A Polônia abriu uma investigação militar para identificar o objeto que caiu em uma plantação no leste do país e abriu uma cratera de aproximadamente 10 metros de diâmetro. Segundo o primeiro-ministro Donald Tusk, as evidências preliminares indicam que se tratava de um míssil de cruzeiro russo Kh-101, lançado durante um ataque contra a Ucrânia.
O impacto ocorreu durante a madrugada desta quinta-feira, 30, em Tarnawa-Kolonia, perto da cidade de Lublin e da fronteira ucraniana. A área atingida não era habitada e não houve registro de feridos. Tusk afirmou, porém, que o governo aguardará a conclusão da perícia antes de atribuir formalmente a responsabilidade à Rússia.

As Forças Armadas polonesas monitoravam mísseis russos que cruzavam o oeste da Ucrânia quando um objeto se aproximou da fronteira. Caças F-16 foram acionados, mas o sinal desapareceu dos radares. De acordo com Tusk, a avaliação inicial é que a Polônia não era o alvo e que o projétil seria abatido caso continuasse em voo.
O episódio amplia a pressão sobre a defesa aérea do flanco oriental da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). A aliança informou que mantém contato com Varsóvia e que está preparada para defender o território dos países-membros. Uma entrada acidental, contudo, não provoca automaticamente a aplicação do Artigo 5, dispositivo que prevê resposta coletiva a um ataque contra um aliado.
A queda ocorreu durante uma das maiores ofensivas russas recentes. A Ucrânia informou ter identificado 74 mísseis e 284 drones, dos quais 55 mísseis e 265 aeronaves não tripuladas teriam sido interceptados. Segundo atualização da Associated Press, os ataques deixaram ao menos dez mortos e mais de 50 feridos.
O governo russo afirmou que a operação atingiu fábricas militares e centros de comunicações e logística da Ucrânia. As alegações não foram verificadas de forma independente.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, voltou a pedir mais sistemas de defesa aérea aos aliados, sobretudo interceptadores Patriot. A possível entrada de um Kh-101 na Polônia deve reforçar a discussão europeia sobre gastos militares, proteção de fronteiras e ampliação da capacidade de interceptação no leste da Otan.