As aprovações de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para empresas do Rio Grande do Norte chegaram a R$ 689,5 milhões no primeiro semestre de 2026, alta de 160,3% em relação aos R$ 264,9 milhões registrados no mesmo período do ano passado. A expansão foi puxada pela infraestrutura, que concentrou mais de três quartos dos recursos destinados ao Estado.
Dos R$ 689,5 milhões aprovados entre janeiro e junho, R$ 531,8 milhões foram direcionados à infraestrutura, o equivalente a 77,1% do total. Comércio e serviços receberam R$ 115,8 milhões; a indústria, R$ 26,3 milhões; e a agropecuária, R$ 15,6 milhões.

Os números mostram uma aceleração das operações ao longo do segundo trimestre. No balanço dos três primeiros meses de 2026, o BNDES havia informado R$ 90,6 milhões em aprovações para o Rio Grande do Norte, alta de 288,5% na comparação anual. Naquele momento, a infraestrutura respondia por R$ 31,9 milhões. O banco também informou que os desembolsos ao Estado haviam alcançado R$ 424,9 milhões no primeiro trimestre, avanço de 1.227,3% sobre igual período de 2025.
A concentração dos novos créditos em infraestrutura ocorre em um período de ampliação dos investimentos em energia e outros ativos no Estado. Em julho, a Neoenergia Cosern anunciou um programa de R$ 4,1 bilhões entre 2026 e 2030 para expansão e modernização da rede elétrica potiguar. O plano prevê dez novas subestações, ampliação de outras 16, instalação de 1.800 quilômetros de redes e aumento de 25% da potência instalada.
O BNDES também vinha financiando projetos ligados à infraestrutura aeroportuária e à geração de energia renovável no Rio Grande do Norte. No balanço do primeiro trimestre, o presidente da instituição, Aloizio Mercadante, citou recursos destinados à ampliação, manutenção e exploração da infraestrutura do Aeroporto Internacional de Natal e o apoio a parques eólicos que, somados, superam 160 megawatts (MW) de capacidade instalada.
Outro movimento observado no semestre foi a expansão do crédito destinado às micro, pequenas e médias empresas (MPMEs). As aprovações para esse grupo no Rio Grande do Norte alcançaram R$ 204,3 milhões, ante R$ 46,3 milhões no primeiro semestre de 2025. O crescimento foi de 341,1%.
O resultado mantém uma tendência que já aparecia no início do ano. No primeiro trimestre, as MPMEs haviam recebido R$ 83,6 milhões em aprovações no Estado, aumento de 361,1% sobre os R$ 18,1 milhões registrados em igual período de 2025.
“O avanço dos investimentos do BNDES no RN é resultado de uma estratégia implantada a partir de 2023 que passou a contar com orçamento dedicado e condições financeiras diferenciadas para o Nordeste. O Banco tem impulsionado setores estratégicos da região, do agronegócio à indústria, passando por infraestrutura, comércio e serviços”, afirmou Mercadante.
Segundo o presidente do banco, o movimento também tem ampliado o acesso ao financiamento pelas empresas de menor porte. “É um movimento que também amplia o acesso ao crédito para micro, pequenas e médias empresas (MPMEs), fortalecendo a economia local de ponta a ponta. No estado, os recursos para indústria neste primeiro semestre tiveram aumento de 481%; e para infraestrutura, 139%, ante 2025”, disse.
Embora a indústria represente uma parcela menor do volume aprovado no Rio Grande do Norte no semestre, o setor está entre os alvos de programas de financiamento direcionados ao Nordeste. Em 2025, o BNDES apresentou em Natal uma chamada pública de R$ 10 bilhões da Nova Indústria Brasil para projetos de inovação, reindustrialização e ampliação da capacidade produtiva da região.
A iniciativa recebeu projetos em escala superior ao volume inicialmente oferecido. Foram habilitadas 189 propostas, que somam R$ 113 bilhões em investimentos potenciais nos Estados nordestinos. Em março deste ano, o BNDES informou que a carteira havia entrado na fase de operacionalização, com acompanhamento das empresas para transformar os projetos selecionados em contratos de financiamento.
O crescimento observado no Rio Grande do Norte acompanha uma expansão do crédito do banco no Nordeste. As aprovações para a região chegaram a R$ 10,8 bilhões entre janeiro e junho, avanço de 184,3% frente aos R$ 3,8 bilhões do primeiro semestre de 2025.
A infraestrutura também liderou a distribuição regional, com R$ 5,9 bilhões. Comércio e serviços receberam R$ 2,1 bilhões, seguidos pela indústria, com R$ 1,7 bilhão, e pela agropecuária, com R$ 1,1 bilhão.
As micro, pequenas e médias empresas ficaram com R$ 5,2 bilhões das aprovações no Nordeste, ante R$ 2,3 bilhões um ano antes, crescimento de 127%. Os desembolsos para a região atingiram R$ 9 bilhões, comparados a R$ 6,3 bilhões no primeiro semestre de 2025.
Desde 2023, as aprovações do BNDES para o Nordeste somam R$ 64,4 bilhões. O montante é 76,5% superior aos R$ 36,5 bilhões contabilizados no período comparável entre 2019 e o primeiro semestre de 2022. A trajetória já vinha sendo observada no fechamento de 2025, quando as aprovações para a região atingiram R$ 19,39 bilhões.