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Investigação

Jornalista do Maranhão nega monitoramento de Dino e critica decisão de Moraes

Luís Pablo afirma que recebeu de uma fonte informações usadas em reportagens e diz que apreensão de seus equipamentos comprometeu o sigilo dos informantes
Por O Correio de Hoje
13/08/2026 | 15:40

O jornalista maranhense Luís Pablo Conceição Almeida, de 40 anos, negou ter monitorado o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e seus familiares. Principal alvo de um inquérito relatado pelo ministro Alexandre de Moraes, ele afirmou que apenas recebeu de uma fonte o material usado em reportagens sobre o suposto uso irregular de veículos oficiais.

Luís Pablo teve o computador e o celular apreendidos pela Polícia Federal em março. Após o acesso às conversas armazenadas nos aparelhos, pessoas que mantinham contato com o jornalista foram alvo de buscas na terça-feira 11. Segundo ele, a identificação dos informantes comprometeu a confiança necessária ao exercício da profissão.

Jornalista Luís Pablo sentado diante de um computador em ambiente de trabalho
Jornalista Luís Pablo é suspeito de perseguir ministro do STF Flávio Dino - Foto: Reprodução

“Estão tentando me destruir profissionalmente, porque diante da revelação da minha fonte a nível nacional, quem é a pessoa que daqui para a frente vai querer falar comigo ou me passar informação?”, questionou, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo. O jornalista classificou a decisão de Moraes como um “precedente grave” para a imprensa e pediu que entidades representativas adotem medidas contra a exposição das fontes.

As reportagens publicadas no blog Luís Pablo, mantido desde 2011, abordavam o suposto uso irregular de carros do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) e do governo estadual por Dino e familiares. “Nunca procurei nenhum familiar, e nem o ministro Flávio Dino foi abordado por mim. Eu procurei de forma institucional por meio do seu e-mail do gabinete e do STF, assim como também procurei por meio do e-mail do Tribunal de Justiça pedindo esclarecimentos, e nenhum me respondeu”, rebate o jornalista.

Luís Pablo afirmou ter se sentido intimidado e censurado durante a operação de março. Segundo ele, os agentes permaneceram cerca de dez minutos em sua residência e recolheram diretamente os equipamentos de trabalho, deixando-o vários dias sem condições de exercer a atividade profissional.

O jornalista também negou ter recebido dinheiro para produzir ou publicar as reportagens. De acordo com ele, os R$ 100 mil mencionados no relatório da Polícia Federal não possuem relação com o conteúdo divulgado. A quantia teria sido emprestada por um advogado, seu amigo pessoal, para a aquisição de um imóvel. “Eu não recebi dinheiro para divulgar as reportagens. Eu fiz o meu papel como jornalista”, declarou.

A assessoria de Flávio Dino e o Tribunal de Justiça do Maranhão negaram irregularidades. Segundo as notas encaminhadas à Folha, um carro blindado foi cedido ao ministro a pedido da Secretaria de Segurança do STF, com base em um acordo de cooperação mantido com os tribunais do País. Dino também afirmou ter solicitado a ampliação das medidas de proteção para ele e sua família.

Nas redes sociais, o ministro declarou que a função de magistrado o impede de participar diariamente de debates públicos. Disse ser obrigado a “suportar calado agressões e injustiças”, além de acompanhar distorções e interpretações que considera absurdas. “De todo modo, a minha biografia e a minha atuação profissional, em 37 anos de serviço público, são a minha maior defesa”, escreveu.

O Sindicato dos Jornalistas do Maranhão, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e outras entidades criticaram as medidas autorizadas por Moraes. As organizações alertaram que decisões dessa natureza podem violar o sigilo da fonte e intimidar o trabalho da imprensa.