O deputado federal Sargento Gonçalves (PL-RN) afirmou que a eleição do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para a Presidência da República é necessária para evitar uma suposta “venezuelização” do Brasil caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) permaneça no comando do País. O parlamentar declarou que considera a vitória do candidato presidencial uma prioridade tão importante quanto — ou até maior — que a própria reeleição para a Câmara dos Deputados.
“Hoje, eu disse, conversando com alguns amigos, que, de fato, é uma prioridade tão grande quanto, ou talvez até maior do que eu ser reeleito, lutar para eleger o senador Flávio Bolsonaro”, declarou, em entrevista ao podcast Eleições 2026, da TV Agora RN, nesta sexta-feira 24.

Para Gonçalves, o resultado da eleição será determinante para os rumos institucionais do País a partir de 2027. “Nós estamos na beira de um precipício, de uma venezuelização do nosso país. Se nós não conseguirmos tirar o PT do poder neste momento, de fato, eu não sei o que pode acontecer com o Brasil a partir de 2027”, afirmou.
O deputado avaliou que Flávio é atualmente o melhor nome para representar a direita e reunir setores políticos que estiveram ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Embora tenha ressaltado que mantém uma relação melhor com Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, Gonçalves atribuiu ao senador um perfil mais moderado e maior capacidade para dialogar com forças de centro.
“Entre os Bolsonaro, eu tenho uma excelente relação com Eduardo Bolsonaro, mas Flávio tem uma característica mais agregadora, nessa perspectiva de trazer a classe política e, de repente, o centro mais para perto”, disse. Segundo o deputado, as crises e divergências que atingem a candidatura são naturais diante da proximidade da campanha e da polarização nacional.
Gonçalves também comentou o atrito entre Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Os dois trocaram críticas públicas antes de anunciarem uma reconciliação. Para o parlamentar potiguar, o conflito foi superado e não deverá impedir a participação de Michelle na campanha. “Eu acredito que já houve esse realinhamento com a ex-primeira-dama Michelle”, afirmou.
Ao defender unidade interna, o deputado recorreu a uma frase atribuída ao escritor Olavo de Carvalho para sustentar que integrantes da direita frequentemente ampliam os próprios conflitos, enquanto o PT protegeria seus principais líderes. “Lula roubou bilhões de reais do País e o PT continua, sempre trata e protege ele, não fala mal dele. Bolsonaro podia soltar um peido que não precisava de inimigo, não. Os próprios de casa acabavam atrapalhando”, declarou Gonçalves.
Lula teve as condenações da Operação Lava Jato anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que considerou que os processos tramitaram em uma instância sem competência para julgá-los, além de declarar que o então juiz Sérgio Moro era suspeito. Apesar disso, Gonçalves voltou a se referir ao presidente como “um sujeito condenado em três instâncias” e defendeu que os eleitores conservadores não se concentrem em divergências internas durante a campanha.
Críticas ao STF e defesa de posições “extremas”
Ao justificar o alerta sobre uma suposta “venezuelização”, Gonçalves acusou o Supremo de promover perseguição política e ideológica contra parlamentares de direita. O deputado afirmou que 38 congressistas respondem a processos na Corte, relacionando esse cenário à necessidade de retirar o PT do Palácio do Planalto.
Gonçalves também citou o processo no qual foi acusado de cometer crimes contra a honra do ministro Alexandre de Moraes. “Eu estou respondendo a um processo por falar. Os caras pedem 12 anos e seis meses de prisão”, disse. Em seguida, chamou Moraes de “ditador”. As declarações contra o ministro foram apresentadas pelo deputado como exemplo do que considera uma limitação à liberdade de expressão de opositores.
O parlamentar sustentou que sua defesa de Flávio não se limita a um alinhamento partidário. Segundo ele, trata-se de uma decisão tomada “enquanto cidadão” e “pai de família”. Gonçalves afirmou que a direita precisa compreender que novas acusações e crises deverão aparecer ao longo da campanha. “Quem é de direita, quem tem um pensamento conservador, quem entende que precisa tirar o PT do poder, precisa ter a maturidade e compreender que, de fato, vão vir muitos ataques. Esse processo agora só está começando”, declarou.
Questionado sobre qual linha Flávio deveria adotar, o deputado defendeu uma campanha capaz de combinar diálogo com o centro e posições duras em temas considerados essenciais pelo eleitorado conservador. “Tem temas que, naturalmente, a gente tem que ser extremo. É tanto que, quando alguém me chama de extrema-direita, eu não me sinto atacado, porque tem temas em que, de fato, eu sou extremo”, afirmou.
Como exemplos, Gonçalves citou sua oposição à legalização das drogas e do aborto e o endurecimento no combate às organizações criminosas. “Tem que realmente combater vagabundo, tem que ser na peia e na bala.”
O parlamentar também relacionou a resistência de partidos como PP, União Brasil e Republicanos à candidatura de Flávio a temas que provocam desgaste no centro, entre eles os ataques ao sistema eleitoral. Gonçalves voltou a questionar as urnas eletrônicas e defendeu a adoção do voto impresso auditável com contagem pública.
“A urna eletrônica se transformou em um tabu”, disse. O deputado repetiu alegações sobre uma suposta relação entre sistemas utilizados no Brasil e acusações de manipulação eleitoral na Venezuela, mas não apresentou provas. A Justiça Eleitoral afirma que as urnas brasileiras são desenvolvidas e administradas sob sua responsabilidade e não possuem vínculo com a empresa venezuelana Smartmatic.
Gonçalves questionou ainda a atuação do ex-ministro Luís Roberto Barroso no debate realizado pelo Congresso sobre o voto impresso. “Qual a dificuldade de se implementar um sistema de voto impresso auditável, de contagem pública de votos no nosso país? Por que esse medo todo?”, perguntou. Segundo ele, a resistência ao tema alimenta a desconfiança de uma parcela do eleitorado. “Quando se levanta uma resistência a esse tema, acende uma dúvida”, declarou.
Deputado chama caso Master de “cortina de fumaça”
Sargento Gonçalves também comentou o impacto do escândalo do Banco Master sobre a candidatura de Flávio Bolsonaro. O senador foi questionado por sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro e pelas conversas sobre a captação de recursos para “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro.
Gonçalves disse ter ficado satisfeito com as explicações apresentadas por Flávio e minimizou o impacto do episódio. “Eu não vou passar a mão na cabeça de ninguém, não. Mas o tema Master, que eu chamo de ‘Lula Master’ ou ‘Lewandowski Master’, é uma cortina de fumaça”, afirmou.
O deputado procurou deslocar as críticas para pessoas ligadas ao governo e mencionou o ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski e o senador Jaques Wagner (PT-BA), que deixou a liderança do governo no Senado após ser investigado por elo com o Master. Gonçalves alegou que esses personagens teriam conexões mais relevantes com o caso.
Na avaliação do parlamentar, a conversa sobre o financiamento de um filme privado, sem uso da Lei Rouanet, não seria suficiente para comprometer a candidatura presidencial. “Tudo é uma cortina de fumaça, como se, de fato, o problema fosse essa conversa privada no sentido de uma instituição financiar um filme que não pega recursos da Lei Rouanet”, declarou.
Gonçalves classificou as suspeitas como parte dos ataques que Flávio deverá enfrentar e descartou a possibilidade de substituir o senador por outro nome da direita. Para ele, apoiadores conservadores precisam evitar que o episódio aprofunde divisões internas. “A nossa prioridade é tirar o PT do poder”, concluiu.