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Evolução patrimonial

De R$ 73 mil a R$ 2,75 milhões: patrimônio declarado por Styvenson cresce quase 38 vezes desde a primeira eleição

Senador informou ao TSE aumento de R$ 2,68 milhões entre 2018 e 2026; declaração atual inclui apartamento, terreno, aplicações financeiras, dinheiro em espécie e dois créditos idênticos de R$ 155 mil
Redação Agora RN
05/08/2026 | 12:17

Para quem ainda pensa que política não é um bom negócio, a evolução do patrimônio declarado por Styvenson Valentim (Podemos) oferece números que, no mínimo, convidam a uma reflexão. Desde que disputou e venceu sua primeira eleição, em 2018, os bens informados pelo senador à Justiça Eleitoral passaram de R$ 73 mil para R$ 2,75 milhões.

Em oito anos, o acréscimo declarado foi de R$ 2.681.814,75. O patrimônio declarado por Styvenson corresponde hoje a 37,74 vezes o valor apresentado pelo então capitão da Polícia Militar quando concorreu pela primeira vez ao Senado.

Styvenson Valentim - Foto: José Aldenir/Agora RN
Styvenson Valentim durante atividade política no RN | Foto: José Aldenir/Agora RN

Os registros não permitem afirmar que o crescimento tenha sido provocado pelo exercício do mandato. Também não apontam, por si, qualquer irregularidade. Mostram, porém, que os anos de vida parlamentar coincidiram com uma mudança expressiva — e especialmente acelerada nos últimos quatro anos — no patrimônio declarado por Styvenson ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Em 2018, o candidato declarou apenas um veículo, dinheiro em conta e uma poupança destinada à aquisição ou construção de imóvel. Em 2022, ainda não informou possuir casas, apartamentos ou terrenos. Agora, na eleição de 2026, aparecem um apartamento avaliado em mais de R$ 1 milhão, um terreno de R$ 270 mil, mais de R$ 1 milhão em aplicações financeiras, R$ 95 mil guardados em espécie e R$ 310 mil a receber pela venda de apartamento.

Se a vida política trouxe desgastes ao senador, as finanças por ele declaradas aparentemente não enfrentaram a mesma dificuldade.

Styvenson Valentim durante reunião no Senado; patrimônio declarado por Styvenson é analisado com dados do TSE
Styvenson durante reunião no Senado: patrimônio declarado teve maior crescimento entre 2022 e 2026. Foto: Carlos Moura/Agência Senado

Patrimônio declarado por Styvenson começou em R$ 73 mil em 2018

Styvenson entrou na disputa eleitoral de 2018 como policial militar, filiado à Rede Sustentabilidade. Naquela ocasião, informou possuir três bens, que somavam exatamente R$ 73 mil.

  • R$ 60 mil em “poupança para construção ou aquisição de bem imóvel”;
  • um veículo automotor avaliado em R$ 9 mil;
  • R$ 4 mil depositados em conta-corrente.

A poupança representava mais de 82% de todo o patrimônio declarado. Styvenson venceu a eleição e assumiu o mandato em fevereiro de 2019. Foi a primeira candidatura registrada em seu histórico eleitoral.

Em 2022, patrimônio subiu para R$ 137,9 mil

Quatro anos depois, quando concorreu ao Governo do Rio Grande do Norte, Styvenson apresentou uma declaração de R$ 137.912,72. Em valores nominais, o crescimento entre 2018 e 2022 foi de R$ 64.912,72, equivalente a 88,92%.

A composição também mudou. O veículo de R$ 9 mil já não aparecia. Em seu lugar, a declaração de 2022 era formada exclusivamente por dinheiro depositado ou aplicado.

O maior valor estava em uma caderneta de poupança, com saldo de R$ 83.023,70. Outras aplicações de renda fixa somavam R$ 54.888,49. Havia ainda R$ 0,53 em conta-corrente e uma aplicação registrada com valor zerado.

Naquele momento, mesmo já exercendo o mandato de senador havia mais de três anos, Styvenson ainda não declarava apartamentos, casas, terrenos, empresas ou participações societárias.

Salto de quase 1.900% entre 2022 e 2026

O patrimônio declarado por Styvenson na eleição de 2026 soma R$ 2.754.814,75. Comparado aos R$ 137.912,72 informados quatro anos antes, o aumento foi de R$ 2.616.902,03.

O crescimento nominal chegou a 1.897,51%. Em outras palavras, o patrimônio declarado por Styvenson ficou praticamente vinte vezes maior desde a eleição de 2022.

AnoCargo disputadoPatrimônio declarado
2018SenadorR$ 73.000,00
2022GovernadorR$ 137.912,72
2026SenadorR$ 2.754.814,75
Evolução dos bens informados por Styvenson à Justiça Eleitoral. Fonte: DivulgaCandContas/TSE
Senador Styvenson Valentim discursando no plenário do Senado
Styvenson no plenário do Senado; parlamentar tenta a reeleição em 2026. Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

Apartamento de R$ 1,07 milhão é o principal bem

O maior item da declaração atual é um apartamento identificado como “Empreendimento Aalto”, avaliado em R$ 1.071.703,58. Sozinho, ele representa 38,9% de todo o patrimônio informado.

O registro do TSE não apresenta endereço, torre, unidade, metragem ou data da aquisição. Também não esclarece se o valor corresponde ao preço integral do apartamento, ao montante já pago, ao custo registrado para fins fiscais ou ao valor atual estimado pelo candidato.

O segundo bem imobiliário é descrito como “Terreno YBY L23 — Pium/RN”, no valor de R$ 269.999,92. Somados, o apartamento e o terreno alcançam R$ 1.341.703,50, equivalentes a 48,7% do patrimônio atual. Em 2022, nenhum imóvel havia sido relacionado.

Mais de R$ 1 milhão em aplicações financeiras

Outra parte expressiva do patrimônio declarado por Styvenson está no mercado financeiro. Styvenson declarou R$ 657.785,85 em aplicações de renda fixa, fundos multimercado do Banco do Brasil e outros investimentos. Informou ainda R$ 206.304,51 classificados genericamente como “outras aplicações e investimentos”.

Um terceiro lançamento, de R$ 144.020,89, reúne Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) e outros investimentos vinculados a operações como Direcional, Hapvida, BRF e Vamos.

As aplicações financeiras somam R$ 1.008.111,25 e correspondem a 36,6% de tudo o que foi declarado. Embora não seja possível acompanhar cada aplicação individualmente, o volume atual é aproximadamente R$ 870 mil superior a todo o patrimônio informado pelo senador em 2022.

R$ 95 mil guardados em cofre

A declaração também contém R$ 95 mil classificados como “dinheiro em espécie — moeda nacional”. Na descrição, o valor aparece como “dinheiro em cofre”. A quantia representa 3,45% do patrimônio total.

O documento eleitoral não explica por que o dinheiro é mantido fisicamente, quando foi acumulado ou qual sua origem. Manter recursos em espécie não é ilegal, desde que tenham origem lícita e estejam devidamente declarados.

Dois créditos idênticos de R$ 155 mil

Outro ponto que merece esclarecimento são dois lançamentos idênticos, cada um no valor de R$ 155 mil. Ambos são classificados como “crédito decorrente de alienação” e descritos como recursos a receber pela venda de apartamento. Em um dos registros, a palavra apartamento aparece grafada incorretamente como “aparatamento”.

Juntos, os créditos somam R$ 310 mil e representam 11,25% do patrimônio total. Os dados públicos não esclarecem se foram vendidos dois apartamentos diferentes, se os valores correspondem a duas parcelas da mesma negociação ou se houve repetição de lançamento.

O patrimônio declarado por Styvenson, totalizado em R$ 2,75 milhões pelo TSE, inclui os dois créditos. Caso um deles tenha sido inserido em duplicidade, o patrimônio cairia para R$ 2.599.814,75. Mesmo nessa hipótese, ainda seria mais de 35 vezes o valor declarado em 2018.

Styvenson Valentim em sessão no Senado Federal
Declaração de 2026 registra apartamento, terreno, investimentos e dinheiro em espécie. Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Crescimento supera a inflação com folga

A inflação está longe de explicar a evolução. Corrigidos pelo IPCA até junho de 2026, último mês disponível, os R$ 137,9 mil declarados em 2022 equivaleriam hoje a aproximadamente R$ 165,2 mil. Mesmo descontando a perda do valor da moeda, o crescimento real desde a última eleição chega a cerca de 1.568%.

Na comparação completa, os R$ 73 mil apresentados em 2018 corresponderiam a aproximadamente R$ 110,5 mil em junho de 2026. Diante dos atuais R$ 2,75 milhões, o crescimento real desde a primeira eleição permanece acima de 2.390%.

É uma evolução que sobrevive com bastante folga até ao argumento da inflação.

Quanto recebeu um senador no período

O crescimento ocorreu durante o mandato de Styvenson no Senado, iniciado em fevereiro de 2019. Até dezembro de 2022, o subsídio bruto mensal era de R$ 33.763. O valor subiu gradualmente e chegou a R$ 46.366,19 em fevereiro de 2025.

Uma soma simples dos subsídios mensais entre agosto de 2022 e julho de 2026 alcança aproximadamente R$ 2,066 milhões brutos. A conta não considera Imposto de Renda, previdência, gratificação natalina, outras rendas ou despesas pessoais.

O valor não pode ser diretamente equiparado ao crescimento dos bens. Remuneração bruta não é poupança líquida, e os registros do TSE não mostram rendimentos de aplicações, receitas obtidas com vendas ou outros ganhos informados fiscalmente. O subsídio parlamentar oferece contexto, mas não explica sozinho como o patrimônio aumentou R$ 2,617 milhões desde 2022.

Declaração do TSE não é auditoria

A declaração de bens é obrigatória para o registro de candidatura, mas possui limitações. Segundo a legislação e a jurisprudência eleitoral, os valores não precisam estar atualizados a preços de mercado. A relação também não precisa corresponder fielmente à declaração entregue à Receita Federal nem demonstrar todas as compras, vendas e transformações ocorridas no patrimônio.

O TSE divulga as informações prestadas pelo candidato, mas isso não significa que tenha realizado auditoria patrimonial ou comprovado a origem individual de cada bem. Por isso, os números não autorizam concluir que houve enriquecimento ilícito, incompatibilidade de renda ou qualquer irregularidade.

Permitem, entretanto, cobrar explicações de um agente público cujo patrimônio declarado mudou substancialmente durante o período em que exerceu mandato eletivo.

Transparência também deve valer para o patrimônio

A trajetória registrada no TSE é objetiva. Styvenson entrou em sua primeira eleição declarando R$ 73 mil. Quatro anos depois, possuía R$ 137,9 mil. Agora, ao tentar permanecer no Senado, informa patrimônio de R$ 2,75 milhões.

O patrimônio declarado por Styvenson apresenta hoje uma estrutura que não existia em 2022: apartamento milionário, terreno, carteira financeira superior a R$ 1 milhão, dinheiro em cofre e créditos decorrentes da venda de imóvel.

A política pode não ser necessariamente a responsável pelo crescimento. Mas, para quem ainda acredita que ela é sempre um mau negócio, os números declarados pelo próprio senador mostram que, ao menos do ponto de vista patrimonial, os últimos anos não foram exatamente de sacrifício.

Resta esclarecer como foram realizadas as aquisições, quais imóveis deram origem aos dois créditos de R$ 155 mil, se os lançamentos representam operações distintas e qual é a origem detalhada dos recursos acumulados desde a última eleição.

Transparência é uma cobrança recorrente no discurso de Styvenson. Diante de uma evolução patrimonial dessa dimensão, aplicá-la à própria declaração seria apenas coerência.

Leia também: Styvenson, Zenaide e Rafael aparecem na disputa pelo Senado em pesquisa Exatus; e Styvenson faz balanço de sua atuação como senador.

Fontes: declarações de bens de 2018, 2022 e 2026 no DivulgaCandContas/TSE; série mensal do IPCA; legislação eleitoral; e tabelas de remuneração do Senado Federal.