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Segurança

Cadu critica operações com ‘carnificina’ em que Polícia ‘sai atirando em todo mundo’

Candidato afirma que enfrentará facções com firmeza, mas rejeita operações em comunidades com agentes “atirando em todo mundo”
Por O Correio de Hoje
11/08/2026 | 17:33

O candidato ao Governo do Rio Grande do Norte Cadu Xavier (PT) criticou operações policiais realizadas em comunidades com disparos indiscriminados de arma de fogo e afirmou que, se for eleito, pretende enfrentar o crime organizado “com firmeza”, mas “sem carnificina”. A declaração foi dada durante sabatina no Fórum Caminhos do RN, promovido pela Federação das Indústrias (Fiern) e pelo Sindicato das Empresas de Rádio, Televisão, Jornais, Portais e Revistas do (Midiacom-RN).

Auditor fiscal de carreira e ex-secretário estadual da Fazenda, Cadu defendeu um modelo de segurança que combine presença policial, investigação, tecnologia e prevenção social, sem tratar moradores de áreas populares como criminosos. “A gente faz segurança com polícia na rua, com firmeza, mas também sem olhar para qualquer um como um potencial criminoso”, declarou.

Cadu Xavier, vestido com terno cinza, segura um microfone e gesticula durante a sabatina do Fórum Caminhos do RN
Candidato do PT ao Governo do RN, Cadu Xavier, durante participação em sabatina da Fiern nesta terça-feira 11 Foto: YouTube 98 FM / Reprodução

O petista disse que entrar em comunidades “atirando em todo mundo” não resolveu o problema da violência no Rio de Janeiro ao longo das últimas décadas. “A gente enfrenta o crime com firmeza, com policial na rua, policial bem equipado e também, claro, sem ir nas comunidades, na casa dos trabalhadores, como é feito no Rio de Janeiro há 30, 40 anos. Não funciona nada sair atirando em todo mundo”, afirmou.

A declaração ocorreu após Cadu ser questionado sobre o crescimento recente de indicadores de violência e a presença de facções criminosas em cidades potiguares, inclusive em destinos turísticos como Tibau do Sul, onde fica Pipa. O candidato reconheceu que o crime organizado atua no Estado, mas rejeitou a ideia de que existam áreas fora do alcance das forças de segurança.

“Nós temos a presença do crime organizado, sim. Mas é importante também registrar que, no Rio Grande do Norte, não há território onde a polícia não entre. Isso eu falo com muita firmeza”, declarou.

Segundo Cadu, as facções devem ser enfrentadas sem acordos ou tolerância por parte do poder público. “Não tem essa conversa de pacto com o crime organizado. A gente enfrenta o crime com firmeza, com policial na rua, policial bem equipado”, afirmou.

O candidato citou como exemplo o aumento do número de operações realizadas pelas forças estaduais. Segundo ele, foram mais de 300 ações em um ano, ante aproximadamente 30 anteriormente. Cadu também defendeu a continuidade das políticas de contratação, integração das instituições e renovação dos equipamentos.

“Crime se combate com polícia e educação. Polícia na rua, polícia valorizada, polícia com equipamentos”, declarou. Ele afirmou que a gestão da governadora Fátima Bezerra (PT), da qual ele fez parte, contratou mais de 5 mil profissionais da segurança e aproximou o trabalho da Polícia Militar, da Polícia Civil e das forças federais.

“A gente botou homens e mulheres nas ruas. Nós contratamos mais de 5 mil profissionais de segurança. Nós integramos as nossas forças de segurança. Polícia Civil, Polícia Militar. Parece uma coisa simples, mas não é. A integração das polícias nunca foi e nunca vai ser uma coisa simples”, disse.

Cadu acrescentou que pretende ampliar o uso de tecnologia, principalmente por meio de câmeras. “Nós vamos seguir trabalhando com tecnologia. Nós temos uma proposta de videomonitoramento para ampliar o videomonitoramento em todo o Estado, para que a gente aumente a sensação de segurança e ajude também a elucidar aqueles crimes que vão ser realizados e possam vir a ser realizados”, afirmou.

O candidato também destacou os investimentos feitos em viaturas e equipamentos. Ele recordou que, anteriormente, veículos policiais do interior precisavam ser abastecidos com a ajuda de prefeituras e que parte da frota apresentava condições precárias.

“Era terra também dos carros empurrados no interior. Aqui em Natal era menos, mas, no interior, o Rio Grande do Norte era terra com carro velho, sem gasolina, que o prefeito tinha que botar gasolina nos carros da polícia. Hoje, a polícia anda em carros novos”, declarou.

Para Cadu, o próximo governo deverá ampliar as políticas que já produziram resultados, com mais profissionais nas ruas e melhores condições de trabalho. “É ampliar essa política que deu certo, de investimento em equipamento e valorização do profissional, de mais homens e mulheres nas ruas”, afirmou.

Sensação de segurança

Durante a sabatina, Cadu Xavier disse ainda que a sensação de segurança mudou no Rio Grande do Norte ao longo dos últimos oito anos. Como exemplo, relatou que, no passado, tinha receio de ser assaltado ao levar os filhos à escola.

“Eu ia deixar meus filhos na escola e eu preferia deixar as crianças sem cinto de segurança porque a chance de ser assaltado na porta da escola era maior do que acontecer um acidente”, afirmou.

Cadu reconheceu que deixar os filhos sem cinto representava uma infração, mas disse ter relatado o episódio para demonstrar o medo vivido naquele período. “Era esse o Rio Grande do Norte. Era Natal, e as pessoas tinham medo de ir à farmácia à noite. Era essa a terra em que a gente vivia. Hoje, a gente não vive mais nessa terra”, declarou.

O candidato também relacionou a segurança ao crescimento do turismo. Segundo ele, Natal é atualmente a capital mais segura do Nordeste, e a melhoria da percepção dos visitantes contribuiu para o avanço do setor no Estado.

“O nosso turista tem que chegar aqui, seja de onde ele for, e perguntar: ‘Eu posso andar na rua tranquilo? É tranquilo?’”, afirmou. Para Cadu, o objetivo deve ser fazer com que o atendente responda ao visitante: “É seguro, pode andar”.

O petista prometeu ainda fortalecer a Patrulha Rural e manter investimentos no policiamento do interior. Na área de proteção às mulheres, destacou que o número de delegacias especializadas passou de quatro para 12 e defendeu a ampliação da Patrulha Maria da Penha.