrado ao ensino profissionalizante. O resultado fez o Estado sair da lanterna entre os estados, subindo seis posições. Apesar disso, a nota ficouabaixo da média das redes estaduais brasileiras, que foi de 4,3.
Cadu reconheceu que a educação demanda um processo de longo prazo. “Talvez, de todas as políticas públicas, a educação seja aquela que tem um resultado que não é imediato. A educação é um ciclo, é um ciclo contínuo”, afirmou.
Uma das principais medidas propostas por Cadu é a criação de uma versão estadual do Pé-de-Meia. O programa federal funciona como uma poupança destinada a estimular a permanência e a conclusão do ensino médio por estudantes de famílias de baixa renda. A proposta do candidato é acrescentar R$ 50, pagos pelo Governo do Estado, ao incentivo já concedido pela União — que é de R$ 200 por mês, mais os bônus por conclusão de cada ano e realização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
“O governo do presidente Lula criou o programa Pé-de-Meia, que tem a intenção de fazer com que as crianças fiquem na escola, que não saiam da escola para ir trabalhar, para aumentar a renda dentro de casa. Nós estamos propondo um complemento do Pé-de-Meia de R$ 50 para cada aluno”, disse.
Segundo Cadu, embora o valor possa parecer reduzido para parte da população, teria impacto relevante no orçamento das famílias mais vulneráveis. “Para aquelas pessoas que estão lá nas camadas menos favorecidas, faz uma diferença para a gente manter as crianças na escola”, acrescentou.
O candidato também prometeu levar a educação em tempo integral a todos os estudantes da rede estadual. De acordo com ele, atualmente cerca de 30% das matrículas estão nessa modalidade. A meta apresentada é alcançar 100%.
“Nosso plano de governo tem conexão entre as áreas. Nós temos uma proposta de 100% dos nossos jovens e crianças na educação integral. Isso tem conexão também com as políticas para as mulheres. Com as crianças nas escolas, as mulheres têm mais autonomia para procurar um trabalho”, afirmou.
A educação profissionalizante completa o conjunto de propostas do candidato para a área. Cadu defendeu que a formação oferecida nas escolas estaduais esteja relacionada às atividades econômicas do Rio Grande do Norte e permita que os jovens concluam os estudos com melhores condições de ingressar no mercado de trabalho.
“A educação profissionalizante também é outra lacuna em que a gente quer avançar bastante no nosso governo, para que, através da educação conectada com a nossa economia, a gente faça com que primeiro as nossas crianças fiquem na escola e que os nossos jovens saiam já com uma formação que permita se colocar no mercado de trabalho, na economia do nosso Estado, de acordo com os nossos potenciais”, declarou.
Saúde no Tempo Certo
mo principal compromisso a criação do programa Saúde no Tempo Certo, destinado a reduzir as filas por consultas, exames e cirurgias. Ex-secretário da Fazenda, o candidato afirmou que a primeira medida será ampliar o financiamento da rede estadual e atribuiu parte das dificuldades atuais à falta de recursos suficientes para manter os serviços que foram expandidos nos últimos anos.
O plano prevê ampliar de aproximadamente 12% para entre 15% e 16% a parcela do orçamento estadual destinada à saúde. Questionado se seria possível alcançar o percentual durante os quatro anos de mandato, Cadu classificou a meta como viável. “É uma meta que a gente pode perseguir. É algo que a gente pode, sim, colocar no radar”, afirmou.
O Saúde no Tempo Certo deverá reunir consultas por telemedicina e a implantação de centrais regionais de diagnóstico. A intenção é permitir que pacientes realizem exames como tomografias e ressonâncias magnéticas na própria rede pública e mais perto de seus municípios, reduzindo os deslocamentos até Natal ou Mossoró.
“É um programa para que as pessoas tenham acesso a consultas, através de telemedicina, tenham acesso a exames de diagnóstico, de imagens. A gente vai criar centrais regionais de diagnóstico”, explicou. “Você vai fazer na rede pública, em estabelecimentos públicos, uma ressonância, uma tomografia”, acrescentou.
Para enfrentar a espera por cirurgias eletivas, o candidato defendeu o fortalecimento dos hospitais regionais. Como exemplos, Cadu afirmou que moradores de Parazinho devem poder operar no Hospital Regional de João Câmara e que pacientes de José da Penha precisam ter acesso aos procedimentos no Hospital Regional de Pau dos Ferros.
“A gente, com isso, faz com que a saúde chegue na ponta, chegue perto das pessoas, e não tenha um modelo de centralização de saúde”, disse. Ele também citou os serviços implantados no Hospital Regional de Assú e o funcionamento do Hospital da Mulher, em Mossoró, como experiências que pretende reproduzir em outras regiões.
Arrecadação sem elevar impostos
Cadu afirmou que o aumento dos investimentos em educação, saúde, segurança e infraestrutura será financiado pelo crescimento da arrecadação, sem elevação de impostos. O candidato reconheceu que a situação fiscal permanece delicada, mas sustentou que os indicadores melhoraram em comparação com o início do governo Fátima Bezerra (PT).
Segundo ele, no começo da atual administração, R$ 64 de cada R$ 100 arrecadados eram comprometidos com a folha. A expectativa apresentada por Cadu é encerrar 2026 com o gasto de pessoal próximo de 55% da receita.
“O Rio Grande do Norte precisa fazer com que a sua receita cresça sem aumentar imposto, que é um compromisso nosso, e que as despesas do Estado, a principal delas, que é o gasto com o pessoal, cresçam de forma sustentável”, afirmou.
O candidato aposta no desenvolvimento da mineração, do turismo, das energias renováveis e da fruticultura para ampliar a base econômica e, consequentemente, a arrecadação estadual. Citou a exploração mineral em Currais Novos, o potencial da energia eólica offshore e a chegada das águas do Rio São Francisco à Chapada do Apodi.
Para controlar as despesas, Cadu defendeu a política salarial formulada no governo Fátima, segundo a qual o gasto com pessoal deverá crescer o equivalente a até 80% do aumento da receita.
“Isso é responsabilidade, isso é compromisso com a ampliação da capacidade de investimento do Estado”, declarou. Ele ressaltou, porém, que não pretende responsabilizar os servidores pelo desequilíbrio fiscal. “Nós não vamos, no nosso governo, vilanizar os servidores”, afirmou.