O deputado federal e candidato à reeleição Sargento Gonçalves (PL) negou, nesta quinta-feira 6, que tenha admitido a prática de compra de votos durante uma entrevista à 96 FM. Horas depois da repercussão de um trecho da conversa, o parlamentar publicou um vídeo nas redes sociais para afirmar que sua declaração foi retirada de contexto e que pretendia dizer justamente que sua campanha não utiliza dinheiro para conquistar eleitores ou lideranças.
A controvérsia começou durante participação no programa Contraponto, apresentado pelo jornalista Diógenes Dantas. Questionado sobre a campanha pela reeleição, que começa oficialmente em 16 de agosto, Gonçalves declarou que sua candidatura seria consequência do trabalho desenvolvido ao longo do mandato e que adotaria um modelo diferente da política tradicional.

Ao desenvolver o raciocínio, porém, o deputado empregou uma frase ambígua: “A campanha é uma consequência do trabalho desenvolvido. O trabalho na base da compra de votos, de buscar… Tenho lideranças. Consegui, graças a Deus. Mesmo com a minha pouca experiência na política, mas consegui construir bases políticas”.
O entrevistador afirmou que não havia compreendido a colocação e pediu que o parlamentar fosse mais claro. Gonçalves respondeu que estava se referindo à compra de votos como um problema da política local. “Quem é do Rio Grande do Norte, quem é do Nordeste, sabe que, infelizmente, ainda é um mal que ocupa a política do nosso Estado”, declarou.
Na sequência, o deputado afirmou que parte da sociedade cobra honestidade dos políticos, mas aceita trocar o voto por vantagens. Segundo ele, há eleitores que justificam pedidos de dinheiro alegando que outros candidatos já ofereceram valores.
Gonçalves disse que pretende disputar a eleição com “voto gratuito”, “voto consciente” e “voto espontâneo”.
Esclarecimento
Após o trecho circular nas redes sociais, o deputado publicou um vídeo para negar qualquer envolvimento com a prática. “Nunca comprei, nem vou comprar. Nem voto, nem liderança”, declarou.
Gonçalves sustentou que sua fala completa era a de que faz uma política diferente do modelo tradicional e “que não trabalha na base da compra de votos”. Segundo ele, o corte divulgado suprimiu parte da frase e alterou o sentido da declaração.
“Simplesmente, de forma muito covarde, fazem um corte e jogam”, afirmou. O parlamentar acusou adversários e páginas ligadas a grupos políticos de disseminarem o conteúdo de maneira maliciosa.
No pronunciamento, Gonçalves também declarou que lideranças políticas ligadas ao seu grupo estariam recebendo propostas financeiras para mudar de lado. “Estão oferecendo R$ 200 mil, R$ 300 mil por uma liderança no Estado do Rio Grande do Norte”, afirmou. Ele ameaçou revelar os nomes dos supostos responsáveis caso os ataques continuem, mas não apontou quem teria feito as ofertas nem apresentou detalhes sobre os episódios.
O deputado atribuiu a repercussão a uma tentativa de desgaste político contra sua candidatura. “A guerra começou”, declarou no início do vídeo. Em tom de enfrentamento, disse que não recuará durante a campanha e pediu que seus seguidores compartilhassem o esclarecimento para combater o que classificou como desinformação.